Resenha – O Retrato de Dorian Gray

Image

O Retrato de Dorian Gray é um clássico, uma obra-prima de Oscar Wilde. Em uma história passada no tempo do romantismo e do final dos anos 1800, somos apresentados a personagens humanos, com mais defeitos do que qualidades, todos nascidos em berços banhados a muito ouro.

Dorian, o personagem que dá título à obra, é um playboy (trazendo seu posto a uma nomenclatura mais contemporânea, digamos assim). Sua vida é basicamente dedicada a servir de modelo para artistas plásticos e comparecer a eventos da alta sociedade (os quais, quase sempre, dão a impressão de ser extremamente entediantes, ainda que rodeados de glamour e estórias mal contadas).

Basílio Hallward e Henry Wotton são outros dois personagens importantes do livro. O primeiro é um artista plástico, o segundo um homem de posses dedicado ao hedonismo (simplificando o conceito, uma vida dedicada ao prazer inconsequente). Henry se presta ao importante papel de moldar o caráter de Dorian, que surge pela primeira vez na estória com meros 18 anos; Basílio é o responsável por pintar o famoso retrato que dá o tom da obra.

O Retrato de Dorian Gray fala sobre a vida de Dorian e as consequências terríveis que se acometem sobre ele após a confecção de um quadro que lhe dá características “especiais”. Apoiado pela total falta de consequências e pela orientação hedonista de Lorde Henry, Dorian é guiado por um caminho muitas vezes triste e obscuro, por vezes conferindo ao livro um tom sombrio.

Uma obra prima é sempre uma obra prima. Particularmente, acho que alguns trechos foram preenchidos por extensas descrições de temas culturais não relacionados ao fio da obra. Mas isso não tira o brilho do livro, que é biblioteca básica de quem se interessa pelas sutilezas do ser humano e, especificamente, pelas consequências da total ausência de amarras.