Biblioteca Flutuante – Agosto

Previsão de nossas leituras para o mês de Agosto.

Gabriel

Incal – Jodorowski e Moebius

Marvels – Kurt Busiek e Alex Ross

A Desobediência Civil – Henry Thoreau

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Lucas

– Honoráveis Bandidos – Palmério Dória

– O Caso dos Dez Negrinhos – Agatha Christie

– Os Nazistas e o Ocultismo – Paul Roland

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Paty

Bossypants – Tina Fey

A vingança – Christopher Reich

– Festa no Covil – Juan Pablo Villalobos

– A Lista Negra – Jennifer Brown

– A Tormenta Das Espadas – George R.R. Martin

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Ragner

Alta Tensão – Harlan Coben

– Calvin & Haroldo – Bill Watterson

– Tormenta – Lauren Kate

– Sétimo – André Vianco

– Nietzsche – Oswaldo Giacoia Junior

– A Tormenta Das Espadas – George R.R. Martin

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Terça Dos Quadrinhos – All Star Superman

Uma minissérie diferenciada sobre o Homem de aço. Sem contar histórias de surgimento ou seguir uma batalha sem fim com algum inimigo extraordinariamente forte. Aqui o pretexto é mesmo fundamentado em uma comprovação de uma última tentativa de Lex Luthor para vencer seu arqui-inimigo superior.

Superman salva um cientista em uma missão no SOL, que de cara já descobre que é um plano de Luthor para SOBRECARREGAR o Homem De Aço (sabemos que o sol é quem dá forças para o kryptoniano). Sabendo disso, que seus dias podem estar contados, que possivelmente poderá morre, Superman diz: “Há coisas…que preciso resolver primeiro”.

A minissérie possui 11 partes e em cada uma, somos apresentados à particularidades, costumes, interesses e realizações do protagonista.

  • Super conta a Lois Lane que é Clark Kent, a leva até a Fortaleza da Solidão, passa alguns dias com ela mostrando todos os seus segredos e acaba descobrindo que já é imune a Kryptonita verde;
  • Dá para ela um presente inusitado, uma poção que garante os mesmos poderes dele, por um dia. Encontra com Sansão e Atlas (sim, Sansão com grandes cabelos e super forte e Atlas, aquele que carrega o mundo nos ombros) e ambos o desafiam para ganhar a companhia de Lois. Antes de derrota-los (juntos) em uma queda de braço, Super ainda precisa responder à um enigma da Esfinge;
  • Jimmy Olsen passa por momentos únicos no lugar de cientista que conhecemos no começo da história. Acaba precisando ser salvo pelo Super e esse é afetado por uma Kryptonita preta, que o deixa “fulo” da vida e um pouco mau. Jimmy é quem precisa salva-lo dessa vez se transformando no Apocalipse (única criatura capaz de parar o Homem De Aço) e quando volta ao normal, tudo já está bem;
  • Lex está preso e Clark vai até a prisão para entrevista-lo, conhecer seu lado da história, seu ódio pelo Super, suas motivações e tal quadrinho nos apresenta um homem a frente de seu tempo, gênio, forte, deliberadamente esforçado à destruir não somente o kryptoniano, mas também o ideal que o cerca. Kent entende que seu arqui-inimigo é muito mais centrado e determinado para eliminar de vez o “alienígena” que o impede de dominar o mundo;
  • Estamos em Smallville e conhecemos um pouco mais sobre a cidade natal do Super e seus amigos do passado, somos apresentados à alguns integrantes da “Tropa Superman”, que viaja no tempo e nesse “episódio” em especial presenciamos a morte de Jonathan Kent, junto à Tropa, para que um certo viajante pudesse estar ao lado dele;
  • O planeta Bizarro está na órbita da Terra. Bizarro chega à terra, tentando transformar todos os habitantes em Bizarros. O Super tenta impedir tais transformações e acaba indo parar no planeta visitante, mas não consegue voltar sozinho, sem a ajuda do sol e com tal planeta mudando para outra dimensão, ele precisa de ajuda e eis que surge o Zibarro;
  • De início Zibarro não quer ajudar, pois é o único diferente por lá e a presença do Super lhe parece como uma companhia, mas depois que aparece o Jor-El Bizarro, os 3 constroem uma nave capaz de escapar de “terrível gravidade” e, antes que nosso herói sucumba ao sol vermelho, ele consegue retornar ao nosso mundo;
  • Na volta ele descobre que ficou fora por 2 meses e se depara com dois outros kryptonianos, que não parecem muito interessados em preservar os ensinamentos sobre humanidade e respeito que Clark Kent tanto presa. Mas uma fraqueza, que não mais atormenta o Super, quase mata os dois, ao ponto de aceitarem ajuda e somente um lugar poderá salvá-los: A Zona Fantasma;
  • Aqui o Super começa a escrever seu testamento, pois a morte parece cada vez mais próxima. Suas ações para proteger os habitantes da Terra, em qualquer situação, recebe maior destaque, enquanto o povo de Kandor, a cidade kryptoniana em miniatura discute sobre a vida fora da redoma e como podem salvar o salvador deles;
  • No penúltimo capítulo, Lex consegue fugir da cadeia depois de sobreviver à cadeira-elétrica por beber um soro que lhe dá poderes por 24 horas e vemos o Super lutando contra um pequeno sol vermelho – Solaris. Todos os robôs que trabalham na Fortaleza da Solidão tenta ajudar, mas são, um a um, eliminados e até um devorador de sóis morre, mas solaris é vencido, mas isso acaba tendo um preso;
  • No final o Superman tem que escolher voltar e enfrentar o mal pela última vez, ou permanecer “morto” junto com os seus. A escolha é óbvia e a primeira palavra que ele diz ao abrir os olhos é: “Lois”. Lex está dominando Metrópoles e nosso herói é o único capaz de proteger a cidade. Depois do poder de Luthor findar e o Super começar sua deteriorização, ambos tem a disputa final. Mas essa não é sua última tarefa antes de encontrar a morte derradeira, o sol precisa de sua força. Suas células estão se convertendo em energia pura e ele utilizará a sim mesmo, para consertar nossa estrela.

