Domingo dos Quadrinhos – Hellblazer

Hellblazer

 

Você deve ter assistido (ou pelo menos ouvido falar de) um filme chamado Constantine. Não? Pois então, além de perder minutos de um filme interessante, você também perdeu a chance de conhecer John Constantine, a estrela da série Hellblazer. O personagem visto nas telas do cinema, representado por Keanu Reeves, deixou de fora os traços marcantes do personagem dos quadrinhos, mas ainda assim foi bem representado: o Constantine original é inspirado no cantor Sting, e por isso tem os cabelos loiros. O cabelo e o seu sobretudo marrom são a marca registrada deste personagem memorável.

Um clássico da linha de quadrinhos adultos da DC Comics (a editora de Batman e Superman), Hellblazer é uma publicação que conta a história de John Constantine, um mago um tanto quanto diferente dos que conhecemos. As histórias se passam nos tempos atuais, na Londres de hoje e não na Idade Média ou em algum passado fantástico distante. Além disso, logo se percebem as principais características de John: o sarcasmo, a ironia, a atitude de quem simplesmente não está nem aí para o que está acontecendo, a postura de anti-herói constante. É, com certeza, uma das personalidades mais marcantes dos quadrinhos.

Com esta atitude, John Constantine vive às voltas com demônios, bruxas, monstros de toda espécie que procuram resolver antigas desavenças, pedir favores ou mesmo ameaçar e chantagear o bruxo. Algumas cenas apresentam um humor ácido (algo que o filme captou bem) que dá o toque final à série.

No Brasil, a editora Panini publica as histórias de John Constantine em uma revista chamada Vertigo, que traz também outras ótimas histórias. O arco que li este mês é o que vai do número 1 ao 6 da revista Vertigo brasileira, escrito por Mike Carey, e recomendadíssimo para quem gosta deste estilo.

John Constantine é para iniciados. Mas, para estes, é das melhores coisas que se pode encontrar. Boa leitura!

Café Do Poderoso – Jon/Jaime

Vamos falar hoje sobre os capítulos de Jon (pág. 311), Jaime (pág. 317)

Paty

Jon

Que cena bizarra. Não consigo imaginar o que se passou na cabeça de Jon enquanto seus amigos/inimigos tentam escalar a montanha para atacar seus amigos/inimigos. Que confusão!

Jaime

Nunca imaginei que eu teria pena de Jaime. :(. Ele com certeza está passando por coisas impensáveis para alguém tão imponente e orgulhoso. Achei que nunca veria cenas desse tipo acontecendo com Jaime. Quanto a coragem dele…bom, está atestada. Definitivamente, ele aguenta dor como poucos…será que estou começando a gostar de Jaime? Ai ai ai…

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Ragner

Jon

Os selvagens começam a investida contra o povo ao sul da Muralha. Muitos nunca tinham a visto, mas mesmo assim tentam vencê-la, ultrapassa-la e o capítulo mostra bem a dificuldade que isso é. Vão escalando em um ponto que é menos difícil, mas mesmo assim tal empreitada acarreta perdas. Jon observa  a tudo com seus pensamentos confusos e fica divagando sobre o que poderia ou não acontecer.

Jaime

O Regicida nunca sofreu tanto. Sem uma das mãos, fica se duvidando se ainda deve viver ou não, mas ele tem muito o que fazer e muita vingança a cumprir. Foi melhor recebido do que imaginava em Harrenhal. Brienne também teve um destino melhor, aparentemente.

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QUER GANHAR O 4o LIVRO DA SÉRIE?

O Poderoso começa hoje o sorteio do 4o livro da série – Festim dos Corvos.

Todos os participantes do Café serão inscritos no sorteio dentro das regras abaixo:

– O participante deve comentar no Café e ler o livro com a gente

– Curtir nossa página no Facebook.

– Cada comentário gera uma inscrição. Quanto mais você comentar, mais chances você tem de ganhar.

– Não há custo algum de envio para o vencedor.

– O sorteio é aberto para todo o Brasil.

– O resultado sairá na metade da leitura de A Tormenta de Espadas no Café – na página 422.

Ao final do capítulo sobre o Bran. PARTICIPE!

Resenha – Tempo é dinheiro

Só precisei ver que esse livro foi escrito por Lionel Shriver para comprar. Não precisei de indicações, comentários críticos nem nada disso. Depois de ler “Precisamos falar sobre o Kevin” e “O mundo pós aniversário” eu já era fã dela.

