Resenha – Bossypants

Tina Fey é uma comediante norte americana muito celebrada. Seu estilo de humor sarcástico, seco e direto chamou a atenção em Saturday Night Live e logo tomou conta do primetime da televisão com a série 30 rock. Que, pessoalmente, eu vejo mais pelo Alec Baldwin. Mas não vamos entrar em detalhes.

O livro é uma autobiografia generosa no sentido de que ela compartilha conosco coisas que nem mesmo queremos saber como..não sei…sua primeira mestruação ou como ela não conseguiu amamentar sua filha. Mas isso é porque até mesmo o que parece estranho se torna muito engraçado na mão de Tina Fey. Desde a introdução ela deixa claro que essa não é uma autobiografia séria apesar de ser sua vida. São histórias de situações inusitadas que a transformaram em quem ela é hoje. Claro que, com certo tom dramático, o livro poderia sim ser uma autobiografia cheia de situações difíceis de alguém que veio de uma família de classe média e cresceu com um pai severo. Mas esse não é o estilo de Tina Fey.

Tina (porque agora somos amigas de infância), é formada em drama  começou sua carreira no show business trabalhando em uma companhia especializada em improviso. É como um stand up onde todas as cenas são montadas na hora. Foi esse caminho que a colocou na linha de frente para trabalhar em um dos maiores programas de comédia dos Estados Unidos: o Saturday Night Live.

O livro é difícil de largar. Eu lia em todos os momentos que eu tinha livre. Confesso que algumas vezes tive que me segurar para não rir alto em público….mas nem sempre tive sucesso o que resultou em alguma cenas estranhas em restaurantes lotados.

A melhor característica do livro é justamente a leveza com que Tina conta as história alternando entre sério e engraçado mas nunca chegando ao ponto de ser sério demais. Durante a leitura ela cria listas bizarras de como criar um show de sucesso ou como ser uma mulher bonita após certa idade.  Aprendemos como ela lida com crítica e o famoso comentário de que mulheres não são tão engraçadas quanto homens adicionando comentários sarcásticos de como as mulheres devem lidar com sexismo ou qualquer outro tipo de preconceito no ambiente de trabalho. E eu vou colocar mais isso como aperitivo porque a lógica dela é inquestionável (tradução livre):

“Meu conselho não solicitado para as mulheres é: quando você se deparar com sexismo ou preconceitos com sua idade ou sua aparência ou até mesmo um budismo agressivo, pergunte a você mesma: ‘essa pessoa está atrapalhando meu caminho para chegar onde eu quero?’ Se a resposta for não, ignore-os e siga com sua vida. A sua energia será melhor usada fazendo seu trabalho e derrubando pessoas pelo caminho. Daí, quando você estiver no comando, não contrate as pessoas que foram babacas com você.”

Apesar de seu show, 30 rock, ser um dos mais premiados da televisão norte-america, o momento de ouro de Tina Fey, acredito eu, foi nas eleições de 2008 quando ela interpretou Sarah Palin – a vice de McCain pelo partido republicano – durante as eleições para a Presidência. Para quem acompanhou as eleições e as gafes de Palin, os quadros de Tina Fey no SNL foram mais do que excelentes.

O livro é, também, um guia para quem se interessa pelo mundo da comédia e os bastidores de um programa de sucesso. Ela coloca partes de roteiros com as melhores piadas e explica como montar uma equipe de roteiristas que dá certo, como definir o tipo de câmera que será usado, como lidar com a pressão do canal e partes interessadas na audiência e etc. Além disso, o livro agrada por ser leve e fácil tornando a leitura bem rápida. É quase como limpar o paladar entre histórias pesadas.

Comprei o livro em inglês e não sei quando ou se vai ser lançado em português. Para quem tem interesse, o nível de inglês é de intermediário para alto com muitas gírias. Pessoalmente eu gosto desse estilo porque me ajuda na conversa do dia a dia. Mas se você ainda está estudando, talvez não seja uma boa idéia.