Resenha – Fallen

Fallen é um livro que nasce em uma época quase que dominada por uma safra de livros juvenis fantásticos e isso sustenta uma demasiada carga de “parecer” com todos os outros, mas ele muda completamente o personagem de fantasia aqui e um dos motivos que me levou a lê-lo, foi esse. Eu gostei do livro, gostei mesmo. A escrita é tranquila e nada maçante. Apesar do enredo ter sido construído na base do consagrado estilo romântico, com dois personagens lutando por um sentimento, um terceiro querendo roubar o amor da mocinha, a melhor amiga, a garota que incomoda e tudo o mais, o livro apresenta alguns tópicos diferenciados e a temática gira em torno de “anjos”.

Lucinda Price – Luce – é uma garota meio deprê, mas não é uma deprê normal, ela aparentemente tem motivos para isso e alem dos motivos, ela ainda é observada como maluca, desequilibrada até. A causa disso tudo é uma diferença sensorial que ela possui: ela vê sombras estranhas e nada agradáveis; e também sofre com o transtorno causado por um suposto envolvimento na morte, sem explicações, de um rapaz que ela gostava (nem mesmo Luce sabe se tem parcela de culpa na morte). Ela passa por momentos de perturbação pessoal e de incompreensão de outras pessoas, até da família, com tudo isso, ela acaba sendo enviada para um reformatório, feio, mórbido, decadente.

Toda a estrutura do reformatório é apresentada como uma escola para delinquentes. Existem aqui até o grupo dos “perigosos” que usam uma pulseira específica. Luce é bem recebida por alguns, bate de frente (literalmente) com outros e também chega a ser menosprezada. SIM, a garota mal chega em um lugar estranho e JÁ É desprezada, não apenas ignorada. Tal situação a deixa intrigada. Mesmo sendo abordada com bastante galanteio por um dos rapazes mais populares, ela se sente atraída pelo que a deixa de lado. É certo que muito na vida real acontece dessa forma, mas no livro as explicações se dão com o tempo e algo além envolve Luce e Daniel, o rapaz que nem a olha direito.

Daniel tem a aparência de triste, melancólica e passiva, Cam, o galanteador popular, já é mais ativo e impulsivo, deixando Luce dividida, assim como em histórias de amores impossíveis. O interesse por um, que não parece afim, é compensado pela empolgação do outro. No decorrer do livro, ela se sente cada vez mais envolvida pelo clima de mistério de Daniel e passa a pesquisar sobre ele (com a ajuda de uma amiga fiel), ficando com a intuição perseverante de que o conhece, de alguma maneira. Mas a decisão de finalizar qualquer comprometimento com Cam ainda não parece definitivo. Com o tempo, as investidas de Cam se tornam cada vez mais diretas, levando a um momento de ação definitiva por parte de Daniel.

Luce e Daniel se posicionam, e a hora da verdade chega, mas é claro que nada é tão simples e tão objetivo. Daniel tem uma longa história e Luce está presente nessa história desde SEMPRE. Daniel é um anjo, Luce uma mortal que ele escolheu para amar eternamente. (essa parte da história é um pouco ligeira, a escritora parece ter escrito com alguma pressa, uma pena, pois deveria ser a parte mais bem elaborada, mas creio que nos outros livros, tudo seja detalhadamente explicado). Tal contexto não é processado facilmente por Luce, que se perturba com isso, mas tuas pesquisas a ajudam a acreditar e então ela decide enfrentar de vez, TUDO, para estar ao lado do ser que ama. Quando os eternos amantes se aceitam, as peças se agrupam e os lados se desmascaram, adversários se posicionam no tabuleiro de uma guerra infinita entre seres eternos, onde não há somente bem ou mal.

Daniel e Cam são dois anjos caídos que se confrontam, juntos com seus aliados (sim, mais personagens são anjos), mas que, por algum motivo, AMBOS, não querem a morte de Luce. O grande problema é que muitos outros querem, outras forças desejam o fim do envolvimento do anjo com a mortal e essa luta pode ser muito mais complexa do que foi apresentada até agora (aqui quero, muito, ver como a autora estrutura essa ideia).