O livro aborda o “way of life” norte americano. Shep Knacker é um empresário que veio de uma família humilde e ao começar a fazer pequenos trabalho manuais na vizinhança, ganhou clientes a rodo e abriu um pequeno negócio. A “Knack para toda obra” cresceu e Shep acreditava que estava no caminho para seu sonho: guardar dinheiro o suficiente para aproveitar a velhice em um lugar tranquilo – de preferência em algum país do 3o mundo onde o dinheiro renderia mais. Depois de 22 anos como chefe de si mesmo, Shep vende a empresa por 1 milhão de dólares (quantia que ele achava que acabaria por comprar seu sonho de descanso). Mas os planos não saíram conforme pensado e Shep se tornou empregado de sua ex empresa.

Tudo isso enquanto Glynis, sua esposa, saia e entrava em depressões pesadas. Quando eles se conheceram, Glynis fazia peças de metais para vender e ganhar a vida – ainda que de forma modesta. Quando casaram, Glynis não se preocupava mais em trabalhar já que suas contas estavam pagas e ela podia descansar e criar os filhos. Shep via seu sonho de outra vida cada vez mais distante. Agora, ele trabalha por quatro e a margem de dinheiro guardado ia diminuindo.

Mas não se pode confiar no destino ou na vida, não é mesmo? Glynis explica a Shep que não pode viajar com ele e que eles não podem abandonar tudo: ela precisa do plano de saúde. Glynis descobriu que tem um câncer raro.

Somos apresentados também a Carol e Jackson – amigos do casal com duas filhas problemáticas: a mais velha tem uma doença degenerativa e, aos 16 anos, já começa a definhar. A mais nova é hipocondríaca por acreditar que estar doente é a única maneira de ter atenção dos pais. Jackson trabalha com Shep e é seu melhor amigo. Apesar de um casamento sólido, Carol e Jackson enfrentam alguns problemas típicos de pais que têm um foco de atenção constante nos filhos.

Os capítulos vão se alternando entre a vida de ambos os casais e quando Shep aparece, os capítulos iniciam com o saldo de sua conta. Assim, vamos acompanhando o sumiço de suas finanças à medida que os tratamentos de Glynis começam. Além disso, também aprendemos mais sobre o sistema de saúde norte americano (o livro é uma crítica direta e dura a esse sistema). Quando Obama chegou ao poder, em 2008, um de seus primeiros projetos envolveu a saúde…apesar de ser a terra das oportunidades e dos tênis baratos, uma internação sem convênio poderia custar quase um ano de salário para os desafortunados. (Para saber mais sobre o sistema de saúde norte americano, recomendo o documentário SOS Saúde de Michael Moore que traça um paralelo entre o sistema de saúde dos EUA, da Inglaterra, do Canadá e da França – e, pasmem, os EUA têm um sistema pior e que custa o dobro)

O livro é permeado de comentários ácidos como: “Algum palerma obsequioso foi pago para preencher todos aqueles códigos e ticar os quadrinhos, e despachar cópias para mais cinco lugares. Trinta por cento do dinheiro gasto com a assistência médica neste país vai para a chamada administração. A verdade é que existe toda uma camada de empresas de seguros com fins lucrativos entre a Glynis e os médicos, um bando de parasitas sacanas e gananciosos ganhando dinheiro com a doença dela”. Esse, claro, é Jackson. Shep nunca diria nada do tipo.

Aliás, Jackson também acaba se metendo em um problema insano que não vou detalhar porque a própria autora demora para nos dizer o que é. Então acho que ela quer que você descubra sozinho(a) e não sou eu quem vai estragar isso. ;). De qualquer forma, a família tem mais um problema de saúde – e caro – para cuidar. Mas surpresas sempre acontecem e prepare-se para reviravoltas na história que você certamente não esperava – do tipo que te deixam sem reação por alguns minutos.

O livro, como a maioria do trabalho de Shriver, é escrito de maneira magistral – com pensamentos profundos para cada personagem. Aliás, a construção das personagens é cuidadosa e elas são completas e interessantes por si só. A estrutura do livro é objetiva e ao nos permitir acompanhar as finanças de Shep, a autora nos coloca junto com sua personagem na linha de desespero financeiro sob um sistema de saúde que não funciona. Claro que a nossa conclusão acaba condicionada mas mesmo assim, em alguns pontos, ela nos permite desenvolver uma análise própria de como o sistema de saúde atual trata dos pacientes.

