Terça De Quadrinhos – Coringa

Uma Graphic Novel que NÃO pode faltar na biblioteca (gibiteca) de quem curte mesmo quadrinhos mais adultos e que, principalmente, gostem muito do Coringa. O Morcegão é um personagem coadjuvante e só aparece no final, mas, mesmo assim, FUNDAMENTAL. A HQ é dedicada exclusivamente ao Palhaço do Crime e vemos aqui uma versão específica e sem precedentes nos quadrinhos. Os que gostam do Batman (por modinha), influenciados, SOMENTE, pelos filmes novos, eu faço o seguinte parecer: Joker é influenciado pelo Coringa de Heath Ledger, tanto na caracterização física quanto na psicopatia. Aqui ele é um perfeito Sociopata e sua identificação como um “Palhaço” se faz SOMENTE pela maquiagem e pelas surtadas maquiavélicas de humor doentio (o que é MARAVILHOSO para um personagem assim).

Brian Azzarello não conta uma origem ou apresenta um novo contexto para o inimigo nª 1 do Batman, ele já começa a história com o Coringa sendo libertado do Askham, como se estivesse “curado”, mas uma nova Gotham, com novos chefões, perturbam mais ainda sua mente já irremediavelmente insana.

Somos conduzidos, durante toda a narrativa, pelo olhar de Jonny Frost. Um bandido, sem expressão entre a criminalidade, que está em um bar discutindo com outros, quem será o responsável por buscar a “…doença que infectava Gotham City”. Como ninguém mais tem coragem para tal empreitada, ele se candidata e além de buscar o Coringa, ele também passa a ser seu motorista, levando-o aonde era pedido, tentando entender as motivações e intenções do maluco máximo de Gotham, sentindo inveja do “monstro” respeitado ou TEMIDO que o Palhaço é, e, durante sua primeira “festa” com o bando reunido (pelo menos o que sobrou), presencia toda a loucura desmedida e descontrolada do Chefão, que retira a pele do responsável por tomar conta dos “negócios”, enquanto estava encarcerado. Somente o rosto foi mantido intacto (quer 1ª impressão mais chocante do que essa?). A cena é presenciada durante um mini-show, onde a Arlequina ia se vestindo…

O retorno ao submundo não parece ser problema, com o Crocodilo (aqui um sujeito gigantescamente forte e assustador) como capanga de linha de frente, Coringa vai amedrontando todos os que se julgavam detentores de regiões marginais da cidade, tentando recuperar o controle das zonas de crime de Gotham. Um a um, Pinguim, homens da máfia, Charada, Duas Caras vão percebendo que o Palhaço voltou pior do que antes, quando tinha sido preso, e a intenção de controle foi se perdendo, Gotham foi se transformando em um campo de batalha que foi servindo como esgoto para escoar a criminalidade e expor o lado mais psicótico do Coringa. E foi, como uma última esperança para sobreviver, que Harvey Duas Caras Dent, pede ajuda ao Batman, pois o único capaz de fazer frente ao Palhaço, o único capaz de confronta-lo, era o Morcego.

Essa HQ deixa um gosto no ar de que poderia ter algo antes e com certeza algo depois, mas, por si só, já vale MUITO A PENA. O argumento é muito bem trabalhado, Jonny Frost é um personagem que aparece como um olhar diferenciado sobre tudo que acontece de mais podre em Gotham City, mas não fica somente nisso, Azzarello ainda conta um pouco sobre sua história, para situar sobre a origem de nosso locutor, o que é muito legal, pois dá crédito à tal ótica.

Coringa e Batman são reverenciados como paradoxos complementares e basilares do que a cidade tem se transformado. Todo o resto é entendido como responsabilidades dessas duas partes. A cidade, com seus vícios, pecados e redenção, são frutos de uma dicotomia extremamente funcional. O Palhaço e o Morcego existem pois UM é a CURA para o outro e ainda assim, suas próprias maldições.

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