A história é original e possui contextos bem ímpares (graças a sua originalidade). Os desenhos não são a obra prima que me agrada, mas convence e com o tempo pode ser consumida com certo interesse. O enredo é bem interessante e satisfaz, pois não discute apenas sobre um personagem capaz de TUDO, mas sobre um personagem que está acima ainda desse TUDO, mas que entende, mesmo assim, a ser humano.

Superman é tratado aqui como uma evolução de si mesmo.

Resenha – A culpa é das estrelas

Eu sabia de “A culpa é das estrelas” antes do livro sair. Há algum tempo já acompanho o vlog de John Green e seu irmão Hank – o vlogbrothers. Nesse canal – que existe há 5 anos mais ou menos – os dois falam de tudo que se possa imaginar. Eles têm outros canais no youtube sobre diversos assuntos mas esse é a base. É um canal engraçado que celebra o nerdismo. Não é uma surpresa, portanto, que a linguagem do livro seja informal e o seu público seja formado essencialmente de adolescentes e jovens adultos (no qual eu me enquadro e vou me enquadrar até os 35 anos – mais ou menos).

Green leu os primeiros dois capítulos do livro antes dele sair e mostrou a capa aos seus seguidores antes da impressão oficial. Os nerdfighters (termo que denomina os seguidores dos irmãos Green) acompanham o processo do livro de uma form diferente. Inclusive, o título do livro vem de uma nerdfighter.

Esse é o quarto livro de Green e aborda um assunto delicado: câncer. Mas mais do que isso, o cancêr em jovens que nem completaram 18 anos ainda. Green teve seu primeiro emprego em um hospital para crianças com câncer. Então a pesquisa do livro é impecável. Mas não é isso que mais chama a atenção nesse livro.

A história é narrada por Hazel Grace que tem um câncer terminal na tiróide que já chegou aos pulmões. Hazel é uma jovem engraçada apesar de sua situação. Ela tem uma leveza que talvez só um homem pudesse dar. Digo isso porque as duas últimas heroínas da literatura jovem – Bella e Katniss – são bem chatinhas e ambas foram escritas por mulheres (até Hermione chega a ser chatinha de vez em quando). Hazel não vive da pena de si mesma e se permite pensar no câncer como apenas um problema e não seu único problema. Isso faz toda a diferença.

Hazel frequenta um grupo de apoio e ali conhece Augustus e, claro, eles se apaixonam. Mas não pense que você vai encontrar um triângulo amoroso impossível e insonso. Não, não. Green conduz a história dos dois como se o câncer fosse um companheiro de viagem. Eles têm um amor adolescente como o de qualquer um apesar de terem certos cuidados específicos. E nada disso soa estranho porque se você achar que câncer é um assunto muito sério para misturar com amor adolescente, você está morto por dentro.

