Resenha – Jogos Vorazes – vol. 1

Jogos Vorazes está em todo lugar. O filme do primeiro livro já saiu e o sucesso foi imediato. A trilogia foi chamada de “a nova saga de sucesso”depois de Harry Potter e Crepúsculo. Enquanto ouvir Harry Potter me animou, ouvir Crepúsculo me desanimou completamente. Mas achei que valeria a pena ir em frente e ler o livro. Não poder ser pior que Crepúsculo. E não é. Nem de perto. Ainda bem.

O primeiro livro da trilogia nos apresenta Panem. Um país que surgiu onde antes estava a América do Norte que foi destruída por fenômenos naturais e guerras civis (piscadelas sarcásticas). Panem é um país com 13 Distritos e cada um é responsável por uma atividade essencial (agricultura, artigos de luxo, carvão e etc) dentro do sistema de Governo. Durante a história, descobrimos que o Distrito 13 foi destruído pela Capital quando tentou se rebelar. O mais interessante é que esse Distrito era o detentor das forças nucleares do Governo.

 O sistema de Governo é a ditadura. Apesar da palavra nunca aparecer no livro, percebe-se claramente que a Capital existe para demonstrar seu poder ao povo e colocá-lo em seu lugar controlando-o com atividades como os Jogos Vorazes. Em essência, o jogo consiste de dois representantes de cada Distrito – os tributos (alias, tributo é sinônimo de imposto. A Capital aqui já deixa claro o verdadeiro significado do povo) – um menino e uma menina entre 12 e 18 anos que devem lutar até a morte. 24 entram e apenas 1 sai.

A partir dos 12 anos já se é elegível para disputar o Jogo Voraz e é aqui que vemos uma direta crítica à sociedade de Panem. A partir dessa idade também já se é elegível para as téssaras. As téssaras são trocas que as famílias pobres podem fazer. Em troca de óleo e grãos, as crianças colocam seus nomes mais vezes no bingo da morte. E o número de vezes é acumulativo. Isso quer dizer que, aos 18 anos pode-se ter o nome inscrito mais de 40 vezes nos Jogos, como Gale. (amigo? amante? interesse romântico? saco de batata?)

Os pobres pagam com a vida pela sua pobreza. E não é assim em todo lugar? E a autora mostra que o preço que as crianças pagam são ainda piores. Não apenas elas se inscrevem mais vezes, se são escolhidas para competir nos Jogos, elas são obrigadas a se transformarem em assassinas de inocentes. O vencedor dos Jogos ganha dinheiro, uma casa chique em seu Distrito e fama. O que mais uma criança de 16 anos morrendo de fome pode querer?

A história é narrada em primeira pessoa na voz de Katniss Everdeen. Quando sua irmã de 12 anos é escolhida para ser a representante feminina do Distrito 12, Katniss se oferece para lutar no lugar da irmã. Ela irá para os Jogos Vorazes junto com o filho do padeiro – Peeta Mellark.

Katniss tem 16 anos e cuida da família desde que o pai morreu nas minas de carvão e a mãe perdeu a base (e, parece, um pouco da cabeça). Ela caça na floresta proibida para a família ter o que comer e vende o que pode no mercado negro para comprar o restante. Duas ações ilegais logo de cara. Então a Capital não transforma as pessoas apenas em assassinas, ela também as transforma em ladrões, corruptos e etc.

Quando ela chega à arena dos Jogos, Peeta e seu orientador (o orientador é um ex-ganhador dos Jogos, do mesmo Distrito) elaboram uma estratégia interessante para despertar o interesse da audiência nos dois. Peeta se declara apaixonado por Katniss. Isso mexe com o coração das pessoas frias e (in)sensíveis da Capital que passa a torcer por eles – ainda que isso não signifique nada de verdade. Mas eles poderão acompanhar a história em tempo real porque os Jogos são filmados e transmitidos para todos os Distritos. Os pais vêem seus filhos morrerem ao vivo e as pessoas com mais dinheiro apostam nos vencedores.

A crueldade é intensa.

