Resenha – Máscara De Sangue

Máscara De Sangue

A Máscara de Sangue é o primeiro livro do filósofo Ragner Morais desenvolvido e comercializado de forma independente. A obra foca na história de uma máscara encontrada na Tailândia durante os anos atuais mas que está diretamente ligada a Drácula – talvez o vampiro mais famoso de todos os tempos.

É um livro que chamaria muito a atenção daqueles que gostam de história de vampiro e ainda estão se iniciando no assunto já que é escrito com uma linguagem fácil de compreender e organizado de uma maneira clara. Para um livro de estréia, a temática é interessante e os cenários mudam inusitadamente.

A trama gira em torno de Dionísio – um atleta-romântico-arqueólogo que está atrás da máscara ainda que não tenha plena certeza de sua existência. Há um toque de Indiana Jones aqui. Aliás, em todo o livro se sente a influência cinematográfica do autor.

Dionísio tem uma namorada russa-modelo e que tem um outro trabalho interessante que não vamos discutir para não tirarmos um detalhe da história.

No começo da história, os capítulos dividem bem os momentos e sabe-se que algo novo irá acontecer. À medida que a história progride, no entanto, os capítulos passam a ser mais longos e muitas vezes misturam as histórias que – nesse ponto – estão divididas em dois países. As partes que se passam no Japão são mais longas que as demais e ficam um tanto quanto desintegradas da história. Quando as questões filosóficas surgem no texto, elas acabam englobadas em apenas uma porção do livro – o que pode tornar essa parte maçante para aqueles que não apreciam debates filosóficos.

Quando a história chega no clímax, Dionísio decidi ir para o Japão. Essa questão não apenas atrasa a sensação de intensidade como nos leva a questionar o heroísmo da personagem. Aos poucos compreende-se que Dionísio não se achava pronto para lidar com os problemas que surgem. Ele chora ao ser atacado pelo vampiro e se sente traído pelas circunstâncias de sua namorada mas enquanto o mundo corre um risco real de sofrimento, Dionísio viaja para o Japão para recarregar as baterias.

Isso o torna real. Real demais para ser um herói pura e simplesmente. Então, passei a ver Dionísio como o herói e, de certa forma, o anti-herói. Isso muda um pouco a dinâmica mas não o desfecho da história.

Senti falta, no entanto, de conhecer um pouco mais as personagens…sua história, o que os trouxe até ali, traumas e etc. Em nenhum momento, por exemplo, o livro explica porque a Rússia estava atrás da máscara. Além disso, a namorada de Dionísio é a típica personagem feminina. Bonita, sexy, adora perigo mas mais atrapalha do que ajuda. Ela atira, não tenha dúvidas…mas também se deixa apanhar pelo inimigo de uma maneira boba e precisa ser salva.
No entanto, isso não invalida o teor da história.

Em um mundo cercado de vampiros brilhantes e vegetarianos, vale a pena procurar por histórias que se mantém fiéis ao que os vampiros realmente representam: medo, terror e morte. E, nesse sentido, Máscara de Sangue não deixa a desejar.”

Livro de estréia