Semana de Cinema – Black

Hoje é dia de falar um pouquinho sobre o consagrado filme Black.

Black trata-se de um longa-metragem produzido na Índia durante o ano de 2005 e foi inspirado na vida da escritora Helen Keller, que ficou surda e muda por conta de uma doença cerebral conhecida como “febre cerebral”. Entretanto, a deficiência não impediu que Keller se tornasse uma célebre escritora e conferencista conhecida no mundo todo.

O longa tem como personagem principal Michelle (Rani Mukherjee), uma garota que nasceu surda e cega e foi tratada de forma desumana pelos pais. Durante vários anos de sua vida, Michelle sofreu diversos tipos de torturas, tanto no caráter físico quanto no emocional. Seu pai mostrava ter um desequilíbrio psicológico impressionante por conta da falta de paciência demonstrada com a própria filha, que era defendida de forma contundente pela mãe. Para piorar as coisas, acontece algo que complica ainda mais a vida de Michelle: o nascimento de sua irmã mais nova, Sara (Nandana Sen), aumenta ainda mais as dificuldades presentes no relacionamento entre ela e os pais. Com o intuito de procurar uma maneira para Michelle se desenvolver, seus pais procuram uma escola especialista na educação de crianças cegas e surdas com a esperança de Michelle melhorar sua situação. E é nesse momento que entra na vida da garota uma pessoa importantíssima e fundamental em sua vida: o professor Debraj Sahai (Amitabh Bachchan), que possui a dura missão de ajudar Michelle, que até então não tinha um contato social presente e ativo com a sociedade no qual ela convivia.

O filme, mais do que um simples longa-metragem premiado, é uma lição para a sociedade capitalista, que por conta do sistema econômico dominante acaba tornando os indivíduos mais individualistas, sem a propagação do pensamento proporcionado pela filantropia no que se refere em “ajudar o próximo”. O filme é uma reflexão, por meio dele abrimos várias questões psicológicas como: o que eu posso fazer para ajudar quem precisa? Como eu posso contribuir de forma positiva com a sociedade? O que eu posso fazer para melhorar o mundo? ‘Black’ abre estas questões críticas ao indivíduo por meio da convivência entre o professor Debraj e sua discípula Michele, e mostra por meio de uma abordagem interessantíssima como a relação entre aluno-professor pode ser benéfica e enriquecida com um aprendizado positivo para ambos os lados.

Ainda pode-se dizer que o longa-metragem serve de alerta aos pais em geral, para que procurem dar a devida e máxima atenção e educação aos seus primogênitos, independente da condição física e psicológica dos mesmos. ‘Black’ mostra que, por meio de uma educação bem-feita e continuada, unida ao carinho e afeto, pode-se conseguir que pessoas se desenvolvam e possam conviver em total harmonia com a sociedade, independente de terem uma deficiência ou não.

‘Black’ é um filme que mostra ao indivíduo a importância da ajuda ao próximo e da educação para crianças especiais. Premiadíssimo, o longa ganhou o IIFA e o Zee Cine Awards para a categoria de melhor atriz (Rani Mukherjee). E no 51º Annual Filmfare Awards de 2006 ganhou nas categorias de melhor diretor, filme, ator (Amitabh Bachchan) e atriz (Rani Mukherjee), eleitos tanto pelo público como pela crítica.

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Semana de Cinema – Sem Limites

Esse filme me interessou demais da conta pela evidente premissa de que um literato pode chegar ao ápice de suas possibilidades e também pela maneira que a história se desenvolve a partir dai. De cara já fui mega entusiasmado a procura do filme. Sem Limites pareceu muito propenso a me proporcionar o que mais me chama a atenção no momento, que é o desejo de ser escritor.

A trama começa com um desanimado autor – Eddie Morra – que se vê, sem a namorada e também, sem qualquer criatividade capaz de acrescentar enredo nas folhas em branco que está a sua frente. Ao encontrar um ex-cunhado, tem a possibilidade de experimentar uma droga experimental (!!!) capaz de elevar a capacidade cerebral à níveis jamais antes vistos, claro que todo o ar de “droga” que existe na conversa, o deixa meio que de pé atrás, mas depois, ao se ver quase que no fundo do poço, sem ter mais o que perder, decide tomar a pílula e descobre um mundo COMPLETAMENTE novo. Tudo à sua volta fica claro, se torna óbvio, e ridiculamente fácil.

Com o tempo vai ganhando confiança e percebe que pode aprender tudo (línguas aprende só de ouvir), saber tudo (lendo uma única vez) e enfrentar à todos (se defende recordando filmes de artes marcias), a ponto de se sentir invencível. Um erro que todo viciado comete quando se esquece dos perigos que a droga, que consome, pode oferecer. Um efeito colateral deveras prejudicial e mortal, ronda aqueles que já “testaram” a tal droga e Morra, além disso, tem que enfrentar alguns mal elementos que passam pela sua vida.