Quanto a Katniss, o próprio orientador diz que ao se colocar como apaixonado por ela, Peeta a tornou desejável. Porque uma mulher só pode ser desejável se um homem diz que ela é. Sexista. Mas Katniss é boba demais para entender a profundidade do que Peeta fez. Para o bem ou para o mal, Peeta os colocou na linha de frente da atenção do telespectador e, numa arena onde eles devem se matar, dificilmente isso poderia acabar bem.

Apesar de carismático, Peeta é uma personagem incompleta. Ele não faz muito a não ser se declarar para Katniss. Provavelmente colocado na história apenas para fazer as meninas carentes de romance suspirar e sonhar que ele as ame também. (Tal qual o vampiro-que-brilha). Ele não faz muito. Não mata ninguém e ainda atrapalha parte da trajetória de Katniss. Quase que mais atrapalha do que ajuda e, sem ele, Katniss seria a campeã definitiva dos Jogos. Mas aí não teríamos volumes 2 e 3.

Eles acabam se separando no decorrer do jogos, e Katniss se associa à menina mais nova da arena, Rue.  Qquando ela não consegue proteger a menina que acaba morrendo pela lança de um outro competidor, Katniss mata o algoz da pequena Rue. Mas ela não faz isso para se proteger ou para garantir sua posição no jogo. Ela fez isso para se vingar. E, na verdade, ela TEM que fazer isso ou os adolescentes lendo o livro iriam odiá-la. Não se questiona uma morte por vingança de uma menina negra de 12 anos. A própria mídia a colocaria como um modelo.

Em um outro momento, Katniss derruba um ninho de vespas sobre um grupo de pessoas e duas meninas morrem por causa do veneno das ferroadas. Mais uma vez, Katniss não matou ninguém. As vespas mataram. Ou seja, Katniss tomou uma decisão sem ter um resultado em mente. Ela não jogou as vespas sobre o grupo para matá-los. Ela o fez para tirá-los dali para que ela pudesse fugir. Ainda assim, as duas pessoas que morreram em consequência dessa ação serão atribuídas a Katniss mas ela não as matou de verdade. Foi um acidente. E, como sabemos, acidentes acontecem. Ops.

A única morte pensada friamente por Katniss é a de Cato. Depois de ser atacado por bestas gigantes (enviadas pelos Organizados dos Jogos), Cato – o último participante entre ela, Peeta e a glória – está no fim da vida e PEDE para que ela o mate. E ela o faz. Mas ela não o matou de verdade. As bestas o mataram. Ela fez um favor em acabar com seu sofrimento. Mais uma vez, ou ela faz isso ou as pessoas a veriam como fria e sem coração. Uma heroína não pode ser nada disso. Todas as mortes causadas por Katniss não a tornam a assassina que ela deveria se tornar.

Toda sua trajetória é facilitada pelos demais personagens e pelo que o público quer dela. Katniss se comporta exatamente como a Capital quer que ela se comporte. Ela não é uma rebelde – apesar de parecer que sim porque ela odeia a Capital. Aliás, a atitude mais rebelde que ela pode poderia ter seria comer as amoras ao final do jogo e se matar. O que a Capital faria se não houvessem vencedores? Quem eles teriam controlado se todos os participantes morressem?

Mas não. Katniss e Peeta estavam blefando. Ela trocou a rebeldia pela glória. Isso não faz dela uma personagem forte, isso faz dela uma personagem comum. Ela faz o que todos fariam. Heróis devem fazer o que só eles podem fazer. Ela não é, e não se vê, como uma heroína. Nem como uma símbolo rebelde. Ela  tomou a decisão de não comer as amoras para que Peeta sobrevivesse. Mas…se ela tivesse se matado ele teria ganhado os Jogos de qualquer maneira. Então é simples. Ela não quis morrer. Quando  chegou o final e seria ou ela,ou ele, Katniss resolveu que seria ou os dois, ou nenhum.

Mas nada disso tira o mérito de que o livro é interessante e contém uma crítica à sociedade e à forma como vemos a miséria como entretenimento, como o Governo está alheio às reais necessidades do povo, como o povo é controlado facilmente como uma horda de famintos e a forma como o Governo tende a se utilizar das necessidades mais vitais da população contra a própria.