Hazel e Augustus dividem uma paixão pelo livro “Uma aflição imperial” de um autor recluso na Holanda. O livro é uma Bíblia para Hazel e ela tem uma insana vontade de saber a continuação da história. Isso faz com que os dois troquem emails com o autor e criem um vínculo ainda maior entre si. Essas são as passagens mais adultas e sérias do livro…Green se utiliza de outro autor para nos dizer tudo o que ele quer mas que a literatura jovem não permite – como citar poemas shakesperianos. Isso faz com que o livro tenha mais conteúdo do que se imagina à primeira vista. É uma excelente idéia para amarrar a história e dizer o que ele quer dizer.

Os personagens são bem desenvolvidos mas nenhum mais do que Hazel. Isso faz com que o livro seja sobre  a história de duas pessoas que querem deixar sua marca no mundo e  fazer o que sonham e não a história do câncer de cada um deles. Elas só têm cancêr mas isso não define muito. Atrapalha algumas atividades, claro, mas não é esse o ponto do livro.

A verdade é que os dois vivem como se cada dia fosse o último porque, para eles, essa é uma realidade à flor da pele. O problema é que isso é verdade para todos , a gente só não tem indícios de como o fim pode ser. Hazel e Augustus têm uma boa idéia do final de cada um. Isso torna a história mais triste mas também mais sincera.

Green foge daqueles clichês de que todos os que estão no fim da vida desenvolvem, repentinamente, uma sabedoria excepcional sobre o mundo e tudo o que dizem são basicamente lições de moral – simplesmente porque ninguém aos 17 anos teria todas as respostas do mundo só por terem câncer. Sabedoria de vida vem com anos vividos e não com doenças terminais. Diferenciar isso é o maior trunfo de Green.

Resenha – O malufismo

Estamos em ano eleitoral e a cidade de São Paulo anda em polvorosa. Uma das notícias que causou a comoção nas redes sociais foi a parceria do PT com Maluf fazendo com que Erundina se retirasse da campanha.

Aqui no blog já falamos sobre a Privataria Tucana (que traz informações e cópias de documentos que atestam o formato da corrupção de Serra e seus cúmplices) e agora vamos falar um pouco sobre o Maluf. Aliás, se quiserem mais algumas informações/opiniões sobre a eleição de SP desse ano, sugiro darem uma passada no blog do nosso companheiro Gabriel que comenta sobre os candidatos e o cenário atual da política paulista.

Sempre me interessei pelos mecanismos de poder – o que são, o que fazem com as pessoas e a forma como corrompem o que parece ser senso comum. Foi pensando nisso que comprei o livreto “O Malufismo” da série Folha Explica, da Folha de São Paulo. Com 73 páginas, o livro não traz uma análise impressionante sobre a política nacional ou paulista. Ele nos dá apenas alguns dados que podem servir para chegar a uma conclusão..ou não. Maluf representa, em São Paulo, um eleitorado ultrapassado mas fiel e eu queria entender o motivo disso já que não conheço nenhum malufista declarado e era muito jovem durante seu último mandato como prefeito.

A definição de populismo abre o livreto já de cara dando o tom do debate. Isso faz sentido porque Maurício Puls (autor) é um sociólogo por formação, ou seja, há uma ênfase no contexto político-social em que Maluf surgiu para entendermos as implicâncias do malufismo.

Fiquei surpresa ao descobrir que Maluf não é o dono original do slogan “rouba mas faz”. Antes dele  Adhemar de Barros, que foi prefeito e governandor de São Paulo, seguia a mesma linha: chegava ao poder e gastava o que podia e o que não podia em construções de avenidas, pontes, viadutos e etc porque “isso o povo pode ver”. Todos os seus mandatos resultaram em dívidas e rombos para a cidade e o Estado. Adhemar dizia que saber fazer dívida era o que definia um bom governo. Isso em 1938.

Nessa época, havia a noção generalizada de que não era possível desenvolver uma cidade sem um pouco de corrupção. Adhemar de Barros foi para São Paulo o que, talvez, Sarney seja para o Maranhão. Dada as respectivas proporções e sem o viés coronelista, os dois se transformaram em quase donos do Estado. Ainda assim, Adhemar estava sujeito aos desafetos políticos e não conseguiu extender seus tentáculos além de São Paulo. Assim como Maluf.