O câncer não é uma das personagens principais mas está ali, atravessando todos os diálogos e trazendo situações ao ponto de ebulição. Além disso, Glynis traduz muito bem uma personagem enfrentando esse tipo de batalha e acompanhamos sua solidão enquanto os amigos somem, a família se esquiva e sua dor aumenta. Aliás, vale iniciar uma reflexão sobre amigos e famílias que começam na lista de “íntimos” e terminam na lista de “não tão íntimos assim” quando uma doença como câncer aparece. Talvez valha pensar sobre quem realmente queremos colocar nessas listas.

Um livro pessoal, sincero, real, triste e simplesmente fantástico. Recomendadíssimo, íssimo!

5 às 5ªs – Livros para crianças/adolescentes.

Aproveitando a semana das crianças, fiquei com aquela vontade de listar alguns livros que li quando criança ou mesmo quando já adolescente e ainda um livro infantil que li recentemente e gostei muito. Tentei me lembrar de um específico que minha mãe leu quando eu era bem pequeno, quando estava aprendendo a ler. Era um livro sobre uma girafinha falante ou fofoqueira, mas não me lembrei do nome, só me lembro que foi um dos 1ºs que tive contato e me trás boas recordações.

1 – O Pequeno Príncipe – Antoine De Saint-Exupéry: livro de miss e livro infantil são algumas indicações para tal obra. Eu posso dizer que quando o li, fiquei me questionando se quando alguém o lê, acredita mesmo nesses “adjetivos”. Assim como a minha 5ª escolha (que está mais à frente), O Pequeno Príncipe possui mais do que podemos imaginar a priori. Não era minha escolha de cara, exatamente por isso, pois muita ideia depreciativa se faz do livro, mas está aqui porque conta a historia de uma criança, cheia de sonhos, de criatividade, sem qualquer limite. Como um pequeno filósofo que a vida não podou a imaginação, a simplicidade, as virtudes e a inocência;

2 – Robin Hood – Howard Pyle: desde pequenino, sempre gostei muito de aventuras e tinha alguns heróis que ficava imitando. É certo que minha visão, atualmente, dos heróis é bem diferente da visão que tinha quando criança, mas posso dizer que continuo fã de alguns deles e Robin Hood sempre esteve entre meu imaginário como “exemplo a ser seguido”, no que tange em defender os fracos e oprimidos. Li o livro quando era um adolescente entre 09, 11 anos e me recordo muito bem que a edição começava com um garoto matando um veado na floresta e homens do rei queriam prende-lo. Várias edições saíram, muitas versões foram criadas e em outros diversos formatos trabalharam a história, mas o que ainda continua sem mudanças, é que o fora-da-lei de arco e flecha continua roubando dos ricos para dar ao pobres;

3 – Robinson Crusoe – Daniel Defoe: outra história de aventura que guardo muito bem na memória. Dessa vez não há um herói que luta pelo bem dos outros, mas temos um sobrevivente e esse tipo de enredo mexeu bem com a minha cabeça de adolescente. Um cara sobrevive a um naufrágio, está “só” em uma “ilha deserta”, vai vivendo com o que lhe aparece à frente e enfrentando adversidades sejam naturais ou não, conhece um nativo e o chama de Sexta-Feira (o conheceu nesse dia, pelas contas dele) e ambos criam um laço de amizade que os ajudam a passar o tempo e a conviver com a solidão e a encarar os perigos que venham a existir;

4 – Gibis: sou mesmo amante de quadrinhos, colecionava gibis quando muleque, fosse de personagens da Disney, Dc ou Marvel, só não era consumidor da Turma Da Mônica. Estou incluindo “gibis” nessa lista para defender que a leitura deles ajuda mais do que alguns pais ou educadores possam acreditar. O gibi ajuda muito não somente como alternativa de entretenimento, mas também auxilia na construção da criatividade, na formação cultural, no crescimento imaginativo e intelectual, e também no desenvolvimento da língua. Não há gibis com a gramática ou escrita errada, os argumentos são bem escritos, dependendo da faixa etária dos leitores;

5 – A árvore Generosa – Shel Silvertein(adaptado por Fernando Sabino): eis uma historinha graciosamente lindinha e cheia de significado. Conta sobre a amizade e o amor entre uma árvore e um garoto. Ambos vão crescendo, sempre em contato. O tempo vai passando, a árvore sempre dá à ele o que ele pede, deseja e precisa, mesmo com o garotinho se tornando um jovem e logo depois um adulto, mesmo quando a relação passa por momentos diversos, quando o tempo e a vida faz o garoto/rapaz/homem mudar de atitude e prioridades, a árvore continua ali, amando-o e esperando-o, pronta para para deixa-lo feliz.

