Resenha – O Monge Que Vendeu Sua Ferrari

O Oriente, as intenções nada pragmáticas pelas várias opções que é nos concedida, mas que, quando há escolha, a vida tem que ser mesmo mudada e orientações para isso não faltam, cabe a você decidir o que seguir.

Sou um camarada que agrada muito da filosofia budista e de algumas outras filosofias comportamentais.

O Monge que vendeu sua Ferrari envereda exatamente sobre decisões, escolhas e caminhos a seguir. O livro versa sobre uma mudança radical de vida. Quando tudo parece ter findado ou começado a encaminhar para o fundo do poço, sempre existe uma mudança, ou, na verdade, a vida sempre EXIGE uma mudança.

A história é sobre Julian Mantle, um advogado extremamente bem sucedido, ambicioso e que trabalhava muito e o muito aqui é para demonstrar exagero mesmo. Em uma audiência, com o tribunal lotado, ele sofre um ataque cardíaco, resultado de uma vida desregrada, sem limites alimentares, psicológicos ou materiais. A partir desse acontecimento trágico, a fugacidade e fragilidade do que é a vida passa a ter novos significados e se tornar presente em sua vida. Algo dentro de seu ser o questiona sobre o que já fez, o que tem feito e o que gostaria de fazer.

O livro é narrado por John, um pupilo e estimado amigo de Julian. Todo o enredo nos é apresentado por esse outro personagem, que recebe, após 3 anos, a visita daquele que um dia, quase morre na sua frente. O obstinado advogado que teve sua antiga vida repentinamente destruída por excessos, aparece à frente do amigo como uma nova pessoa, completamente diferente e sem vestígios daquele passado desmedido. Um ser humano que aprendeu que não vivia, simplesmente existia.

Julian convida John a escutar uma história diferenciada, uma fábula cheia de conhecimento e experiências de como alguém que já teve tudo, passa a não ter nada e entende que sua vida evoluiu por causa disso. Uma história onde “há males que vem para muito bem”, onde uma pessoa vende tudo que tem – até a Ferrari – e viaja para conhecer uma cultura completamente contrastante com a que conviveu a vida inteira. Uma história de um homem que conheceu o “ser” no lugar do “ter”. Enfim, uma historia de libertação.

A Índia aparece como um país estranho e encantador, o cenário ideal para uma narrativa de crescimento. Julian vaga pelo país em busca de uma comunidade de monges que vivem no alto do Himalaia, mas que não são fáceis de serem encontrados. Uma jornada de autoconhecimento e aperfeiçoamento se inicia, vai desde a procura, passa pelo encontro e evolui com a despedida. Algumas técnicas preferidas no livro são:

  • O Coração da rosa – disciplinando sua mente a ficar atento somente à uma rosa;
  • O pensamento em oposição – substituindo pensamento indesejável por algum edificante;
  • O segredo do lago – visualizar, em um lago tranquilo, a realização de sonhos;
  • Visão clara de um objetivo – tendo uma imagem mental clara do que deseja;
  • Pressão positiva para realização – se comprometendo com o que quer, se mantendo inspirado;
  • Não definir meta sem cronograma – dê prazo para o que deseja;
  • Regra dos 21 dias – para cristalizar um novo comportamento, execute uma atividade por 21 dias seguidos;
  • Paixão – o combustível mais potente para alcançar os sonhos.

Existem mais ao longo do livro e todas parecem muito fáceis de conduzir. Algumas tentei fazer, algumas tive resultado, assumo não ter seguido em frente, mas digo que quero tentar novamente. Contudo, é possível concluir algumas coisas: Tudo na vida acontece por um motivo, tudo que nos rodeia, que nos é apresentado, tem um propósito, cabe a nós entendermos isso e aprendermos a acolher as glórias e derrotas.

Mas tudo isso só faz sentido e pode nos fazer mudar, quando fazemos uma escolha: esvaziamos nossa xícara.

3 comentários em “Resenha – O Monge Que Vendeu Sua Ferrari

  1. “esvaziamos nossa xícara”. Foi tão bom reler essa frase. Já faz algum tempo que li este livro, mas graça a essa resenha pude relembrar algumas coisas.
    Também admiro a filosofia budista. Comecei a praticar alguns desses ensinamentos, mas não leve adiante como deveria. Mas, de alguma forma o livro me fez mudar direta ou indiretamente.

    Apesar de ser um livro de “auto-ajuda”, Sharma descreve a estória de forma interessante, sem aquilo de você deve FAZER isso ou aquilo para ser feliz.

    Resenha muito bem feita. Parabéns!

  2. É um livro interessantíssimo, diga-se de passagem. Vale muito a pena ler! 🙂

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