O livro é o 1º de uma série de 4, os próximos explicam o passado dos amantes, a causa dessa guerra angelical e explicará como anjos caídos fazem escolhas. Espero que a autora tenha trabalhado isso muito bem (o 4º ainda será publicado), pois pode ser um mote deveras interessante, ainda mais em uma época onde seres fantásticos ganham cada vez  mais lugar no imaginário popular e anjos são personagens que podem ter capacidades maiores do que mortos vivos (eu ainda sou MEGA fascinado com Vampiros, mas um que brilha e outros que são bonzinhos, me deixam deprimido).

Li Fallen por indicação da minha Pekena Ludmila Pires e o fiz com vontade mesmo, gostei do livro. Ele é gostoso de se ler, ainda mais sendo embalado por uma trilha sonora que o envolva. Fallen tem muito ar de música gótica, diria eu e acredito que os amantes de Evanescence podem gostar muito dele e vice-versa, mas eu acabei lendo ao som de Seether, pois o som que a voz sussurrante do vocalista entoa, ajuda um bocado a entrar no clima enevoado que a história dispõe e, junto, deixei tocar  Agridoce também, pois a caracterização rebelde e solitária que a musicalidade desse projeto da Pitty evidencia, auxilia na disposição entorpecente da protagonista.

Alguns personagens possuem carisma e são interessantes, mesmo que sem tanta profundidade, pois é o 1ª livro ainda, muito há para acontecer e a história de amor não é piegas (algumas são, a de um vampiro fadinha por exemplo). Parece que a autora acertou onde a criadora de Crepúsculo pode ter errado: a protagonista tem razão de ser da forma que é e o par romântico não é um morto vivo que a “engravida”, assim, eu indico.

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Biblioteca Flutuante – Junho/2012

Previsão de nossas leituras para o mês de Junho.

Lucas

– O Negociador – John Grisham

– M ou N? – Agatha Christie

– O número do monstro – Robert Anson

– O Príncipe – Maquiavel

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Paty

– Criança 44 – Tom Rob Smith

Feios – Scott Westerfeld

A farsa – Christopher Reich

– Todo império perecerá – Jean Baptiste Duroselle

A Tormenta das Espadas – George R. R. Martin*

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Ragner

– Tormenta – Lauren Kate

– Os Sete – André Vianco

– O Sétimo – André Vianco

– A Tormenta das Espadas – George R. R. Martin*

* Faremos uma sessão especial para a leitura desse livro. Começaremos a ler o livro juntos e vamos fazer sessões de comentários após cada capítulo. Convidamos vocês a lerem conosco e participarem dos debates sobre a história DURANTE a leitura. =)

Resenha – O homem que queria salvar o mundo

A primeira vez que ouvi falar de Sérgio Vieira de Mello foi no primeiro ano de faculdade. A professora nos passou um breve documentário sobre seu trabalho e sua vida para falar sobre a rotina de uma organização como a ONU. Mas não adiantou…Sérgio Vieira de Mello era a estrela completa e a ONU ficou em plano secundário.

Vieira de Mello era carioca, filho de um diplomata autodidata – em uma época em que o Itamaraty estava mais preocupado com o Brasil como país e menos com o Brasil como interesse de políticos – que entrou para o sistema da ONU ainda muito jovem. Seu pai foi aposentado de maneira compulsória pelo regime militar no Brasil mas não antes de impactar profundamente o filho.

A carreira de Sérgio na ONU foi focada em missões humanitárias e de paz. Samantha Power retrata as etapas da vida de Vieira de Mello de uma maneira completa, entrevistando pessoas cruciais que apresentaram facetas que possivelmente não seriam conhecidas pela maioria. O livro nos traz a sensação de que estamos espiando a vida dele de forma objetiva. Ela tem uma ótima habilidade descritiva e podemos sentir as bombas na Bósnia, ver os refugiados de Camboja e participar dos problemas do Iraque.