Sua caminhada meteórica ao topo do mundo encontra pelo caminho parceiros nada leais, mafiosos inescrupulosos e criminosos violentos. De um escritor medíocre, que entrega em poucos horas metade do que pode ser uma excelente obra, segue como um fantástico investidor no mercado de ações e conhece pessoas influentes e poderosas. Seu mundo agora parece não ter mais limite, até se ver envolvido com quem não devia e observar sua vida, maravilhosa, indo pelo ralo. Mas sua inteligência não serve apenas como um fio condutor só para gerenciar o sucesso, serve também para assegurar um entendimento de tudo que está de errado e de como é possível dar a volta em todos os problemas.

Nada está perdido para aquele que possui todos os recursos.

O filme possui vários conceitos organizacionais e de desenvolvimento pessoal também, o que o torna mais verossímil na busca pela perfeição ou excelência. A 1ª coisa que o protagonista faz, é deixar tudo a sua volta organizado, limpo e descarta aquilo que não é importante. Preserva as prioridades, foca no que é importante e se concentra naquilo que faz a diferença. Simples assim.

Semana de Cinema – Ratatouille

Mais uma animação para alegrar essas nossas semanas de cinema aqui no Poderoso. Amo animações e dessa vez escrevo sobre minha 2ª favorita.

Acompanhamos a história de um ratinho com gostos e desejos comportamentais completamente dissociado da ninhada da qual faz parte. Que é capaz de compreender a essência do mundo culinário, melhor do que o próprio ser humano e que vive tentando ser respeitado em sua particularidade e excentricidade. Esse é o fio condutor dessa animada animação (!!!) que é dos mesmos criadores de Carros e Os Incríveis.

Remy (o rato) se perde dos seus e, pelo esgoto, chega à Paris, cidade Luz, cheia de referencias culturais e culinárias. Ele é um completo estranho no ninho, pois, além de ser um RATO, é do interior e Paris NÃO é uma cidade qualquer. Ao se deparar com a imensidão à sua frente, fica empolgado com tudo o que vê, ainda mais quando se percebe em um restaurante, O restaurante do seu ídolo maior Auguste Gusteau.

Se escondendo dos humanos e passeando pela cozinha do lugar, Remy conhece Linguini, um rapaz que começa a trabalhar no restaurante como ajudante e desse encontro, surge uma parceria capaz de criar um cozinheiro espetacular e cheio de criatividade. Linguini, sendo conduzido como marionete pelo rato mais que competente, vai ganhando prestígio, sem que as outras pessoas percebam a verdade entre os dois. Com o tempo os holofotes caem sobre o rapaz, que descobre que é filho de Gusteau, dono do lugar e que começa a ter um sucesso fácil. Normal que isso suba à sua cabeça e que comece a se sentir invencível. Os dois se desentendem e o que se segue depois é uma corrida para a reconquista da confiança, demonstração de amizade, questionamento sobre diferenças e a conclusão da máxima de Gusteau, de que nem toda pessoa pode se tornar um chef, mas que um grande chef pode surgir em qualquer “pessoa”.

O filme é lindinho demais. Discute questões de pré-conceito, humildade, amizade, coragem e transmite uma sensibilidade maravilhosa. Quando o rato começa a trabalhar como cozinheiro, ele não vê a diferença que o distancia das pessoas, ele se sente um igual, mas a realidade é infalível e nada “romântica”. Ele entende os medos da sua raça e se confronta com questões sobre desistir ou continuar, até que percebe que uma amizade verdadeira é capaz de superar a tudo e a todos. Remy e Linguini fazem uma dupla incomum, mas que preserva bem o esteriótipo de que o respeito deve haver em qualquer situação e mesmo que o seu parceiro seja levado por emoções de superioridade, o perdão e a honra de uma amizade, deve prevalecer.

Temos aqui personagens bem caricatos, o que acrescenta mais tons de “mensagem” no desenho. Pixar é muito conhecida não somente pelo bom gosto e espetacular trabalho de arte, mas também pela ideia de moral que transborda em seus trabalhos, seja algo corriqueiro ou fórmula já desgastada, ou mesmo pouco usual, o que importa MESMO, é que vale muito a pena sentar em uma poltrona e acompanhar os enredos envolventes que tais animações proporcionam.

P.S.:Ainda NÃO comi um Ratatouille, mas desde que assisti, fiquei com vontade. Quem sabe um dia.

Semana de Cinema – Se7en – Os Sete pecados capitais

Um dos roteiros mais originais que já vi, com toda certeza. (Aposto que você imaginou que eu ia começar com o Brad Pitt). E tem Brad Pitt.

O filme conta a história de dois detetives – um deles em começo de carreira (David Mills – interpretado por um Brad Pitt um pouco inseguro mas super lindo) – e o outro ponderando sobre a aposentadoria (William Somerset – interpretado por Morgan Freeman quando ele já era idoso). Ambos investigam assassinatos estranhos inspirados nos sete pecados capitais. O assassino parece estar sempre um passo à frente de Mills e Somerset.

