Semana De Cinema – Carros 1 & 2

Animações, estilo que tem trazido gratas surpresas para o cinema e tem construído, em mim, um apreciador absurdamente interessado. Gostei muito de Procurando Nemo, Os Incríveis e logo em seguida fui apresentado à animação que mexe comigo TODAS as vezes que assisto: CARROS.

Carros não tem uma história fabulosamente diferenciada, com motivos e argumentos fantasticamente merecedores de um Oscar, mas a fórmula utilizada, que trabalha uma condição de “moral de história”, mesmo que já trabalhada diversas vezes, funciona de forma primorosa nesse conto onde automóveis encenam condições de natureza humana.

A animação conta a história de Relâmpago McQueen, um carro esportivo estreante, cheio de marra e que é a sensação do momento na maior competição de corrida do país, uma corrida no estilo das “500 Milhas de Indianápolis”, mas sem os carros de fórmula Indy. McQueen disputa, diretamente, o campeonato com dois outros carros: Rei e Chick, o eterno vencedor e o eterno 2º lugar. Durante o que deveria ser a última disputa pelo título da Taça Pistão, os três chegam juntos no final. Mais por arrogância do novato do que pela corrida favorita dos outros dois. Uma outra corrida é marcada, só entre os três, uma semana depois e do outro lado do país. McQueen decide rumar rápido para a California, com a intenção de chegar antes dos outros competidores e começar a “flertar” com a equipe mais valorosa e conhecida do meio automobilístico, mas se perde pelo caminho, acaba acompanhando o velho caminho da Rota 66 e chega em Radiator Springs, uma pequenina e pacata cidade, com humildes e carismáticos moradores. Dentre eles, tipos peculiares que valorizam certos costumes e pontuam características evidentes que ajudam nosso protagonista a mudar seu gênio irresponsável e orgulhoso.

Um dos personagens mais emblemáticos que assistimos aqui é o Mate, um velho guincho que se torna o melhor amigo do Relâmpago e que é um dos maiores responsáveis por sua mudança de personalidade. Temos Sally e Doc Hudson, que diretamente influenciam também, pois Sally se torna o interesse romântico e o mostra mais sobre a vida do que o glamour das vitórias e celebridades e Doc ensina que vencer tem um preço, que um dia você não estará no auge e que teu valor poder ser completamente perdido. Os outros personagens demonstram que amizade, companheirismo, caráter, humildade e respeito não dependem ou são influenciados por diferença, mas tudo isso importa quando se quer ser uma pessoa vencedora e melhor.

Carros termina de forma óbvia sim, mas de uma forma muito agradável e gostosa de se assistir (já assisti ao filme mais de 10 vezes)e a moral da história funciona de forma primorosa, pelo menos para mim.

O 2º filme já acontece mais para ir na esteira do sucesso do 1º do que para ensinar algo. Apesar de focar nos ideais de amizade e confiança, o filme funciona mais como um entretenimento para se passar um tempo com ‘animação’ e mostrar como a evolução de ‘animações’ fica evidente a cada criação a Pixar.

Nessa continuação, Mate se torna o protagonista e mostra, de todas as maneiras, como ele é leal aos seus amigos, de uma forma ingênua e até boba as vezes, mas esse é o Mate, que desconhece as consequências dos teus atos as vezes, mas que nunca faz algo sem tentar fazer o bem.

Animações parecem ser destinadas ao público infantil, por serem desenhos, mas eu caracterizo todo esse universo mais como uma pedida de desenhos para adultos, pois não tem um traço especificamente infantil, mas sim todo um trabalho capaz de fazer adultos suspirarem, refletirem e emocionarem. Animações assim fazem adultos resgatarem muito do que se perde com os anos.