Resenha – O Império das Formigas – vol. 1

Vol 1. As Formigas

Comprei essa trilogia porque eu não acreditava que um livro de romance e ficção de qualidade pudesse ser escrito tendo formigas como tema principal. É um velho preconceito que tenho com qualquer coisa que ameace a minha comida.

Decidi que iria ler sem preconceitos.

O primeiro volume é, facilmente, o livro mais estranho que já li. A história é dividida entre o Império das Formigas Ruivas, textos da Enciclopédia de um genial biológo que passou a vida estudando formigas e o sobrinho deste biólogo que herda a casa do tio e encontra um porão muito suspeito.

Jonathan – o sobrinho de Edward (o biólogo) – é um adulto meio criança que está desempregado. Quando herda a casa do tio que faleceu, ele acredita que tirou a sorte grande pois ele e a família já não tinham para onde ir. Tentando conhecer mais sobre seu salvador, ele vai entrevistar algumas pessoas que conheceram seu tio. Descobre que Edward não era uma pessoa agradável apesar de ser extremamente inteligente. Sua avó lhe entrega um bilhete do tio que diz para ele não entrar no porão sob nenhuma circunstância.”. Mas, claro, isso não adianta de nada. Jonathan ainda é uma criança curiosa.

Ele vai ao porão e passa cada vez mais tempo lá embaixo construindo alguma coisa. Sua família e relações sociais se tornam algo totalmente secundário à sua curiosidade. Nesse sentido, percebemos que esse é também um traço entre as formigas.

Simultânemanete, o autor nos apresenta a história das Formigas. Na verdade, além de ser uma aula sobre a organização social e política das Formigas Ruivas, é também uma aula de biologia sobre a forma como as formigas são constituídas e para que serve cada parte de sua antena e seu corpo. É definitivamente impressionante.

A história das formigas começa quando um macho sexuado vai com um grupo de formigas guerreiras patrulhar o terreno ao redor do Formigueiro. Ele se dispersa do grupo e, ao retornar, percebe que todas estão mortas mas não se sabe como. Ele institivamente percebe uma ameaça e retorna ao Formigueiro para alertar as demais.

Apenas duas companheiras acreditam nessa ameaça e aceitam ajudá-lo.  No entanto, elas rapidamente descobrem que nada é tão fácil quanto parece. Durante as expedições para buscar informações, elas descobrem um grupo de formigas “com cheiro de rocha” que ativamente tentam impedir a busca, aumentando a desconfiança de que há alguma coisa errada.

Nesse caminho, elas passam a conhecer cada vez mais da sua própria sociedade e também dos seres que vivem ao seu redor. A idéia de liberdade e hierarquia é questionada algumas vezes mas nunca o suficiente para levantar uma rebeldia completa. Mas a semente já está colocada.

Entre essas duas linhas de histórias, temos trechos da Enciclopédica dos saberes relative e absoluto de Edward que fala sobre seus estudos sobre as Formigas e os homens.

A história é bem escrita e bem amarrada com um final parte supreendente, parte estranho. No entanto, esse final dá o tom para o 2o livro da trilogia. O que fica claro, é que, como os humanos, as formigas se organizam em sociedade. Mas, diferentes de nós, todo o seu trabalho e pensamento é voltado para essa sociedade. Não há um senso de “eu”no Formigueiro e nem dúvidas sobre a forma como tudo deve funcionar.

De certa maneira, as Formigas vivem a utopia de uma sociedade igualitária que os homens sempre buscaram mas que sempre acabava corrompida pela ganância e o interesse daqueles que estavam no poder. Mas não é só isso…o livro deixa claro o desprezo com que o homem trata os animais ao seu redor e seu habitat.

O biólogo estudava uma maneira de se comunicar com as formigas utilizando a codificação dos feromônios pois o homem tende a temer o que ele não entende mas apenas se tiver tamanho para o assustar. É um terrível erro.

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