Maluf surgiu na cena política através do apoio aos militares no golpe de 64. Como empresário, acabou sendo eleito para a Associação Comercial de São Paulo onde começou a desenvolver contatos e “amigos”. Em 1969 foi nomeado prefeito da cidade e deu sequência ao estilo de governo “construtor” de Adhemar de Barros. Seu principal projeto foi o elevado Costa e Silva que teve o trajeto modificado para ser concluído ainda em seu mandato.

No ano seguinte, já teve seu primeiro escândalo – Maluf deu 25 Fuscas de presente à seleção brasileira de futebol. Em 74 foi obrigado a devolver o dinheiro mas manteve suas apelações até ser exonerado em 1995. O mais interessante aqui é ver que a Ditadura – que tinha como interesse primordial o Governo – o condenou e exigiu que o dinheiro fosse devolvido, a Democracia – que deveria defender os interesses do povo – não. Saiu da prefeitura e deixou uma dívida de 10% da arrecadação.

Em 1975, Maluf queria ser governador. Alinhado com os militares radicais, ele era contra a extinção do AI 5 “por considerá-lo imprescindível ao combate da corrupção e da subversão.” Por favor, façam uma pausa para uma água aqui. Eu sei que essa foi forte demais.

Maluf se tornou governador e começou a articulação para a criação de um novo partido. Nesse momento, ele já estava se tornando o Maluf que conhecemos hoje. Mudou os óculos para parecer menos aristocrático e começou a discursar de maneira mais calma e com palavras mais simples para que os menos escolarizados pudessem compreendê-lo. De seus eleitores na época, apenas 6% votavam nele pela honestidade. Ou seja, o povo sabia que ele não era o mais limpo dos polítcos.

O livro nos traz dados e informações sobre cada campanha de Maluf a um cargo político até a crise com Pitta que revelou mais uma característica sórdida deste senhor que brandava aos quatro ventos que “Preto também pode ser um grande prefeito”. E quando Pitta se demonstrou péssimo no trabalho e chegou a ser afastado do cargo pela justiça, Maluf retirou seu apoio a ele dizendo que “Pitta tem o biotipo de quem nasceu para cumprir ordens”.

É difícil de acreditar que algo desse tipo tenha sido tolerado um dia. E mais, é difícil de acreditar que ninguém se lembre disso.

Lendo sobre suas campanhas e articulações fracassadas, fica claro que seu sonho sempre foi a Presidência. Tentou algumas vezes mas nunca conseguiu e, acredito, agora já seja tarde demais (para a sorte de todos os brasileiros). Sua reputação está manchada de uma maneira quase irreversível. Ainda assim, o malusfismo existe e persiste na política paulista. A importância de Maluf deixou de ser seu nome e passou a ser seus contatos. Seu partido hoje vive de alianças com partidos maiores, como uma mulher que se vende para quem pagar mais.

Ele se tornou um câncer para São Paulo, algo que nossos antepassados deixaram crescer e continua incomodando as gerações mais novas. Infelizmente, a cura continua sendo o que sempre foi: a educação política. Envolve informação disponível e conhecimento do passado para pararmos de repetí-lo. E isso, claro, não é a prioridade do governo. De nenhum deles. Desde sempre.

O livro não é exatamente uma análise política aprofundada mas claramente tem uma posição e os dados que nos apresenta são importantes para conhecer um pouco mais o eleitorado e a história paulista.

Deixo para o autor explicar porque esse tipo de comportamento é tolerado pelos eleitores e acredito, com muita tristeza, que essa seja uma verdade para todo o Brasil:

“O que leva um eleitor a defender um político que ele classifica como desonesto? O fato de que ele não considera a desonestidade um crime. E não considera a desonestidade um crime porque ele mesmo a pratica, em menor escala, em sua vida privada. Médicos e dentistas que não dão nota fiscal, comerciantes e industriais que sonegam impostos, camelôs e marreteiros que entregam mercadorias quebradas, taxistas que fazem os trajetos mais longos, nenhum deles se diz desonestos: são apenas pessoas que sabem ‘levar vantagem em tudo’.”

