Resenha – O Anticristo

“A Maldição Ao Crisianismo”, eis o subtítulo do livro e é exatamente sobre o que ele trata. Nietzsche não cria um conceito contrário à Jesus Cristo, como muitos acreditam, mas exibe uma declaração, conforme suas convicções, que expõem deturpações contrárias ao que o “Crucificado” pregava.

O livro serviu como de base de trabalho para minha monografia na Graduação e foquei principalmente na apresentação de um conceito que distanciasse a visão de anticristão do filósofo  alemão.

Nietzsche já começa atacando o cristianismo, explicando que tal religião possui um efeito depreciativo no homem, conduzindo-o à uma vida de fraquezas, cheia de deteriorações, negando o que há de melhor na humanidade, contrariando os instintos de conservação de uma vida que deveria ser focada em uma vontade de poder. Com o cristianismo há um declínio e a compaixão, que seria um dos motivos a priori do cristão, nega a vida, não a valoriza.

Durante seu discurso, Nietzsche também conceitua que outras religiões apresentam particularidades melhores do que o Cristianismo. Aqui somos apresentados à visão dele sobre o Budismo, Islamismo e Judaismo, onde ele trabalha o que ele identifica como bom e mal dentro de cada uma.

Para Nietzsche “o cristão é o ódio ao espírito, ao orgulho, coragem, liberdade, libertinage do espírito; cristão é o ódio aos sentidos, às alegrias dos sentidos, à alegria mesma…”, mas por culpa de Paulo, não de Cristo. O que veio após o crucificado é indecente, pois o ÚNICO cristão morreu na cruz, junto ao seu evangelho, e Nietzsche explica aqui que os discípulos no Nazareno deturparam sua doutrina, principalmente Paulo, que iniciou um cristianismo contrário ao da boa nova. “O que Paulo conduziu ao fim, com o cinismo lógico de um rabino, foi, apesar de tudo, apenas o processo de declínio que teve início com a morte do Redentor” e isso ele também defende ao esclarecer que os cristãos pensam em uma recompensa pelas ações boas e que aceitam o castigo quando imaginam que estão no caminho do mau.

A sabedoria do mundo encontra no cristianismo sua ruína, seu inimigo mortal . A ciência é visualizada como pecado, pois vislumbra algo que não é Deus diretamente. A ciência explica o mundo de forma diferente e aqui é instaurada uma sensação de culpa, pois discutir Deus e os dogmas da religião, posiciona o homem como um ser que contraria seu criador, e isso o enfraquece mais e mais, castigando-o por querer entender o mundo que o cerca e demais dúvidas que o atormenta.

O cristianismo é entendido, por Nietzsche, como uma doença, um vício, uma dependência, uma mentira. “Eu declaro o cristianismo a grande maldição, o grande corrompimento interior, o grande instinto de vingança…eu o declaro a perene mácula da humanidade”. Mas ele considera Jesus Cristo como um espírito livre, um ser que poderia alcançar o Übermensch o “Além-do-homem” e isso não pode ser interpretado equivocadamente.

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2 comentários em “Resenha – O Anticristo

  1. Gustavo Almeida disse:

    Tenso… deve ser bom.

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