Resenha – A lista negra

Valerie é uma jovem estudante que enfrenta alguns problemas na escola e em casa. Seus pais brigam o tempo todo e na escola ela sofre com apelidos e tudo aquilo que consiste em bullying.

A história já começa com a notícia que saiu no jornal sobre o terrível tiroteio que ocorreu na escola em Garvin – pequena cidade com mansões e pessoas ricas. Nick Levin entrou na escola, escolheu seus alvos e saiu atirando. Alguns capítulos começam todos com partes da mesma notícia em que conhecemos novas vítimas. Além disso, os capítulos vão se alternando entre a o dia do tiroteio e a vida de Valerie depois. O que tira um pouco das surpresas que o livro poderia ter.

Valerie foi baleada na perna e enfrenta sua consciência por dois motivos lamentáveis: 1 – Nick era seu namorado e 2 – juntos, eles criaram uma lista de pessoas e coisas que odiavam. Aparentemente, era essa lista que Nick seguiu para escolher as vítimas. A polícia já havia descoberto o caderno e agora Valerie enfrentava a suspeita de que talvez, ela tenha sido cúmplice no tiroteio.

Ela é a típica adolescente apaixonada. Ela não acredita que Nick é uma pessoa má ainda que quase tudo aponte para isso, ela usa como email o nome dele e o dela, ela choraminga para ele sempre que alguém é mal com ela…enfim, a adolescente chatinha e dependente. Mas isso muda à medida que ela começa a entender o que Nick fez e como ela está implicada na situação. A verdade é que as coisas mudam mas não muito depois do tiroteio. Os amigos de Valerie a evitam, algumas pessoas que não gostavam dela, agora gostam menos ainda e seus pais ainda não conseguem se entender mas também se recusam a encarar um divórcio – e dá-le terapia.

Algumas passagens do livro são realmente tristes e pesadas e como o livro é narrado em primeira pessoa, temos uma visão completa de tudo o que Valeria tem que passar para superar não apenas a tragédia mas seus próprios sentimentos de culpa. Nesse meio tempo, ela também precisa lidar com as mudanças na vida daqueles ao seu redor.

O livro é bem escrito e tem conteúdo para suas páginas. O desenvolvimento da história é bom e Valerie é uma personagem que consegue transmitir todas as sensações necessárias nos momentos certos, elevandos passagens que poderiam ser simples parágrafos a momentos emocionantes. É basicamente a história do amadurecimento de Valerie depois que algo muito ruim acontece. Ela aprende a olhar as pessoas como elas realmente são e finalmente começa a entender que ninguém uma coisa só. Do mesmo jeito que ela é vítima e heroína, as pessoas que a “maltratavam” são filhas, amigas, boas alunas e etc. É um belo avanço.

Hey, eu conheço gente aos 30 que ainda não consegue pensar assim.

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