Terça dos Quadrinhos – 300 De Esparta

Frank Miller possui um estilo grandioso para suas ilustrações, essa é uma certeza que eu tenho. Nada dele é minimalista ou contido, pelo contrário, é impactante e muito bem evidente. Eu tenho alguns desenhistas como ídolos. Tipos como Marc Silvestre, Jim Lee, Todd McFarlane, Neal Adams entre outros, conduziram minha infância e juventude pelo mundo dos quadrinhos e posso incluir Frank Miller também. E nessa história, Miller, além de desenhar, cria todo o argumento. O que ajuda a caracteriza-lo como um artista fundamental para a história dos quadrinhos. Aquele que escreve é aquele que desenha também.

O enredo transita por personagens verossímeis e por argumentações reais, pois a história aconteceu verdadeiramente. A Batalha das Termópilas é um fato histórico que impressiona pela coragem, honra, companheirismo, lealdade e bravura. Os 5 capítulos dessa mini saga também indicam bem o significado da batalha: Honra; Dever; Glória; Combate e Vitória (mesmo que os Espartanos tenham perdido).

Somos enviados para o ano de 480 A.C. e apresentados à espartanos destemidos, que marcham para enfrentar uma guerra que poderia ser considerada perdida desde o começo, mas os 300 componentes se mostram mais preparados do que qualquer outro exército e, mesmo em número infinitamente menor, assustam a crescente persa. A HQ narra que o rei de Esparta, Lêonidas, recebe um mensageiro que trás notícias que obrigaria seu povo à prestar submissão ao “deus-rei” Xerxes, mas, com orgulho e resolução, o que ocorre é o lançamento de persas, horrorizados, a um poço profundo.

Com tal feito, o mundo grego vai à guerra, mas o espartano é diferenciado, tal povo é destinado à esse devaneio. O espartano respira batalhas, sonha com contendas e é forjados desde sempre para a luta. Leônidas recebe o recado de um Oráculo para não se confrontar contra Xerxes, mas esse já tem sua decisão tomada e nem discute, comunica, apenas, que dará um passeio, um passeio descompromissado com sua guarda de 300 homens, mas todos já entenderam seu desejo e sua rainha lhe ordena que volte “…com seu escudo…ou sobre ele.” Antes de partir, uma última reflexão ganha destaque: “Não há lugar para ternura. Não em Esparta. Não há lugar para fraqueza. Apenas os fortes e ásperos podem se chamar espartanos. Apenas os fortes. Apenas os ásperos.”

Leônidas era um perfeito estrategista, levou seu pequeno exército até um ponto que bloqueava a passagem de quem quer que fosse. As Termópilas eram um estreito, entre um desfiladeiro que caia no mar de um lado e uma muralha rochosa do outro. Os 300 se posicionaram em tal local até a chegada do gigantesco exército inimigo, que, aos poucos, eram eliminados. Cavalaria não passava por ali, o próprio Xerxes foi ter uma audiência com Leônidas, mas esse se garantiu inflexível e impossibilitado de ajoelhar perante ao “deus-rei”. A guarda pessoal de Xerxes, denominada Os Imortais, sangrou na 1ª noite. No 2º dia, mais homens, que tiveram a massa militar engrossada com “monstros”, foram exterminados pela astúcia espartana. O estreito ia se afunilando cada vez mais, com mais corpos e com mais raiva. Mas então o impensável acontece, uma traição inicia a derrota que já era dita como certa, mas que estava sendo adiada com verdadeira paixão pela glória da batalha.

Leônidas e seus 300 foram encurralados e mesmo assim não se renderam. Continuaram em formação até a última flecha caída. Em seu último pensamento, o rei assume: “…elmo é sufocante. O escudo pesado.“, mas o que parecia uma rendição, foi uma última investida para atingir Xerxes. “O elmo era sufocante. Limitava sua visão. E ele tem que ver longe. O escudo era pesado. Tirava o seu equilíbrio. E seu alvo está muito distante.“. Antes de ter o corpo cravado por flechas, Leônidas ainda conseguiu empunhar sua lança e mirar em Xerxes, que teve sua fase atingida, mas não foi o bastante para mata-lo.

Os 300 foram massacrados então, mas o exemplo deles ecoaram pela história e povos em guerra, povos que estudam estratégica ou conduta em batalha, acabam tirando um pouco de lição da bravura de tão poucos contra vários.

Essa é uma HQ, em 5 partes, que virou filme, onde o tal é uma copia PERFEITA. Tanto em imagem e fotografia quando em enredo. Vale muito a pena ler e assistir.