Vieira de Mello ficou (mais) conhecido no meio diplomático durante sua missão no Camboja quando foi o único diplomata que conseguiu negociar com o Khmer Rouge. A autora estrevistou outras pessoas da missão que descreveram a maneira como Sérgio abordava esse tipo de negociação delicada. A verdade é que, nesse momento, aprendemos que Vieira de Mello tinha algumas características que talvez não fossem compatíveis com o que imaginamos de um diplomata em missões humanitárias. Ele conseguia se desconectar de sua ideologia para sentar à mesa com rebeldes assassinos e sorrir.

Essa habilidade, no entanto, trouxe benefícios claros à sua carreira. Quando chegou ao Timor Leste, Vieira de Mello se tornou o chefe do governo interino do país – o posto mais alto que um oficial da ONU chegaria no período de transição que o Timor enfrentava. Essa, para mim, é a parte mais interessante do livro. A descrição de como ele e sua equipe se juntaram à população local para desenvolver as instituições básicas do país é detalhada e nos leva em uma viagem a uma parte do mundo com a qual poucos se preocupam ou se importam. É fascinante conhecer o nascimento de um país.

A tensão começa quando entramos na vida pessoal de Vieira de Mello que era mulherengo, pai ausente e nunca escondeu nada disso de ninguém, apresentando namoradas para seus  amigos enquanto sua esposa o esperava em casa, na França com dois flhos pequenos. O interessante é que o livro não se esquiva desses momentos e entrevista pessoas que corroboram essa fama ao invés de tentar exonerá-lo.

Essencialmente, o livro nos diz que “ele é o que ele é” e que nenhum aspecto de sua vida pessoal, anula o que ele deixou como legado profissional. A verdade é que ninguém é apenas uma coisa e definitivamente ninguém é perfeito. Sérgio, simplesmente não tentava ser perfeito.

Lendo o livro eu simplesmente não consigo entender como tantos brasileiros desconhecem Sérgio Vieira de Mello e seu trabalho pelo mundo. Até hoje, ele foi o brasileiro que chegou mais longe dentro do sistema das Nações Unidas e estava cotado para assumir o lugar de Kofi Annan como próximo Secretário Geral. Era estimado pelos corpos diplomáticos de diversos países e um ídolo do Timor Leste.

Sua morte foi trágica e precoce. A descrição do atentado ao Iraque que o matou – junto com outras 22 pessoas – é triste e levanta questões importantes quanto ao nível de segurança da missão e se a ONU sabia realmente o que estava fazendo ali. O livro todo é uma aula de relações internacionais dos direitos humanos e é leitura obrigatória para todos os que querem conhecer grandes brasileiros que não jogam na Seleção Brasileira de Futebol.

Resenha – O Caçador De Pipas

Algumas histórias são tão boas que MERECEM ser associadas à alguns tipos de arte, em casos específicos, as 6ª e 7ª arte. Literatura e Cinema andam juntos diversas vezes, muitas delas de forma agradável, outras nem tanto e existem ainda alguns casos de compatibilidade excelente.

Quando alguns filmes são adaptações de livros, é interessante ler primeiramente o livro, pois, além de costumar a ser melhor, existe aquele momento quando se entra na sala de exibição que você vai imaginando cenas concordando ou não com o que lhe é apresentado. No meu caso, em relação ao Caçador De Pipas, eu fiz o contrário, assisti ao filme antes.

Tinha ouvido algumas reclamações sobre a adaptação e também elogios, me guardei o direito de não me deixar levar…

O filme É muito emocionante, assim como o livro, um acerto excelente. A história está toda ali, MESMO. Eu não mudaria nada no roteiro, só escolheria um ator mais opulento para caracterizar fidedignamente a imagem do Pai, como eu criei em minha cabeça, e vi o ator, que faz o protagonista adulto, com muito pouco carisma, mas não chega a ofender e depois pensei na ideia dele ser muito introspectivo ou parecer fraco, correspondendo muito com algumas ações do passado. No livro é perceptível que Amir, quando criança, é um garoto meio que chateado por não ser o centro das atenções do pai, a mãe morreu no parto e ele se sente um pouco responsável, acreditando que o pai também pense assim. Ele sente inveja de Hassan que recebe um certo afeto do pai e isso também influencia em seu modo de ser. Amir é o filho de família abastada e Hassan é o filho do empregado.