Resenha – Jogada Mortal

A história desse livro está ligada diretamente à de Quebra De Confiança. Os acontecimentos do livro passado não interferem nesse, mas podemos percebe-lo como sequencia imediata. Se no outro acompanhamos a vida de um jogador de Futebol Americano, dessa vez nos ligamos ao mundo do tênis, com um incidente que ocorre durante o Aberto dos E.U.A.

Valerie Simpson, uma, outrora, jogadora de extrema relevância para o esporte e que por um período passou por momentos delicados, é assassinada durante uma partida onde o maior astro do momento, Duane Richwood, está jogando. Ela foi morta entre muitas pessoas, mas ninguém foi capaz de identificar o atirador entre a multidão.

Myron, descobre, logo em seguida, que Valerie estava atrás dele, não só para ser seu agente, mas também para poder ajuda-la. Quando Bolitar sabe disso, não há caminho de volta, ele irá até o fim para revelar qualquer segredo, doa a quem doer, mesmo que isso envolva pessoas próximas e que sua vida corra risco. Mas o que ninguém pode se esquecer, é de que existe um cara extremamente amigo e especial na vida do nosso herói. Win. Não somente um sócio, mas o cara que está pronto para tudo, a qualquer hora, em qualquer lugar e com disposição para fazer o que tem que ser feito…

Bolitar se envolve na vida dos seus agenciados, corre atrás de informações sobre o passado daqueles que quer defender, limpa a barra de injustiçados, mesmo que esses sejam pirados e se indigna com o poder e a impunidade que alguns insistem em vislumbrar. Ele faz mais do que aparentemente seria o normal em uma situação dessa e encara as consequências e respostas com a integridade daquele que busca a honra acima de tudo.

Pelos 3 livros que já li de Harlan sobre Bolitar, é possível perceber que o autor tem uma motivação impar, trabalhar questões familiares. Nesses livros nos deparamos com segredos obscuros, passados perturbadores, justiça cega e situações onde entendemos que a subjetividade de quem observa tudo, pode interferir no que é preciso ou possível fazer. Myron não é somente um sujeito que quer ajudar, ele também sente uma vontade justiceira de descobrir a verdade, mas algumas vezes ele vê que a verdade pode estar além de sua capacidade de ação ou que, por mais que ele não queira, é necessário agir de forma incisiva em relação ao que está à frente e ai, talvez, fica claro que o certo ou errado, depende muito do que é preciso. Já para Win, é tudo preto ou branco…

Quando escrevem que Coben é o senhor das “noite em claro”, não estão de brincadeira. Não é somente gostoso ficar lendo os romances dele, é incrivelmente instigante todo a trama criada, os laços que envolvem tudo que o acontece é de uma criatividade impressionante. Já quero todos os livros com o Bolitar como protagonista e logo em seguida vou ler os outros, para me certificar que o autor é mesmo um gênio.

Um adendo que não posso esquecer: acertei dois nomes no jogo de charadas sobre o seriado Batman que Myron e Win “brincam”. Sabia que Cesar Romero foi o Curinga e que Bruce Lee interpretava Kato, mas não aceito que ele possa estar no meio ali dos vilões no jogo não viu, kkkk (sei algumas coisitas sobre os dois Bruce, Lee e Wayne). 

Terça De Quadrinhos – Frankenstein

Quem aqui conhece a história do doutor Frank e sua criatura? Já tivemos a oportunidade de acompanhar esse drama de horror pela literatura e através do cinema. Desta vez podemos conhecer tal história pelos quadrinhos, o que percebi ser uma ideia interessante.

É interessante saber que Mary Shelley criou seu Frankenstein a partir de uma roda criativa entre amigos. Byron (Lorde Byron que conhecemos, romântico inveterado, poeta desvairado e extravagante bon vivant, no que tange a aproveitar a vida sem restrições) incentiva aos colegas a escreverem contos de terror. Depois de passar momentos de “folha em branco”, Mary consegue imaginar sua maior obra.

