Resenha – A culpa é das estrelas

Eu sabia de “A culpa é das estrelas” antes do livro sair. Há algum tempo já acompanho o vlog de John Green e seu irmão Hank – o vlogbrothers. Nesse canal – que existe há 5 anos mais ou menos – os dois falam de tudo que se possa imaginar. Eles têm outros canais no youtube sobre diversos assuntos mas esse é a base. É um canal engraçado que celebra o nerdismo. Não é uma surpresa, portanto, que a linguagem do livro seja informal e o seu público seja formado essencialmente de adolescentes e jovens adultos (no qual eu me enquadro e vou me enquadrar até os 35 anos – mais ou menos).

Green leu os primeiros dois capítulos do livro antes dele sair e mostrou a capa aos seus seguidores antes da impressão oficial. Os nerdfighters (termo que denomina os seguidores dos irmãos Green) acompanham o processo do livro de uma form diferente. Inclusive, o título do livro vem de uma nerdfighter.

Esse é o quarto livro de Green e aborda um assunto delicado: câncer. Mas mais do que isso, o cancêr em jovens que nem completaram 18 anos ainda. Green teve seu primeiro emprego em um hospital para crianças com câncer. Então a pesquisa do livro é impecável. Mas não é isso que mais chama a atenção nesse livro.

A história é narrada por Hazel Grace que tem um câncer terminal na tiróide que já chegou aos pulmões. Hazel é uma jovem engraçada apesar de sua situação. Ela tem uma leveza que talvez só um homem pudesse dar. Digo isso porque as duas últimas heroínas da literatura jovem – Bella e Katniss – são bem chatinhas e ambas foram escritas por mulheres (até Hermione chega a ser chatinha de vez em quando). Hazel não vive da pena de si mesma e se permite pensar no câncer como apenas um problema e não seu único problema. Isso faz toda a diferença.

Hazel frequenta um grupo de apoio e ali conhece Augustus e, claro, eles se apaixonam. Mas não pense que você vai encontrar um triângulo amoroso impossível e insonso. Não, não. Green conduz a história dos dois como se o câncer fosse um companheiro de viagem. Eles têm um amor adolescente como o de qualquer um apesar de terem certos cuidados específicos. E nada disso soa estranho porque se você achar que câncer é um assunto muito sério para misturar com amor adolescente, você está morto por dentro.

Hazel e Augustus dividem uma paixão pelo livro “Uma aflição imperial” de um autor recluso na Holanda. O livro é uma Bíblia para Hazel e ela tem uma insana vontade de saber a continuação da história. Isso faz com que os dois troquem emails com o autor e criem um vínculo ainda maior entre si. Essas são as passagens mais adultas e sérias do livro…Green se utiliza de outro autor para nos dizer tudo o que ele quer mas que a literatura jovem não permite – como citar poemas shakesperianos. Isso faz com que o livro tenha mais conteúdo do que se imagina à primeira vista. É uma excelente idéia para amarrar a história e dizer o que ele quer dizer.

Os personagens são bem desenvolvidos mas nenhum mais do que Hazel. Isso faz com que o livro seja sobre  a história de duas pessoas que querem deixar sua marca no mundo e  fazer o que sonham e não a história do câncer de cada um deles. Elas só têm cancêr mas isso não define muito. Atrapalha algumas atividades, claro, mas não é esse o ponto do livro.

A verdade é que os dois vivem como se cada dia fosse o último porque, para eles, essa é uma realidade à flor da pele. O problema é que isso é verdade para todos , a gente só não tem indícios de como o fim pode ser. Hazel e Augustus têm uma boa idéia do final de cada um. Isso torna a história mais triste mas também mais sincera.

Green foge daqueles clichês de que todos os que estão no fim da vida desenvolvem, repentinamente, uma sabedoria excepcional sobre o mundo e tudo o que dizem são basicamente lições de moral – simplesmente porque ninguém aos 17 anos teria todas as respostas do mundo só por terem câncer. Sabedoria de vida vem com anos vividos e não com doenças terminais. Diferenciar isso é o maior trunfo de Green.

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