Semana de cinema – Batman

Com a proximidade do próximo e último filme da trilogia que conta a história do Homem Morcego e aproveitando a semana de cinema do Poderoso, me sinto na obrigação de escrever sobre os filmes anteriores.

Begins chegou arrasando e originando uma nova perspectiva sobre filmes com a temática vinda dos quadrinhos. Com uma enredo recheado de situações verossímeis e um herói veementemente humano, Christopher Nolan cria um mundo real para um dos heróis mais consistentes que existe. Batman pode ser extremamente psicológico, cheio de metáforas, de paradoxos em seus vilões e incertezas na crível existência de um homem bilionário que seja capaz de viver uma vida destinada a vigilância e combate ao crime, mas Nolan produz algo que clama por essa possibilidade.

Os dois primeiros filmes do Morcegão (dessa geração) seguem uma cronologia definida e o 3º que está para chegar, finaliza esse mundo idealizado. Os filmes, como o próprio diretor defende, teve um início, um meio e terá um final. Begins nos apresenta as convicções e o treinamento, Dark Knight continua com a evolução e certeza do homem que decide mudar completamente sua vida em prol de uma causa e Dark Knight Rises irá justificar e encerrar tudo isso. Assim acredito.

No 1º, Bruce Wayne assiste a morte dos pais e isso o deixa transtornado. Passa boa parte de sua vida pensando em vingança contra o sujeito que o usurpou a convivência das pessoas que ele mais amava, depois de perceber que isso era extremamente banal e todo o sofrimento ainda continuaria, ele decide mudar. O sentimento de impotência e o desejo de fazer a diferença, mesmo ainda não sabendo como, o faz percorrer o mundo, punindo todo e qualquer criminoso, sem critério algum. Bruce ainda vive de forma conturbada e sem um rumo. Preso e desolado, encontra um cúmplice que, ele acredita, pode o auxiliar a encontrar o caminho destinado à justiça, mas a verdadeira face do “amigo” aparece e é ai que tudo fica claro e o objetivo real de todo seu destino toma uma direção. Ele se posiciona, se aceita e sabe o que precisa fazer. O Batman começa a tomar forma, o treinamento já aconteceu, os motivos já estão suficientemente límpidos, mas o símbolo ainda precisa ser forte o bastante para amedrontar a vilania, para fazer com que a bandidagem saiba que agora existe alguém para confronta-los. E o mais legal no filme, é que o Batman  não é somente alguém de collant que bate nos criminosos (ele usa quase que uma armadura mesmo), ele é alguém capaz de resistir, combater, afrontar, perseguir e deter todo e qualquer tipo de escória em Gothan City.

O filme vai evoluindo assim como o personagem, o caminho do herói não é nada perfeito e é infestado de desafios. Nolan trabalha muito bem isso. Cada momento na vida de Bruce/Batman é pontuado por tragédias e recompensas e novas tragédias. Não há situações de constância. Batman Begins é o começo perfeito para uma trilogia que tinha tudo para apresentar um herói amado por vários fãs de quadrinhos.

No 2º, Bruce Wayne é quase que um coadjuvante e a personalidade do Batman vai prevalecendo. Os perigos vão aumentando, os vilões se tornando cada vez mais confusos e complicados de se enfrentar. Nesse filme surge o maior inimigo dos quadrinhos e o mais psicótico possível. O Curinga é completamente insano e tenta de todas as formas instaurar o caos e anarquizar tudo e a todos. Ele é convicto que acontecimentos traumáticos podem destruir uma pessoa e levar qualquer um à loucura, mas Batman se mostra acima disso, pois seu espírito é alimentado por ideias maiores do que dramas ou descontroles.

Os riscos nesse filme são maiores, toda a destruição causada ultrapassa a normalidade de coisas ruins que acontece em Gothan, mas o vigilante mascarado se mostra mais maduro e pronto para enfrentar seus oponentes. Mesmo quando o Curinga deixa um desastroso rastro bipolar como consequência de seus atos, e aquele que poderia ser o cavaleiro branco da cidade se transforma no Duas Caras, Batman chama a responsabilidade para si e deixa mais do que claro, que o herói é aquele que faz o que ninguém mais conseguiria fazer.

Assisti ao filme como se o dividisse em 3 partes: Quando o Curinga tenta se aproveitar dos criminosos e da população para usa-los contra o Batman; quando ele próprio se usa para chegar ao Morcegão e tenta presenciar como o caos age entre as pessoas; e quando o Duas Caras surge para provar seu ponto sobre acontecimentos traumáticos, mas que também eleva o conceito de heroismo do Homem Morcego e de sua missão de salvar a cidade e os cidadãos.

Nos dois filmes são apresentados alguns dos mais malvados antagonistas do Morcegão dentre toda sua enorme galeria de vilões:

  • Ra’s Al Ghul e Espantanho aparecem em Begins. A forma com que ambos são tratados merece aplausos, mas o espantalho merecia melhor destaque, pois ele é mais complexo e no filme teve destaque secundário, já o Ra’s eu gostei deveras de como foi tratado, ainda mais tendo o Liam Neeson como interprete. Veremos o que mais acontece com ele, já que é imortal e o poço de Lázaros deve aparecer no 3ª filme. Cillian Murphy – que quase foi o escolhido para ser o Batman – apresenta um vilão ciente de sua maldade, não doente, mas perfeitamente conhecedor de como é preverso;
  • Curinga, Duas Caras e novamente o Espantalho estão no Dark Knight. Heath Ledger esteve supremo no papel, deixando claro que Jack Nicholson poderia ter um rival a altura na interpretação do Palhaço do Crime e talvez até supera-lo (como eu acredito que fez). Aaron Eckhart  como Harvey ‘Duas Caras’ Dent mais do que convence, ele deixa claro como na verdade o personagem é perturbado e paradoxal, sofrendo de uma dicotomia pragmática entre o que é certo e o que ele deseja, sem partidarismo, deixando uma moeda decidir o destino de quem quer que seja.
  • Em Rises, Bane é o adversário em questão. Enquanto o Curinga se mostra como a contrapartida do Herói em Dark Knight, Bane deve acabar com o mundo do Morcegão. Ele não irá rivalizar ou ter um embate sobre aquilo que não pode ser parado ou o que não pode ser movido, ele simplesmente irá quebrar/destruir a salvação de Gotham. Bom, isso é algo que iremos descobrir.

Nos quadrinhos, Batman é o vigilante perfeito, durante anos e anos é capaz de tudo e nada o detinha. Muitos vilões tentaram e quase o derrotaram, mas nenhum foi tão longe quanto Bane. Bane o quebrou, não apenas fisicamente, mas principalmente psicologicamente, pois o deixou exausto, fraco, sem vontade de reverter a situação. Batman se entregou no final… Tudo isso está na saga “A Queda Do Morcego”, que poderá ser resenhada algum dia no Domingo De Quadrinhos.

Christian Bale foi o escolhido para viver o protagonista nessa trilogia. Para mim o melhor dentre TODOS os outros 3 que já vestiram a capa. Ele mostra a superficialidade e descontração que Bruce Wayne necessita e consegue deixar o Batman com uma profundidade extremamente coerente. Desde o início, com suas dúvidas e imaturidade como herói, até o final emblemático de Dark Knight, onde a sabedoria e fortaleza já se tornam claras e no desprendimento dos holofotes junto a corajosa decisão de ser o pária que será caçado por ser um vigilante que não responde diretamente à lei e que se responsabiliza em salvar a cidade de qualquer mal que a aflija.