Café do Poderoso – A Tormenta de Espadas – Bran/Davos

Mais um Sábado, mais um Café. Hoje falamos sobre os capítulos de Bran (pág.97) e Davos (pág. 105)

Paty

Bran

Confesso que no último livro eu pulei alguns dos capítulos de Bran. Principalmente esse sonhos que ele tinha como lobo. Achei a coisa toda meio chatinha. Mas eu gostei desse novo capítulo e acho muito excelente que ele seja uma criatura. Eu tenho que sempre me beliscar e lembrar que esse é um livro de fantasia onde qualquer coisa pode acontecer. Gostei desse capítulo e vejo que Bran está se transformando no Stark que eu espero que ele seja.

Davos

Adoooro que ele quer matar Melisandre. Não consigo gostar dessa mulher, ela me assusta um pouco com seus poderes estranhos. O final do capítulo foi interessante…não esperava que tudo estivesse TÃO de pernas para o ar assim no HQ do Stannis. E Melisandre claramente está mandando em tudo. =/

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Ragner

Bran

Cada sonho de Bran parece mais realista. Eu ainda não entendi o quanto isso é verdadeiro e o quanto é só imaginação, mas rola de perceber o quanto isso é significativo para sua evolução, sua mudança. A ida para a muralha pode ser definitivo para o que ele deseja e precisa. Não sei como o corvo de 3 olhos ou sua “condição” de lobo afetarão na história, mas já li que sua personagem é uma das favoritas de George, então torcemos para que ele tenha maior relevância para todo o contexto.

Davos

O cavaleiro das cebolas é um cara de quem eu grado. Sua posição contrária a Melisandre, cada vez mais firme, me faz simpatizar mais ainda com ele, pois decidiu qual rumo tomar e acredita veementemente nisso. Sua determinação é tamanha que nem tua própria condição de enfermo é suficiente para impedi-lo. Ele definidamente não possui mais a importância que imaginava ter, pois não passa de um “fantasma”. E esse final de episódio foi mesmo uma surpresa e esclarece muito, o lugar de Melisandre no comando de tudo.

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QUER GANHAR O 4o LIVRO DA SÉRIE?

O Poderoso começa hoje o sorteio do 4o livro da série – Festim dos Corvos. Todos os participantes do Café serão inscritos no sorteio dentro das regras abaixo:

– O participante deve comentar no Café e ler o livro com a gente

– Curtir nossa página no Facebook.

– Cada comentário gera uma inscrição. Quanto mais você comentar, mais chances você tem de ganhar.

– Não há custo algum de envio para o vencedor.

– O sorteio é aberto para todo o Brasil.

– O resultado sairá na metade da leitura de A Tormenta de Espadas no Café – na página 422. Ao final do capítulo sobre o Bran.

PARTICIPE!

Mês do Rock – Análise de Banda: Raimundos

Hoje, temos algo inédito no Poderoso: nossa primeira participação especial!!!

A análise é uma participação especial de Heitor Silveira, uma cara que entende absolutamente sobre tudo que está relacionado ao fascinante mundo do rock. Heitor escreve suas análises críticas sobre bandas e álbuns musicais em seu blog   “Analisando A Música“. Vale a pena dar uma passada por lá depois e  conferir! 🙂

Enfim, chega de tra-lá-lá e vamos ao que interessa!

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Analisando: Raimundos das antigas

Integrantes:

Rodolfo Abrantes (voz e guitarra)
Digão (guitarra e voz)
Canisso (baixo e voz)
Fred Castro (bateria)
Discografia:
1994 – Raimundos
1995 – Lavô Tá Novo
1996 – Cesta Básica
1997 – Lapadas Do Povo
1999 – Só No Forevis
2000 – MTV Ao Vivo
2001 – Éramos 4
A banda se consagrou como uma das maiores no cenário brasileiro de todos os tempos. Contagiou diversas pessoas com sua irreverência, em certos momentos seriedade e sonoridade única.  Após a morte dos integrantes do Mamonas Assassinas em 1995 (sim, o Mamonas apareceu um ano depois), o Raimundos ainda acolheu vários órfãos do finado grupo. Sempre seguindo uma mesma linha, tanto nas composições líricas quanto nos instrumentais, o quarteto com familiares de origem nordestina fez sucesso país afora. Infelizmente, após a saída do vocalista Rodolfo no início de 2001, o conjunto nunca mais foi o mesmo. Na ativa até os dias atuais, a banda comandada agora por Digão não consegue alcançar o patamar atingido anteriormente (tarefa nada fácil, diga-se de passagem). A banda ainda é boa, com músicos de qualidade e trabalhadores. Só que ainda falta aquele algo a mais para impulsioná-los. Mas uma coisa é certa: a formação que iniciou suas atividades oficialmente nos meados dos anos 90 e se desfez no início dos anos 2000 marcou época e deixou um vazio musical em muitas pessoas. Vazio este que talvez só seja preenchido se Rodolfo voltar à banda, algo que muito é improvável. Análise dos cinco primeiros discos de estúdio abaixo.
 
