Mês do rock – Eric Clapton – Autobiografia

Eu gosto de pessoas com uma história de vida impressionante. Esse é meu hobby. Por isso sempre me interessei por biografias.

Me tornei fã de Clapton há algum tempo atrás depois de escutá-lo nas rádios com meu pai. O estilo rock-blues sempre foi algo que me atraiu muito e foi Clapton que iniciou minha apresentação ao Blues em seu álbum em parceria com B.B King.

Me tornei tão fã que encarei o show dele aqui em São Paulo em frio intenso e num assento longe do palco mas que…enfim…já era alguma coisa.

Sua autobiografia começa com as revelações sobre sua árvore genealógica confusa – aqueles que ele acreditava serem seus pais eram, na verdade, seus avós. Sua verdadeira mãe era filha de um casamento anterior de sua avó. Sua mãe se engraçou com um militar americado e quando descobriu que estava grávida, também descobriu que ele era casado e não ia abandonar sua família original. O drama de novela começou logo cedo. Clapton assimilou muito da culpa que a família sentia pela situação “bizarra” e se tornou um jovem introvertido.

Ele passou a infância vivendo através de amigos imaginários e personagens que inventou para si mesmo. A escola não significava muita coisa e a pobreza era constante. Uma de suas brincadeiras preferidas era sentar no ponto de ônibus e esperar um carro esporte passar.

Foi já nesses anos que ele experimentou seu primeiro cigarro. Clapton teria uma jornada longa contra drogas que duraria quase toda sua vida. Acompanhamos seus primeiros passos nesse mundo de vícios até a primeira vez que se apaixonou…por um violão que aprendeu a tocar por conta própria.

O amor pela música está em todo o livro. É difícil encontrar uma página em que Clapton não cite bandas ou musicas que estava ouvindo naquele momento ou que o influenciou naquela hora. Muita gente sabe o que estava fazendo quando determinado momento histórico ocorreu. Clapton sabe que música estava ouvindo.

Mas além de músicas, temos também uma longa lista de pessoas que o menino admirava e que tentava imitar. Os nomes que Clapton cita no livro são adições mais do que necessárias ao playlist dos fãs de boa música. A formação de sua primeira banda “The Yardbirds” foi envolta em sonhos e decepções. A obsessão dos demais membros da banda em seguir os passos dos Beatles destoava do que Clapton sonhava: “…não via como poderíamos fazer um disco daqueles e permanecer onde estávamos. Senti que havíamos nos vendido por completo”.

Ainda assim, ele é o primeiro a admitir que essa fase coincidiu com um momento em que ele estava se levando a sério demais. Que aliás, acredito que todo músico passa no começo da carreira quando parece que vai decolar. O sucesso em seus próprios termos é algo muito raro – e já o era naquela época.

Mas seu destino já estava traçado e depois dos Yardbirds, Clapton participou de bandas veneradas como Cream, fez parcerias impressionantes como com John Mayall e tocou com os Beatles. Nessa época, ele também se aproximou de George Harrison pois eles eram quase vizinhos. Além de testemunhar a criação de Here comes the sun, Clapton se apaixonou pela esposa de Harrison – Pattie – que inspirou a lindíssima canção Layla. “Layla foi a canção-chave, uma tentativa consciente de falar com Pattie sobre o fato de que ela estava resistindo e não viria ficar comigo.”

A essa altura, Clapton também estava viciado em cocaína e heroína e levava as drogas com ele durante as turnês tornando-se um viciado consumado. Ele comenta sobre como a morte de seu amigo Jimi Hendrix o afetou – os dois são conhecidos como Deuses da guitarra e há rumores de que em algum lugar obscuro existe uma gravação dos dois juntos, mas essa gravação nunca foi encontrada, para tristeza dos fãs.

Clapton dedica todo um capítulo ao seu vício a drogas que chama – corretamente – de Anos Perdidos. É um capitulo sincero ao extremo e em momento nenhum ele tenta se mostrar como vítima da droga, pelo contrário. Clapton diz que encarou tantos shows bêbado que esbarrava em vasos no palco.

O mais interessante no livro, para mim, é a sinceridade com que ele critica suas próprias ações. Como se ele conseguisse friamente analisar suas atitudes e assumir quando foi um imbecil completo. Clapton escreve sua autobiografia como muitas de suas músicas, com uma sinceridade que parece estar sempre à flor da pele.

Há também um capítulo todo dedicado ao seu relacionamento com Pattie – quando finalmente ela abandonou Harrison. Se Layla não comprova uma veia romântica de Clapton, ele explica que quando Pattie finalmente concordou em ficar com ele e ele tocou o clássico “Have you ever loved a woman”, as palavras tiveram um significado especial. O relacionamento, óbvio, sofreu um impacto forte por causa do relacionamento prévio com as drogas.

Entre drogas, recaídas, álbuns, turnês e tudo o mais, o capítulo mais tocante do livro é, de longe, o dedicado a seu filho Connor. O menino morreu aos 4 anos ao cair 49 andares do prédio onde morava com a mãe. Enquanto muitos imaginariam que isso iria atirar Clapton novamente no caminho das drogas, ele fez o contrário. Usou a memória do filho para se manter sóbrio. E escreveu umas de suas músicas mais fantástica e triste “Tears in Heaven”.

Para quem gosta de música boa e de histórias fascinantes, eu diria que essa é uma das melhores biografias que já li. Recomendo demais além de recomendar também que pesquisem os nomes de músicos que Clapton cita. Juro que é quase uma enciclopédia dos melhores músicos da galáxia.

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