Durante a infância de Amir, o filme expõe mesmo a condição de sentimento abalado e retraído dele, o que está presente no livro. O garoto age algumas vezes, revelando uma certa covardia, enquanto Hassan é exatamente o oposto. Um tem medo de ajudar o amigo em um momento de extrema necessidade, o outro aceita ofensas e tudo o mais pelo “amigo”. Depois de mais um exemplo de covardia e falsidade, Hassan e o pai se mudam, deixam a casa de Baba – pai de Amir. Os tempos em Cabul começam a ficar conturbados, a URSS invade o Afeganistão, instaurando um sistema opressor no povo e até mesmo as famílias ricas começam a sofrer com essa nova realidade.

Pai e filho fogem para os Estados Unidos e lá iniciam uma nova vida, muito diferente da que eles tinham no país natal, mas os dois aprendem a conviver com as dificuldades e o passado de Amir começa a ficar um pouco remoto. Mesmo distante da terra em que nasceram, os dois não deixam sua cultura de lado e convivendo com outras famílias afegãs, o modo de vida afegão continua a prevalecer. Costumes e tradições são extremamente importantes para ambos. A vida segue, Amir se apaixona e se casa, o pai está doente, com câncer e a nova família vive em comunhão. O casal cuida de Baba até esse vir a falecer – essa parte, especialmente no livro, é extremamente emocionante. A doença e todo o sofrimento que é causado é muito bem retratado. A doença parece ser igual para todos, o câncer atropela da mesma forma seja quem for…

Amir e Soraya Taheri, sua esposa, também afegã, vivem como um casal normal, mas não podem ter filhos. Ele é um escritor que vem tendo sucesso. A vida começa a seguir novamente um rumo tranquilo, mas o passado volta para cobrar uma atitude definitiva. Rahim Khan, amigo da família, quando viviam no Afeganistão, telefona e pede ajuda. Hassan teve um filho, e esse precisa urgentemente do auxílio daquele que pode ser o único elo familiar existente. Sohrab, o filho, tem muito mais a ver com a vida de Amir do que se podia imaginar. Esse não pode mais fugir de seu passado e de sua história e o momento para a redenção chega, finalmente.

O Taliban agora é quem comanda Cabul. A capital está desolada e muito foi mudado. Tanto livro, quanto filme apresentam um país devastado e cheio de opressão. Amir chega à cidade e procura por Sohrab. A vida do filho de seu antigo amigo, é extremamente sofrida, oprimida e isso aumenta mais ainda a vontade de Amir de modificar de vez seu destino e afastar para sempre o fantasma destrutivo de seu passado. Alguns horrores voltam a assombra-lo, mas o desejo de ser melhor e de consertar seus erros, são extremamente maiores. Enquanto Amir luta contra aquilo que o perturbava, Sohrab age, como Hassan sempre agiu e os dois fogem, fogem para, juntos, recomeçarem. Recomeçarem uma vida sem medo, sem olhar para trás. Começarem uma história diferente, que possa ser uma história de família, uma família renovada.

O Caçador de Pipas é um livro escrito entre a ficção e a realidade, os personagens podem ser criados, mas a história é sobre famílias reais, pessoas reais. O que acontece ali é sobre fatos de opressão e redenção, sobre como a vida muda e como podemos mudar com ela, sobre como enfrentamos nossos medos e defeitos, sobre como encaramos nosso passado, presente e futuro.

Resenha – Os Vingadores

O que faz de um filme o MELHOR que já se viu? Para mim, alguns pontos cruciais:

  • História/enredo;
  • Cenas muito bem gravadas;
  • Atuações memoráveis;
  • E a VONTADE de se assistir.

Praticamente posso dizer que “Os Vingadores” engloba todos esses requisitos e além disso, o trailer que fazia propaganda do filme, FOI o mais foda que já assisti, até o presente momento. Por pouco NÃO é o melhor filme que conheço. Em minha lista de filmes EXCELENTES, estão: Matrix, Sociedade Dos Poetas Mortos, Efeito Borboleta, Cidades Dos Anjos (tem a música que mais AMO no mundo) entre muitos outros e posso dizer que Os Vingadores está incluído, junto com The Dark Knight e Homem Aranha 2 entre os filmes de heróis que merecem meu TOTAL RESPEITO.

O filme começa exatamente explicando para que foi feito. PODER. O vilão quer PODER, mesmo que tenha que responder à outros seres.

Loki é o vilão que chega para botar pra quebrar e o deus da trapaça gosta de holofotes, quer ser o centro das atenções e não se importa nem um pouco com os “indefesos” humanos, ele acredita e defende que nascemos para sermos governados, que a liberdade é um item que NÃO nos interessa, que nossa condição é mesmo de escravidão. Ele funciona viu. Funciona MUITO bem. Vive uma vida de revolta e inveja do irmão. Arrogante, Megalomaníaco, Louco, Descarado, Mau e tá pouco de lixando para as consequências dos teus atos, ele quer ver é a zorra pegar fogo (e ver a zorra pegar fogo, me lembra o Curinga, mas SÓ nisso).

Os vingadores é um grupo formado por – assim como na contagem do Tony Stark – “…O Semi-Deus, um Supersoldado, uma lenda viva que faz por merecer seu título. Um homem com grandes problemas de controle de raiva, alguns mestres assassinos…” e tem ele também né. o Homem De Ferro. Eles não precisam de um exército, mas como o Banner mesmo disse, eles TAMBÉM não são um time, são uma bomba relógio.

Cada personagem possui uma característica quase que única, o que possibilita e MUITO a necessidade deles no “time”: O Capitão América é o soldado perfeito, disciplinado, heróico, e com uma resignação enorme ao dever; O Thor é a figura da hombridade, com uma bondade enorme no coração e que consegue não ser pedante, bem diferente do meio-irmão; O Homem De Ferro é a imagem da impetuosidade, da inteligência e que conhece MUITO BEM sua importância no meio de tudo aquilo (sim, é o personagem que meio que fez TUDO acontecer, fora das telas e dentro delas); O Bruce Banner/Hulk vive em constante culpa, revolta e consciência de quem é, do que deve e pode fazer. O grupo é formado também pelo Gavião Arqueiro e pela Viúva Negra, dois ultra mega capazes agentes que se mostram MESMO eficientes.

As cenas do filme são fantásticas e é tudo muito grande. O porta-aviões da S.H.I.E.L.D é de agradar bastante os olhos, o “bate antes, pergunta e entende depois” são bem trabalhados (pois como alguém pode entender que heróis, mocinhos, quebram o pau entre si, estando do mesmo lado?), não fica algo sem sentido e isso também repercute pois cada herói ali é inflamado pelo ego (Thor é UM SEMI-DEUS, Homem De Ferro é individualista e…bom… É O CARA, o Capitão América é o soldado PERFEITO e o Hulk, bom, o Hulk é uma besta indomada, pelo menos até precisarem MESMO dele).

O ápice do filme está mesmo nas sequências finais, onde Manhattan está sendo DESTRUÍDA e o pau tá comendo, mas é ai que TODAS as qualidades da equipe com os Maiores Heróis Da Terra sobressaem e cada um honra o outro e sabe o que tem que fazer. É impressionante como o trabalho em conjunto deles funciona bem, MUITO bem. O Capitão comanda, Thor usa de seu poder e desce o sarrafo, Homem de Ferro abusa de tudo que tem e sabe que pode fazer, Gavião e Viúva batem ferozmente e o Hulk… ESMAGA (atropela até mesmo semi-deuses).

Para mim, o filme não deixa nada a desejar e funciona EXCEPCIONALMENTE bem. Para quem é fã de quadrinhos, para quem é nerd e até mesmo para quem começou a gostar desse universo somente agora. Vale MUITO a pena assistir e outra, entre na sala de exibição e deixe se entreter pelo momento de ÁPICE em que os filmes de quadrinhos está passando.

Resenha – Game Change

Game Change – Virada de Jogo (que deveria entrar para a lista de piores traduções de títulos de filmes), conta a história da corrida Presidencial de 2008 nos Estados Unidos. A eleição de Barack Obama foi histórica mas levantou também um lado da política estadunidense que, acredito, políticos clássicos não sintam orgulho.

O filme foi produzido pela HBO que anualmente lança projetos ousados e fora da curva. O roteiro é bom, as atuações são excelentes mas a maquiagem é fenomenal! Julianne Moore está igualzinha a Sarah Palin. (A Sarah real é a da esquerda).

Mas essencialmente, o que vale a pena nesse filme é entender as mudanças na escolha de um Presidente que acometeram os Estados Unidos nos últimos 20 anos. Nas últimas eleições, o papel da mídia mudou. A facilidade de acesso na informação exigiu que os candidatos participassem mais de debates diretos com a população. Barack Obama mandava emails semanais para os que se inscreviam em seu site, pedindo fundos e esclarecendo questões sobre seu futuro governo. Ele foi o candidato 2.0.

Mas não apenas isso, os eleitores mudaram. No país de Hollywood, um candidato não pode ser um tédio. Os debates são grandiosos. As guerras são grandiosas. Os programas de comédia política se divertem – e nos divertem – com comentários maldosos sobre os candidatos. O fator “estrela” se torna essencial. E mais do que isso, se torna o ponto principal.

John McCain – que concorria pelo partido republicano contra Barack Obama – não tinha nenhum tipo de qualidade de estrela. Um ex combatente da Guerra do Vietnã que chegou a ser capturado e torturado, ele falava de maneira incisiva, se preocupava com a imagem do partido, e já era Senador pelo Estado de Arizona (um dos mais conservadores do país) desde 1987. Ele representava o antigo Estados Unidos enquanto Barack Obama representava o novo país. Ou foi isso que as respectivas campanhas gostariam que acreditássemos.

O filme mostra a estratégia desenhada pela equipe de McCain nesse contexto novo e pouco explorado. Game change nos permite uma visão clara e objetiva da transformação de Sarah Palin em uma candidata à Vice Presidência dos EUA através de cenas de bastidores.

Sarah Palin era Governadora do Alaska, havia sido indiciada (e durante a campanha foi condenada) por abuso de poder e não entendia NADA de política externa (e pelas suas recentes entrevistas, ainda entende muito pouco). Ela não conhecia a história da Segunda Guerra Mundial, não sabia dos problemas enfrentados pelo próprio País no Oriente Médio e não conseguia fazer distinção entre a Guerra no Iraque e a Guerra no Afeganistão. Ela acreditava que Saddam Hussein estava por trás dos ataques de 11 de Setembro.

Considerando que McCain já era um idoso (tinha 76 anos em 2008), as chances dela se tornar efetivamente a Presidente do país, eram mais altas do que o normal. A seu favor, Palin tinha o carisma. Ela falava com as donas de casa como igual e a grande parcela da população que também não entendia nada de política externa – impressionante para um país que acha que lidera o mundo – acreditaram que ela os representaria. A maioria das pessoas não sabe a diferença entre as Guerras que os Estados Unidos lutam atualmente. Mas a maioria das pessoas não está concorrendo à vice Presidência do país.

Palin se tornou maior que McCain – um sintoma de que o eleitorado americano está mais dividido do que se imaginava.

Em geral, a corrida presidencial de 2008 foi uma piada. As táticas de ataque da equipe de McCain saem pela culatra e o eleitorado começa a acreditar em coisas como “Obama é muçulmano, Obama não é americano, Obama é a favor de terroristas”. Sarah Palin falou coisas que não se podia provar e que não foram aprovadas pela equipe. Quando McCain tentou corrigir esse erro, já é tarde demais. Até hoje, grande parte da população dos Estados Unidos acredita nessas características de Obama.

O filme nos faz perguntar o que as pessoas procuram em um candidato para liderar seu país. É a qualidade “estrela” ou a aptidão e os conhecimentos necessários para se sentar na mesma mesa que os líderes mundiais?

Lembro até hoje de receber emails durante a campanha das nossas eleições em 2010 dizendo que Dilma não tinha nacionalidade brasileira. “Ela não pode ser eleita porque não é brasileira”, as pessoas mal se deram ao trabalho de pesquisar isso a fundo. A nossa sorte é que o fator “estrela” – que Lula tinha – nem sempre é um fator para se tornar elegível no Brasil. FHC não tinha muito e Dilma tem quase nada.

Para quem gosta desses debates e dos bastidores de cenas políticas, esse filme será interessante. Mais do que isso, ele pode ser um indicativo da corrida presidencial desse ano nos Estados Unidos e dos caminhos que o país está tomando desde a era Bush. Recomendado!

Resenha – As três irmãs

É isso mesmo. Hora do clássico. Aguente, se puder.

Desde que li um livro de contos de Tchekhov, notei a diferença dele para outros autores clássicos russos. Tchekhov escreve de maneira rabuscada mas em um estilo mais simples que facilita a compreensão. (Sim, um autor russo que não é impossível de ler. Eu quase engasguei também).

Em “As três irmãs”, o autor nos apresenta Olga, Maria e Irina que vivem com o irmão Andrei numa região longíqua da Rússia. Elas falam o tempo todo de voltar para Moscou onde elas acham que a vida tem algum propósito já que as três têm nada para fazer o dia todo. “Três Irmãs” é uma peça e toda a história deve ser deduzida dos diálogos entre as personagens. Não há nada que nos dê maiores explicações sobre o passado ou a personalidade de cada uma mas como são apenas quatro atos, é mais simples do que se imagina.

Ato I = se passa no dia do aniversário de Irina, não se sabe de quantos anos. As personagens são extremamente superficiais, reclamam o tempo todo de tédio e os diálogos são desconexos. Cada um está tão envolvido em si mesmo que falam simplesmente o que pensam e não necessariamente o que a conversa pede o que gera situações constrangedoras para os leitores. Andrei – o irmão – sonha em ser professor em uma grande universidade de Moscou e está noivo de uma mocinha que as irmãs não aprovam. Sonhos e tédio resumem o primeiro Ato.

Ato II = alguns anos depois, estamos novamente acompanhando as reclamações diárias das três personagens principais. Agora, Olga e Irina encontraram um trabalho. Você imaginaria que elas não teriam mais motivos para reclamar, certo? Negativo. Elas agora reclamam por terem que trabalhar (o que na verdade me lembra muitas pessoas que conheço). Andrei está casado, com um filho e obeso. Ao invés de ser professor, se tornou secretário do setor Rural. Tédio continua permeando o Ato mas agora, os sonhos estão quase morrendo quando a realidade começa se assentar.

Ato III = não se faz distinção de personalidade entre as irmãs. Apesar de Maria, que ele apelidou de Macha (péssimo!) ser casada, ela está apaixonada por outro e reclama de sua “difícil” situação. Aqui tem alguns pontos mais de comédia…o autor nos apresenta um médico que não lembra de nada sobre medicina e um barão que dorme o tempo todo e só fala de cochilos quando está acordado. Andrei está estragado. Ele sai de casa escondido da mulher, perde dinheiro no jogo (mas o autor nunca comenta que tipo de jogo que é – eu suponho que seja roleta russa) e chegou ao ponto de hipotecar a casa para que a mulher tenha mais dinheiro e também porque está cheio de dívidas. As irmãs a odeiam mais do que antes. Aqui fazemos uma descoberta impressionante: Irina tem apenas 24 anos! Com o tanto que ela reclama, eu imaginava que ela tinha 60.

Ato IV = Irina aceita se casar porque continua sonhando em se mudar para Moscou e agora ela pode ter a chance. Porém, o noivo morre em um duelo com um outro rapaz que está apaixonado por ela mas a quem ela não dá atenção por não ter o status necessário.

Fim.