RAIMUNDOS: Início da carreira. O primeiro disco de estúdio do Raimundos já mostrava a essência da banda: peso no instrumental, com fortes influências do hardcore e do hard rock, e letras extremamente escrachadas. Uma particularidade: o grupo fez questão de integrar ao som uma característica singular, que seria o uso de elementos do forró nas faixas. Isso aconteceu porque Rodolfo, principalmente, era fã do músico nordestino forrozeiro Zenílton (que também inspirou várias das composições mais engraçadas). Singles: Puteiro Em João Pessoa, Palhas Do Coqueiro, Nêga Jurema, Bê a Bá, Rapante.
 
LAVÔ TÁ NOVO: Já no segundo álbum, o forró e até mesmo o hardcore são deixados de lado, aparecendo pouco. O hard rock predomina em praticamente todo o CD, fato que foi considerado até como um amadurecimento musical. No quesito letras, nada mudou. A irreverência, as piadas e alfinetadas permanecem do começo ao fim. O hit Eu Quero Ver O Oco é considerado como um dos hinos do rock nacional dos anos 90. Singles: Eu Quero Ver O Oco, Esporrei Na Manivela, I Saw You Saying.
 
CESTA BÁSICA: Aparentemente, um álbum lançado como um “tapa buraco” e também para acalmar e alegrar os fãs e colecionadores. Conta com covers de bandas como Ramones e Clash, além de apresentar versões ao vivo de um dos maiores shows da história da banda: o Hollywood Rock de 1996. Estão presentes no disco apenas três músicas inéditas, sendo que nenhuma delas foi single (Papeau Nuky Doe, A Sua e Infeliz Natal). A peculiaridade foi o lançamento de um VHS com trechos de apresentações e clipes, visto até hoje como uma raridade pelos fãs. Single: Puteiro Em João Pessoa (outra versão).
 
LAPADAS DO POVO: O quarto álbum de estúdio foi gravado nos Estados Unidos e até hoje não se tem certeza do porquê terem saído do Brasil para gravá-lo. O hard rock novamente se faz presente e dessa vez mais pesado do que no álbum Lavô Tá Novo. Em várias faixas, as letras são cantadas em velocidade, dificultando o entendimento. O próprio instrumental muitas vezes impossibilita ouvir com clareza as palavras ditas por Rodolfo, Digão e Canisso. De qualquer forma, o padrão nas composições é mantido e a alegria continua sendo a estampa do grupo. Singles: Andar Na Pedra, Nariz De Doze.
 
SÓ NO FOREVIS: Enfim, o sucesso absoluto. Este disco marca a carreira do conjunto por ter atingido todas as camadas e todos os tipos de público. Além de clipes melhores produzidos, a principal razão do êxito é a influência da música pop, algo que indignou fãs mais radicais do Raimundos. O fato é que os singles tocaram inúmeras vezes nas rádios brasileiras, talvez por conterem menos palavrões e bobagens, mas com a acidez do bom e velho Raimundos. Além dos hits, as outras faixas do CD seguem o mesmo padrão de letras dos outros álbuns, com a diferença de estarem entrelaçadas ao pop. Singles: Mulher De Fases, A Mais Pedida, Pompém, Me Lambe.
Download:

Mês do Rock – Global Metal

Este documentário é direcionado aos fãs de um estilo muito específico do rock: o metal. Pessoalmente um dos meus preferidos, o metal tem uma história interessante e contém subgênereos musicais que são responsáveis por algumas das melhores bandas do mundo. Mas não só isso, há toda uma comunidade de metaleiros pelo mundo que traduz um estilo musical que une pessoas de base completamente diferentes.

O diretor Sam Dunn, antropólogo e metaleiro, decidiu unir suas duas paixões e saiu pelo mundo para conhecer e estudar os efeitos desse estilo musical. Será que todos os fãs de metal são iguais? Será que as bandas adoradas deste lado do Atlântico também são adoradas do lado de lá?