O tom de “1984”está por todo o livro. Parece quase uma continuação do clássico de George Orwell. A Capital tudo vê e tudo decide. A maioria dos Distritos vive em estado deplorável, onde pessoas morrem de fome e são vigiadas constantemente pelos Pacificadores. Além disso, o livro é bem escrito – mais uma enorme diferença de Crepúsculo – e tem conteúdo para suas páginas. Apesar de ser classificado como “literatura jovem”, Jogos Vorazes contém críticas sociais densas que permeiam o rumo da história e a forma como ela é contada.

São todos os ingredientes para se tornar um classico.

Resenha – O Império das Formigas – vol. 2

Vol.2 – O dia das Formigas (CONTÉM SPOILERS – Se vc não leu o primeiro livro, não leia esta resenha)

E vamos lá de novo.

Depois da resenha do primeiro livro, comecei o segundo muito interessada no que iria encontrar. E não me decepcionei. A “estranheza” que senti lendo o primeiro volume, sumiu aos poucos quando a história do segundo volume começou a se desenvolver.

A história segue assassinatos de cientistas que trabalhavam em um projeto secreto. Eles simplesmente começam a morrer de uma maneira misteriosa e muito complicada para o detetive Méliès compreender.

Esse volume segue a mesma linha do primeiro, intercalando as histórias dos humanos com a das formigas e com trechos do 2o volume da Enciclopédia dos saberes relativo e absoluto.

No entanto, nesse volume o autor se aprofunda em um tema interessante: a forma como os humanos usam seu “poder” sobre as demais espécies e como ele é visto por essas espécies. Claro, não pensamos no que elas sentem e nem parecemos nos importar SE elas sentem ou o que nossas ações causam para as comunidades animais.

O autor nos faz refletir sobre isso de uma maneira metafórica que explica o papel da religião na vida dos homens e seus impactos, muita vezes terríveis.

No primeiro volume, soubemos que 18 pessoas estavam presas sob a terra e dependiam das formigas para se alimentarem. Uma situação fantasiosa, claro. A nova rainha, porém, decide que não deve ter nenhum tipo de parceria com os humanos – que chamam de Dedos.

No entanto, o integrante mais novo do grupo de humanos decide se utilizar de uma estratégia para forçar as formigas a continuarem a alimentá-los. Ele explica que os Dedos são os Deuses das formigas e de todo o reino animal e que é um dever delas cuidar deles. Imediatamente, algumas formigas criam um grupo rebelde que acredita que os Dedos são Deuses e, desobedecendo as ordens da Rainha, continuam a alimentá-los.

Aqui, começa a parte filosófica do livro. Basicamente, o autor nos mostra como a religião muda a forma como encaramos todos os aspectos de nossas vidas, inclusive a autoridade. Como passamos a questionar questões que não eram questionadas antes e as ramificações que isso pode ter. Esse grupo de formigas é visto como rebelde e recebe a sentença de morte da Rainha. Mas nem isso os impede de continuar a lutar pelos seus Deuses.

Além disso, o menino que se coloca como Deus diz que “Os humanos precisam ser alimentados para sobreviverem”. Ou seja, os Deuses precisam ser alimentados para sobreviverem. Aqui a interpretação de cada um é crucial. Aqueles que têm fé, vão defender que é por isso que se reza, por isso que se vai à Igreja e por isso que a Bíblia é uma importante fonte de conhecimento. Aqueles que não têm fé, podem argumentar que essa é a pura racionalização da religião que explica que esse conceito foi, de fato, criado pelos homens e, em última instância, serve para controlar as vontades, ações e pensamentos das pessoas.

A história continua quando a Rainha decide criar um grupo de elite para começar uma cruzada contra os Dedos. Ela quer todos os Dedos mortos pois eles só destroem o ambiente dos demais animais para ganho próprio e isso é simplesmente inaceitável.

Durante a cruzada (o que também pode ser diretamente ligado à religião e a forma como a maioria tenta destruir a minoria), as formigas encontram diversas espécies que, ao final, decidem ajudá-las a acabar com todos os Dedos. Basicamente, os humanos são odiados por todas as espécies de insetos e eles estão decididos a unir forças para acabar com essa “ameaça”.

