Resenha – Jogos Vorazes – vol. 2 – Em chamas

[Contém spoilers]

Terminei o primeiro volume da trilogia e, francamente, não sabia o que a autora ia fazer para manter o interesse e a ação do primeiro volume. Katniss e/ou Peeta participariam de uma nova edição de Jogos Vozares? Talvez a irmã dela? Talvez o foco fosse nos dois como mentores de novos tributos e fazendo tudo errado? Enfim…eu não tinha idéia. O que é bom.

O segundo volume da trilogia de Jogos Vorazes, “Em chamas”, traz novas nuances para a história de Katniss e Peeta…MAS também traz um aprofundamento na visão e ódio de Katniss pela Capital. Ao final do primeiro livro, a idéia de se matarem faz com a Capital deixe que Peeta e Katniss sobrevivam àquela edição dos Jogos Vorazes. E isso causa um efeito imediato nos Distritos.

“Em Chamas” começa no 75.o ano desde que a Capital tomou conta de Panem e os Distritos se formaram e o 13.o Distrito (que descobrimos que era focado em energia nuclear) se rebelou e foi destruído. Katniss e Peeta, como vencedores dos últimos Jogos Vorazes, fazem uma turnê pelos Distritos e recebem a atenção do público (a velha política de pão e circo mas sem muito pão).

Questionei se se matar não seria a rebeldia real na resenha do primeiro volume, MAS a Capital não pensou assim. A atitude de Katniss foi vista como uma afronta e forçou a Capital a fazer com que Peeta fosse poupado. Para uma tirania que não se importa com as pessoas, talvez não ter um vencedor da 74.a edição dos Jogos Vorazes fosse melhor do que ter dois vencedores. Faz sentido.

Durante a turnê, percebe-se que algo mudou na atmosfera dos Distritos. As pessoas parecem mais preparadas para questionar a Capital porque Katniss questionou e não morreu. Isso faz dela um alvo direto da raiva do Presidente Snow mas também faz dela um exemplo para a população. E o que a Capital temia, acontece. Levantes começam a occorer em alguns Distritos e as pessoas que continuam morrendo de fome e trabalhando para a Capital começam a questionar suas circunstâncias.

O comentário social e político da autora continua e permeia essa primeira sessão do livro de forma muito mais clara do que no primeiro volume. Mas, claro, a Capital reage. E com toda a força que só Governos podem ter sobre indivíduos.

Há 75 anos, anualmente ocorrem os Jogos Vorazes. Mas a cada 25 anos, a Capital apresenta o “Massacre Quaternário” cujas regras mudam a cada edição e tudo depende do contexto social do momento. Isso quer dizer que os tributos são escolhidos baseados em regras aleatórias para o Massacre.

Este ano, com toda a rebeldia que se apresenta em alguns Distritos e a atmosfera de insatisfação da população, o Massacre pede que os tributos sejam um homem e uma mulher de cada Distrito – como sempre – MAS que sejam escolhidos entre os vencedores dos Jogos Vorazes. Ou seja, Katniss terá que se apresentar novamente à Arena e lutar pela sua vida assassinando os demais participantes. Haymitch é escolhido mas Peeta se oferece para ir em seu lugar. O casal 20 do Distrito 12 retorna à Arena e, dessa vez, é improvável que os dois saiam vivos novamente. Jogada de mestre da Capital. Quase bati palmas em público quando li essa parte.

Os procedimentos são os mesmos e logo menos a 3a edição do Massacre Quaternário começa. Haymitch decide que dessa vez Katniss e Peeta devem fazer alianças se querem durar algum tempo. Todos ali são assassinos profissionais e sabem sobreviver muito bem. Suzanne Collins escapa do risco de escrever o mesmo livro onde o Jogo é uma sequência de mortes, criando uma Arena extremamente criativa e que interage muito bem com os tributos. Então a história tem mais conteúdo durante o Massacre do que o primeiro volume teve durante os Jogos. Isso é compreensível, claro, já que no primeiro volume, a autora estava nos apresentando as personagens e desenvolvendo a história principal.

Katniss decide que já que ela causou a confusão toda com a Capital, que Peeta merece ser o vencedor dessa edição do Massacre. Ela está pronta a se sacrificar para que ele sobreviva. Mas isso é besteira. Ela só fala. Porque Peeta não sabe matar. Ele depende mais dela do que o contrário. Peeta é, em diversos sentidos, um homem fraco. Se isso é ou não uma estratégia para sobreviver, o livro não esclarece. Mas seria inteligente dele se fosse. Ele é um pintor, não um assassino. Katniss está acostumada com armas e chega a pensar que ela talvez inspirasse mais as pessoas se estivesse morta.

Porque todo rebelde sonha em ser um mártir. Provavelmente ela pensa em camisetas com seu rosto e seu tordo. Katniss é chata. E continua sendo uma mulherzinha um tanto quanto irritante.

A verdade é que a história se sustenta na imaginação da autora e da capacidade que ela tem para criar momentos inesperados. O final do livro é ótimo apesar da explicação estranha para os últimos acontecimentos da Arena, o final nos deixa aquele gostinho de quero mais. Os Distritos de rebelaram, a revolução vai acontecer…Katniss foi apenas um peão em algo muito maior do que ela. Pena que ela não enxerga isso e passa mais tempo se lamentando do que aceitando o que ela deveria representar.

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