O documentário visita 7 países que não são conhecidos pelo seu amor por metal: Brasil, China, Índia, Japão, Indonésia, Israel e Emirados Árabes.

Entrevistando fãs e bandas locais, Dunn compreendeu que diferentemente de muitos tipos de música, o metal criou uma identidade mundial para pessoas que desejam um som mais pesado, mais sincero e, muitas vezes, mais contoverso.

Esse documentário é uma sequência ao primeiro documentário de Dunn sobre a evolução do rock e todos os seus subgêneros. Ele explica que ao lançar o documentário, começou a receber cartas de gente do mundo inteiro comentando seu amor pelo metal. Isso abriu os olhos do diretor para um grupo de pessoas que ele não sabia que existia.

A primeira parada é nosso querido Brasil.  O vocalista da Dorsal Atlântica – Carlos Lopes – explica que o processo de “metalização” do Brasil começou já no final da ditadura quando se tornou mais fácil o acesso a instrumentos e músicas internacionais. O resumo é que a democracia brasileira veio junto com heavy metal. O primeiro Rock in Rio, em 1985, juntou mais de um milhão de pessoas que nenhum fã de samba sabia que exisita. O evento foi mais do que um algomerado de fãs…foi a liberdade de expressão de uma minoria.

Do Brasil, passamos ao Japão que é a casa de um dos maiores festivais de metal na Ásia. O que é bem absurdo se pensarmos na organização e calma pela qual eles são famosos e organização, calma e mansidão não têm nada de metal. Ainda assim, o Japão supreender pelo seu amor pelo estilo musical pesado.

Próxima parada: Índia. Um país com uma cena de metal incipiente onde bandas encontram dificuldade para tocar em locais públicos. Os indianos vêem no metal o que os brasileiros pareciam sentir no período pós ditadura: não temos que gostar de tudo o que está na tv e fazer tudo o que a sociedade quer que a gente faça.

Na China, que ainda se fecha para muito do que vem do Ocidente, a pergunta é como o metal chegou ali? É muito interessante entender a jornada do metal a uma sociedade tão restrita mas que não conseguiu se manter fechada a ponto de evitar que a música ocidental transpassasse suas fronteiras.

A Indonésia, no entanto, é diferente de tudo o que poderíamos imaginar. A maior população muçulmana do mundo, uma história ditatorial forte e ainda assim, ao contrário da Índia e da China, já recebeu algumas das maiores bandas de metal. O show do Metallica em 1993 foi simbólico. Fãs que tentaram entrar no estádio que já estava lotado apanharam da polícia e decidiram destruir tudo.  Logo depois, todos os shows internacionais de rock foram proibidos mas as bandas – e os fãs – locais de metal persistem.

Em Israel os componentes metaleiros mudam mas não tanto. Os israelenses não lidam tanto com o ódio pelos governantes, mas com o ódio que outros sentem deles e o metal se tornou uma maneira de ensinar a nova geração sobre os horrores do Holocausto incorporando sua própria história controversa no estilo musical.

A parada final é nos Emirados Árabes onde Dunn conhece metaleiros iranianos – o que me impressionou muito. A polícia religiosa iraniana proibe a música, as camisetas de banda, os cabelos compridos e tudo relacionado ao metal porque acreditam ter ligação com satanismo. Nada disso impede os metaleiros, no entanto.

É muito interessante como cada sociedade coloca no metal uma parte de sua história. Na China, por exemplo, o cabelo longo dos metaleiros é associado aos guerreiros. No Japão, as pinturas no rosto – estilo Kiss – os lembram do teatro kabuki. É como se cada cultura traduzisse para si o que espera e quer que o metal signifique. Talvez isso seja algo pertinente a todos os estilos musicais mas é difícil imaginar fãs de Justin Bieber analisando suas músicas a um nível quase insano e interpretando-as de uma maneira mais local.

Obviamente que a lista de entrevistados é impressionante e o suficiente para deliciar qualquer fã de metal em qualquer lugar do mundo. Não apenas isso, mas o documentário nos oferece uma lista de bandas desconhecidas por aqui que são simplesmente fantásticas. Vale muito a pena!

O documentário nos mostra que alguns estilos musicais permanecem intocados por muitos anos. O metal, para nossa sorte, não parece ser um deles.

Você pode conferir o documentário completo e legendado aqui: