Mês do Rock – Global Metal

Este documentário é direcionado aos fãs de um estilo muito específico do rock: o metal. Pessoalmente um dos meus preferidos, o metal tem uma história interessante e contém subgênereos musicais que são responsáveis por algumas das melhores bandas do mundo. Mas não só isso, há toda uma comunidade de metaleiros pelo mundo que traduz um estilo musical que une pessoas de base completamente diferentes.

O diretor Sam Dunn, antropólogo e metaleiro, decidiu unir suas duas paixões e saiu pelo mundo para conhecer e estudar os efeitos desse estilo musical. Será que todos os fãs de metal são iguais? Será que as bandas adoradas deste lado do Atlântico também são adoradas do lado de lá?

O documentário visita 7 países que não são conhecidos pelo seu amor por metal: Brasil, China, Índia, Japão, Indonésia, Israel e Emirados Árabes.

Entrevistando fãs e bandas locais, Dunn compreendeu que diferentemente de muitos tipos de música, o metal criou uma identidade mundial para pessoas que desejam um som mais pesado, mais sincero e, muitas vezes, mais contoverso.

Esse documentário é uma sequência ao primeiro documentário de Dunn sobre a evolução do rock e todos os seus subgêneros. Ele explica que ao lançar o documentário, começou a receber cartas de gente do mundo inteiro comentando seu amor pelo metal. Isso abriu os olhos do diretor para um grupo de pessoas que ele não sabia que existia.

A primeira parada é nosso querido Brasil.  O vocalista da Dorsal Atlântica – Carlos Lopes – explica que o processo de “metalização” do Brasil começou já no final da ditadura quando se tornou mais fácil o acesso a instrumentos e músicas internacionais. O resumo é que a democracia brasileira veio junto com heavy metal. O primeiro Rock in Rio, em 1985, juntou mais de um milhão de pessoas que nenhum fã de samba sabia que exisita. O evento foi mais do que um algomerado de fãs…foi a liberdade de expressão de uma minoria.

Do Brasil, passamos ao Japão que é a casa de um dos maiores festivais de metal na Ásia. O que é bem absurdo se pensarmos na organização e calma pela qual eles são famosos e organização, calma e mansidão não têm nada de metal. Ainda assim, o Japão supreender pelo seu amor pelo estilo musical pesado.

Próxima parada: Índia. Um país com uma cena de metal incipiente onde bandas encontram dificuldade para tocar em locais públicos. Os indianos vêem no metal o que os brasileiros pareciam sentir no período pós ditadura: não temos que gostar de tudo o que está na tv e fazer tudo o que a sociedade quer que a gente faça.

Na China, que ainda se fecha para muito do que vem do Ocidente, a pergunta é como o metal chegou ali? É muito interessante entender a jornada do metal a uma sociedade tão restrita mas que não conseguiu se manter fechada a ponto de evitar que a música ocidental transpassasse suas fronteiras.

A Indonésia, no entanto, é diferente de tudo o que poderíamos imaginar. A maior população muçulmana do mundo, uma história ditatorial forte e ainda assim, ao contrário da Índia e da China, já recebeu algumas das maiores bandas de metal. O show do Metallica em 1993 foi simbólico. Fãs que tentaram entrar no estádio que já estava lotado apanharam da polícia e decidiram destruir tudo.  Logo depois, todos os shows internacionais de rock foram proibidos mas as bandas – e os fãs – locais de metal persistem.

Em Israel os componentes metaleiros mudam mas não tanto. Os israelenses não lidam tanto com o ódio pelos governantes, mas com o ódio que outros sentem deles e o metal se tornou uma maneira de ensinar a nova geração sobre os horrores do Holocausto incorporando sua própria história controversa no estilo musical.

A parada final é nos Emirados Árabes onde Dunn conhece metaleiros iranianos – o que me impressionou muito. A polícia religiosa iraniana proibe a música, as camisetas de banda, os cabelos compridos e tudo relacionado ao metal porque acreditam ter ligação com satanismo. Nada disso impede os metaleiros, no entanto.

É muito interessante como cada sociedade coloca no metal uma parte de sua história. Na China, por exemplo, o cabelo longo dos metaleiros é associado aos guerreiros. No Japão, as pinturas no rosto – estilo Kiss – os lembram do teatro kabuki. É como se cada cultura traduzisse para si o que espera e quer que o metal signifique. Talvez isso seja algo pertinente a todos os estilos musicais mas é difícil imaginar fãs de Justin Bieber analisando suas músicas a um nível quase insano e interpretando-as de uma maneira mais local.

Obviamente que a lista de entrevistados é impressionante e o suficiente para deliciar qualquer fã de metal em qualquer lugar do mundo. Não apenas isso, mas o documentário nos oferece uma lista de bandas desconhecidas por aqui que são simplesmente fantásticas. Vale muito a pena!

O documentário nos mostra que alguns estilos musicais permanecem intocados por muitos anos. O metal, para nossa sorte, não parece ser um deles.

Você pode conferir o documentário completo e legendado aqui:

Anúncios

5 comentários em “Mês do Rock – Global Metal

  1. Opa, e ainda por cima com o material completo e legendado. Verei quando chegar em casa com certeza.

    Documentários desse tipo servem pra mostrar que o Metal é muito mais do que um estilo musical, é um estilo de vida. Uma forma de por pra fora tudo aquilo que a sociedade não aceita como normal, ser você mesmo, sem precisar se esconder atrás de uma máscara para ser aceito.

    Não preciso dizer que é o meu estilo favorito (mas que curiosamente não tem a minha banda favorita kkkkk).

  2. Gustavo Almeida disse:

    Se eu não me engano, o primeiro documentário desse cara é muito bom, além da história do metal conta também o anticristianismo noruegueês… Um bando de louco que chegam ao ponto de fogo em igrejas. Muito bom, vou assistir esse segundo.

Participe do debate!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s