Enquanto isso, mais cientistas morrem de maneira misteriosa.

A formiga principal – presente também no primeiro volume – ainda está indecisa sobre os humanos e segue como líder da Cruzada contra os dedos mas acaba se separando do grupo. (Isso depois de muitos ataques e contra ataques acontecerem). E ela encontra um grupo de baratas que vivem em um lixão na cidade.

E, surpresa, quando ela menciona que os humanos são Deuses, as baratas se divertem com a idéia. Isso porque, para as baratas, os humanos são…prepare-se….escravos. Isso mesmo. Elas vêem os humanos como seus escravos. E aqui, mais uma vez a idéia de religião é colocada em cheque. Será mesmo que ser Deus ou escravo é apenas uma questão de perspectiva? Será que um Deus que deve ouvir e ajudar os humanos o tempo todo, se torna escravo de sua posição? Será que a religião é uma criação humana usada para escravizar outros humanos?

Apesar do debate filosófico que me encanta, quando o livro chega ao final, fico desencantada. Os assassinatos são resolvidos, claro. Mas o final acaba sendo extremamente fantasioso, assim como, a forma como se investiga os assassinatos. Creio que esse é o principal defeito do autor. Ele não é um ótimo finalizador de histórias o que se torna crucial quando se tem um terceiro volume. Além disso, em muitos momentos a história se arrasta e se torna um pouco….chata.

De qualquer maneira, o segundo volume definitivamente eleva o nível exigindo um debate filosófico de cada leitor consigo mesmo. Para quem gosta (e se diverte) pensando nisso, o segundo volume da trilogia vale a pena e é muito muito melhor que o primeiro.

Resenha – O Império das Formigas – vol. 1

Vol 1. As Formigas

Comprei essa trilogia porque eu não acreditava que um livro de romance e ficção de qualidade pudesse ser escrito tendo formigas como tema principal. É um velho preconceito que tenho com qualquer coisa que ameace a minha comida.

Decidi que iria ler sem preconceitos.

O primeiro volume é, facilmente, o livro mais estranho que já li. A história é dividida entre o Império das Formigas Ruivas, textos da Enciclopédia de um genial biológo que passou a vida estudando formigas e o sobrinho deste biólogo que herda a casa do tio e encontra um porão muito suspeito.

Jonathan – o sobrinho de Edward (o biólogo) – é um adulto meio criança que está desempregado. Quando herda a casa do tio que faleceu, ele acredita que tirou a sorte grande pois ele e a família já não tinham para onde ir. Tentando conhecer mais sobre seu salvador, ele vai entrevistar algumas pessoas que conheceram seu tio. Descobre que Edward não era uma pessoa agradável apesar de ser extremamente inteligente. Sua avó lhe entrega um bilhete do tio que diz para ele não entrar no porão sob nenhuma circunstância.”. Mas, claro, isso não adianta de nada. Jonathan ainda é uma criança curiosa.

Ele vai ao porão e passa cada vez mais tempo lá embaixo construindo alguma coisa. Sua família e relações sociais se tornam algo totalmente secundário à sua curiosidade. Nesse sentido, percebemos que esse é também um traço entre as formigas.

Simultânemanete, o autor nos apresenta a história das Formigas. Na verdade, além de ser uma aula sobre a organização social e política das Formigas Ruivas, é também uma aula de biologia sobre a forma como as formigas são constituídas e para que serve cada parte de sua antena e seu corpo. É definitivamente impressionante.

A história das formigas começa quando um macho sexuado vai com um grupo de formigas guerreiras patrulhar o terreno ao redor do Formigueiro. Ele se dispersa do grupo e, ao retornar, percebe que todas estão mortas mas não se sabe como. Ele institivamente percebe uma ameaça e retorna ao Formigueiro para alertar as demais.

Apenas duas companheiras acreditam nessa ameaça e aceitam ajudá-lo.  No entanto, elas rapidamente descobrem que nada é tão fácil quanto parece. Durante as expedições para buscar informações, elas descobrem um grupo de formigas “com cheiro de rocha” que ativamente tentam impedir a busca, aumentando a desconfiança de que há alguma coisa errada.

