Resenha – A Terra Pura

Ficção com realidade é algo que me agrada muito e um livro que versa sobre a vida de uma pessoa que existiu, e que não é biografia, pode ser bem interessante. Não sou mega fã de tal estilo literário, mas quando a proposta de um livro é ser um romance sobre uma pessoa verídica e que, além disso, sua história se passa no Japão, ai posso dizer que meu interesse é estrondoso (curto demais quase tudo que vem de lá).

A Terra Pura é sobre a história de Thomas Blake Glover, um jovem escocês, aventureiro, cheio de ideias e ideais, que desconhece o significado da palavra impossível e que se muda para o Japão por causa de uma oportunidade de emprego, transformando o país e se transformando em alguém muito importante na terra do sol nascente.

Glover recebe três conselhos logo após sua chegada “Não cruzar o caminho dos samurais; Não se meter com a política; e observar bem onde “enfia seu brinquedo“. Mas ele vive completamente o contrário disso, vive intensamente todas as possibilidades que lhe aparecem. Ele aprende costumes, honrarias, hábitos e ensina também sobre modernidade para alguns japoneses, samurais em sua maioria, ávidos por aperfeiçoamento e entendimento de um novo mundo. O jovem cresce junto com o país. Participa de tudo que acontece de significativo por lá, seja de forma direta ou indireta e ajuda na transição daquilo que é antigo para o que é novo.

Ele chega ao Japão para trabalhar em uma empresa estrangeira que comercializa chá. Laços de amizades são criados e com o tempo ele decide crescer, expandir seus horizontes e seus relacionamentos vão aumentando também (Glover é muito versátil, comunicativo e corajoso, pelo que pude observar, tendo todas as características que uma pessoa que faz a diferença deve ter). O chá não é o suficiente para ele e então o comércio de outros artigos legais ou alguns ilegais vão ganhando importância, até que o negócio de armas surge e se transforma na transação mais lucrativa. Mas as relações de Glover incomodam algumas pessoas e seu envolvimento com todos passa a ser um empecilho. Depois de uma batalha sangrenta, a qual presencia e culmina na perda de um grande amor, ele decide se posicionar, parar de querer agradar à todos e decide se comprometer com somente alguns, com aqueles que irão mudar de vez o país e acabar com o atraso do Shogunato.

A abertura ao Ocidente parece ser uma obsessão para Tom, como é chamado pelos mais próximos, então suas manobras políticas e sociais se tornam cada vez mais evidentes e o envolvimento com os samurais só aumenta, até com clãs opostos. Mesmo depois de falir, o incansável escocês não se dá por vencido e continua sua batalha por prosperidade e evolução. Mas a vida pessoal de Glover passa por turbilhões também. Ele teve três filhos, de três mulheres diferentes. Sua vida foi envolta por grandes glórias e tragédias inesquecíveis.

“Terra Pura” é um conceito que está presente no Budismo, forma religiosa intensa no Japão e que tem a ver com a jornada de Glover. Jornada essa que o fez ser considerado um personagem de grande influência para a história japonesa.

Ao ler esse livro, eu me vi escrevendo-o. Sério. A escrita, o trato com os personagens, o enredo produzido, me fizeram imaginar que eu poderia tê-lo escrito. Um escritor é capaz de imaginar sua própria evolução ou como ele gostaria que sua escrita fosse seguindo uma estrutura ascendente de melhorias e “A Terra Pura” me parece meu próximo passo.

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