Resenha – Shibumi

Livro de cabeceira, livro para se levar em uma viagem e livro para nos transportar para um mundo aleatório. Shibumi consegue ser os três tipos e até mais, ele vai além.

Shibumi é uma palavra em japonês que significa: “A essência da beleza – uma espécie rara de perfeição”. Esse é o significado que o autor dispõe na contra-capa do livro e depois de uma ligeira pesquisa, entendo que a palavra tem tudo a ver com a qualidade do que é perfeito. Mas ainda não tenho certeza se é uma palavra inventada pelo autor ou se já era verídica.

Assumo que comprei o livro muito voltado pela contemplação da capa, que acho linda: Um Bonzai e uma katana. Não tinha como não comprar: exposto em uma banca de revista, ao lado daqueles livros femininos, sendo diferente e com um preço extremamente chamativo.

O começo do livro em si não é impactante à maneira de me deixar imóvel, lendo por horas, mas tem alguns aspectos mega interessantes: Uma organização de espionagem é apresentada já no início (me pareceu algo similar a C.I.A.), mas aqui não há bonzinhos, e com o tempo o enredo vai dando as caras, de forma deveras interessante, até chegar no que me levou a gostar MUITO do livro, o protagonista.

Nicholai Hel é um artista, eu não o nomearia como um assassino ou mercenário, como algo frio e calculista. Ele é uma pessoa com um altíssimo senso de dever, honra e atitude e com um elevadíssimo bom gosto. É um gênio, um expert em artes marciais, amante com habilidades sem iguais e detentor do Shibumi. Nascido durante uma guerra e sobrevivente de outra, aprendeu a viver conforme as transformações do mundo a sua volta simplesmente aconteciam ou quando lhe eram impostas (até quando foi preso injustamente, a cadeia não conseguiu sobrepuja-lo, muito pelo contrário). Filho de uma russa e de um alemão, viveu no Japão e foi educado por um general japonês. Hel aprendeu idiomas, dominou algumas artes culturais extraordinárias, e foi consolidando uma percepção de solidão e concentração inigualável. Via corpo e mente como uma coisa só, merecendo respeito sem limites. Enquanto fortalecia uma, contemplava e evoluía o outro.

O livro passeia entre o presente e o passado. Capítulos desfilam entre épocas da história, dedicando alguns momentos especiais na construção do protagonista e evidenciando como as escolhas dele o encaminharam até ser e ter o que é e o que possui, mas apresenta também o lado criminoso da organização e que ela já esteve presente na vida de Nicholai.

Uma oportunidade de reviver os tempos de assassino profissional bate a sua porta, Hel tenta fazer com que essa sombra perversa desapareça, mas depois que um inimigo do passado se mostra presente – personagens responsáveis por um dos momentos mais tenebrosos em sua vida – ele encontra a motivação suficiente para fazer o que ele acredita ser justiça. (típico exemplo de “não mexa com quem está quieto”).

Enquanto o inimigo se mostra importante, cheio de tecnologia, com conhecimentos terroristas e tentáculos pelo mundo, Hel permanece utilizando artifícios rústicos até, que mantem o anonimato suficiente para estar um passo à frente. Mas sua vida pacata e com alguns bons amigos, passa a sofrer represárias e uma ação se torna cada vez mais urgente. O cerco vai se tornando diminuto e perdas acontecem. Nicholai Hel caça seus antagonistas e coloca a prova a afirmação de ser o “Homem mais perigoso do mundo”.

Shibumi é um livro com algumas facetas e várias delas o fez ser um dos meus livros favoritos. Trevanian escreve de forma a criar personagens capazes de te fazer querer participar da trama ou se transformar neles.

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