O enredo de Frankenstein é contado através de cartas, entre um capitão de navio e sua irmã. O capitão (Robert Walton) de uma expedição pelo Polo Norte avista, junto a sua tripulação, um ser gigantesco, anormalmente maior do que um homem comum, vagando pelas geleiras e depois se deparam com Victor Frankenstein, um médico em busca de redenção, já moribundo. Walton o salva e Victor conta toda sua história até o momento em que já estava ali, à beira da morte.

Frankenstein é um garoto incrivelmente interessado no oculto e naquilo que reflete o que está além do puramente físico. Quer descobrir o segredo da vida e como burlar as leis que regem tal segredo. Ele cresce, estuda e se forma médico. Mas o médico não quer apenas curar, quer também vencer a morte. Em um experimento, consegue, depois de enorme e dramático esforço, “montar” uma criatura que vive, que respira e que, como o tempo, pensa. Mas tudo vai além do esperado e o horror e desespero de almas despreparadas para tal empreitada, traumatizam um ser já atormentado, que está além da vida e da morte. A criatura deseja uma companheira, a solidão a assola e o que poderia ser uma vitória de um homem, acaba se transformando em seu maior pesadelo, cheio de terror.

Esse quadrinho é bem leve na verdade, não transmite de forma fantástica toda a dramaticidade que o livro possui e merece, mas vale como uma introdução para adolescentes. Os traços não incomodam e são até condizentes com o que é proposto. A argumentação foi trabalhada pra não ficar somente com as falas clássicas em balões, mas também em pequenos textos que ligam um quadrinho ao outro e isso ajuda ao desconhecido à entender um pouco esse clássico da literatura do Terror.

Indico para uma iniciação breve, mas já digo que é preciso ir além e desfrutar do livro em questão.

Resenha – Cartas na rua

Histórias de um carteiro. É, eu sei o que você está pensando: o que poderia ser tão interessante na vida de um carteiro? Bom, de acordo com o Bukowski, um carteiro que bebe a noite inteira, trabalha a maior parte do tempo de ressaca, que odeia cachorros (e cada vez que um o ataca ele começa a gritar “Assassinato”), que odeia seu chefe e não está muito preocupado em fazer seu trabalho direito, tem MUITA história para contar.

Hank Chinaski parece ser um daqueles perdidos na vida. Aos 30 e poucos anos, trabalha como carteiro mas não vê isso como profissão. É só algo que ele faz. Depois de 3 anos, quando a estabilidade estaria começando, ele larga o emprego e decide viver de apostas em corridas de cavalo. Conhece Joyce – uma guria de 23 anos (podre de rica mas ele ainda não sabia disso) – que o acompanha nas corridas e logo exige que eles se casem.

Sem perspectiva nenhuma na vida, Hank concorda e eles se mudam para a “última cidade que poderia sofrer um ataque terrorista nos EUA”. Pequena, daquelas que todo mundo sabe da vida de todo mundo, todos os habitantes da cidade sabiam da riqueza da família de Joyce e o invejam e o odeiam ao mesmo tempo. E Hank sabe disso. Aos poucos, a vida ridícula que ele vivia na cidade com sua jovem esposa ninfomaníaca perde o encanto e eles decidem voltar para a cidade grande. Joyce exige que Hank encontre um emprego “para provar para seus pais e avós que eles podem se virar sozinhos” mas não sem antes pedir que o avô pague o novo apartamento e dê um carro para eles.

Hank encontra um emprego que “não cheira a trabalho”, mas logo volta aos Correios. Dessa vez como atendente. A vida dele segue o mesmo ritmo maçante parece que eternamente. Ele não parece se interessar por nada além de um copo de álcool e não leva quase nada na vida a sério. Ele acaba se divorciando de Joyce (ela pede o divórcio e ele nem pensa duas vezes) e volta para a “vida louca” de bebida, álcool, mulheres e corridas de cavalo. E trabalho de vez em quando.

Com mais de 30 anos, esse estilo e vida é triste e deprimente. Mas mesmo assim, não deixa de ser engraçado com comentários irônicos de Hank. Dizem que Hank – que aparece em outros dois livros de Bukowski – é um alter ego do autor que tinha problemas sérios com a bebida. Hank bebe muito. E não só isso, Bukowski trabalhou como carteiro temporário no começo dos anos 50 e odiava mais seu trabalho a cada dia.

Então podemos dizer que Cartas na Rua é quase uma biografia. Bukowski escreve de maneira direta e hilária. Ler o livro é sentir que você está na mesa de bar com ele enquanto ele te conta suas peripécias.