Nesse caminho, elas passam a conhecer cada vez mais da sua própria sociedade e também dos seres que vivem ao seu redor. A idéia de liberdade e hierarquia é questionada algumas vezes mas nunca o suficiente para levantar uma rebeldia completa. Mas a semente já está colocada.

Entre essas duas linhas de histórias, temos trechos da Enciclopédica dos saberes relative e absoluto de Edward que fala sobre seus estudos sobre as Formigas e os homens.

A história é bem escrita e bem amarrada com um final parte supreendente, parte estranho. No entanto, esse final dá o tom para o 2o livro da trilogia. O que fica claro, é que, como os humanos, as formigas se organizam em sociedade. Mas, diferentes de nós, todo o seu trabalho e pensamento é voltado para essa sociedade. Não há um senso de “eu”no Formigueiro e nem dúvidas sobre a forma como tudo deve funcionar.

De certa maneira, as Formigas vivem a utopia de uma sociedade igualitária que os homens sempre buscaram mas que sempre acabava corrompida pela ganância e o interesse daqueles que estavam no poder. Mas não é só isso…o livro deixa claro o desprezo com que o homem trata os animais ao seu redor e seu habitat.

O biólogo estudava uma maneira de se comunicar com as formigas utilizando a codificação dos feromônios pois o homem tende a temer o que ele não entende mas apenas se tiver tamanho para o assustar. É um terrível erro.

Resenha – A Cabana

                          

Li tal livro logo depois que me Pai faleceu. Não digo que somente fui impulsionado a ler pelo fato de minha dor, mas que serviu de certa motivação, não tenho dúvida.

O livro é sobre uma tragédia pessoal que pode acometer qualquer pessoa e por isso pode ser sentida de forma intensa por quem o ler. O poder destrutivo que a morte ocasiona. A ruína significativa que a quebra de laços pode proporcionar.

O livro trabalha a queda e a “ressurreição” do protagonista. Como ele cai em enorme desgraça com o desaparecimento da filha, com o passar dos anos, e como depois, em meio a profundas e desgastantes perguntas, ele vai encontrando o caminho para viver tua relação com Deus e a perda de sua caçula.

Depois da ausência súbita, sem explicações de um dos seus bens mais preciosos, Mack vive, digo, sobrevive dia após dia, ano após ano, até que recebe uma carta, um convite para voltar ao lugar que acarretou o pior momento de sua vida e o remetente seria DEUS. Como e POR QUE Deus o chamaria para o lugar mais obscuro e cruel possível? Eu imagino que seria para enfrentar e entender o que aconteceu, para substituir de vez toda a angústia e desespero que existe dentro dele. Acredito que tal chamado seria para ajuda-lo a superar de vez, a destruição com aquilo que ele mais precisava: o confronto definitivo com seu passado.

Mack aceita o chamado e com isso, o primeiro passo é dado, o passo mais importante acontece, o enfrentamento. Chegando à Cabana, o livro toma um rumo mágico, excepcionalmente encantador. Deus se apresenta encarnado na santíssima trindade e da melhor maneira possível para o entendimento de Mack – acredito que tal presença física se daria da melhor maneira para quem precisasse encontrar com Deus.

Um final de semana onde o tempo não existe, o espaço é um adereço a mais e a sublime face do conhecimento é o que importa. As perguntas de Mack vão sendo respondidas à seu tempo, sem inclinações, sem pressa, sem ponderações. Todo o vazio pessoal: íntimo e familiar vai sendo preenchido. A vida é renovada e é chegado o momento do reencontro, entre Mack e Missy, a filha, tanto de alma e corpo. Como essa experiência vai influenciar a vida dele? Bom, leia…

A Cabana proporciona uma linguagem confortavelmente cheia de sabedoria e que me ajudou a apaziguar um enorme sofrimento: serviu-me muito a conviver com a perda de meu Pai, um dos elos que me fortalecia, uma das mais preciosas peças que me apresentou o mundo e que preenchia esse quebra cabeça denominado VIDA.

 Um livro que indico à todos, aos crentes e descrentes, aos conhecedores e desinteressados. A leitura não vai fazer com que a fé nasça, mas pode auxiliar a reforma-la.