As cenas das mortes são fortes e o clima do filme todo é pesado com algumas cenas mais leves para que o público possa acalmar o coração um pouco (mas raras já que esse é um filme de Finch). A representação de cada pecado é quase literal e o assassino claramente é um homem a) sem uma vida pessoal e b) com muita imaginação e ódio pela humanidade.

À medida que a história se desenrola, aprendemos mais sobre a vida de Mills e Somerset. Mills é recém sacado e se mudou com sua jovem esposa para uma nova cidade. Ela não está se adaptando bem, eles têm uma vida difícil e estão tentando fazer a coisa toda funcionar. Mills vive sozinho e parece ser extremamente solitário. A relação entre dois é superficial no começo mas se aprofunda um pouco durante o filme (aquela coisa toda de desenvolvimento de personagem).

Os crimes ocorrem sem nenhum tipo de coerência além do fato de que seguem os 7 pecados capitais. É difícil para os investigadores encontrarem o começo da linha para seguirem o rastro do assassino. A originalidade é surpreendente em alguns assassinatos.

O filme é cheio de mensagens esquisitas – como o número de todos os prédios na cena inicial começarem com 7, ou como os livros bizarros do assassino cheios de coisas escritas terem DE FATO sido escritos (provavelmente pelo estagiário) para o filme. E é dirigido por David Fincher que conta uma história obscura como ninguém.

Foi lançado em 1995 e se você não assistiu até agora, você precisa corrigir esse erro grotesco da sua vida. Assista amanhã ou hoje de madrugada. É necessário! Não só pela atuação fantástica de Kevin Space em seu primeiro papel de destaque mas pelo debate que se dá quando ele finalmente aparece em cena e explica – ou tenta – suas motivações para os assassinatos. É alimento para o cérebro. E o final…ah…o final!!

Motivos não faltam para recomendar esse filme. Um clássico dos anos 90 que vai continuar surpreendendo os espectadores por muito tempo.

Semana de Cinema – Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros

Abraham Lincoln: Caçador de VampirosFui assistir a esta aparente pérola do cinema esta semana. E não é que fui surpreendido?

A proposta do filme é tão esdrúxula quanto curiosa: Abraham Lincoln, o presidente americano na época da Guerra Civil que colocou frente a frente as metades Sul e Norte dos Estados Unidos da América, teria combatido também uma invasão de vampiros. Exatamente.

O filme vale como um bom filme de ação, tendo utilizado muito bem as vantagens do 3D, com enquadramentos que aproveitam bem as características da nova tecnologia. Além disso, a presença de Tim Burton entre os produtores garante a atmosfera já conhecida dos fãs dos filmes por ele dirigidos.

Lincoln é apresentado em sua infância, conhecemos seus pais, o episódio que o levou a odiar os vampiros e o episódio em que conhece a guerra (entre humanos e vampiros) que acontece sem que ninguém saiba. A partir daí, uma série de batalhas com vampiros e o início de sua vida social e política são mostrados, culminando em uma aparente aposentadoria.

Daí pra frente é que o filme fica melhor ainda, com sequências envolvendo um personagem muito mais parecido fisicamente com o presidente americano e também muito mais maduro e sábio. As cenas com o estouro de cavalos e o trem são realmente bem feitas e envolventes.

Por incrível que pareça, desfaça-se dos seus preconceitos e vá ver esse filme. Vale a pena.

Semana De Cinema – The Dark Knight Rises

Christopher Nolan imensuravelmente criou um universo em torno do Batman que merece mais do que aplausos, merece respeito e a eternidade. Não tenho a pretensão de dizer que essa é a versão definitiva e que nada de melhor poderá ser realizado, mas tenho a convicção de que essa trilogia será lembrada por vários anos e que na minha, humilde opinião, Batman Begins, Dark Knight e Dark Knight Rises é uma obra que quase atinge a perfeição. Um Batman mais humano e realista sem dúvida nos foi apresentado, um Batman que tem muito a ver com tudo que existe nos quadrinhos e que, mesmo assim, pode ser visto como inédito também percebemos aqui, o que ajuda a acolher vários novos fãs.

Em Dark Knight podemos perceber um filme dividido em 3 partes: apresentação da Máfia e o Morcegão desbaratando os planos dela (com as aparições do Curinga); O Curinga botando para quebrar e querendo violentamente instaurar o caos; a aparição perfeitamente louca, dúbia e dicotômica do Duas Caras. Em Dark Knight podemos perceber o filme dividido em 2 partes: quando o Batman reaparece e percorre um caminho DIRETO para sua queda; logo depois somos encaminhados para o ressurgimento resoluto, competente, incontestável e praticamente final do vigilante supremo de Gotham. O filme logo de cara nos apresenta um vilão bem diferente do palhaço do crime e agente do caos que foi o Curinga, mas que possui a motivação inicial de Ra’s Al Ghul (durante o filme isso é justificado). Bane não toca simplesmente o terror na cidade, ele quer também destruir o modo de vida da maior cidade do país. Defende que a lei vigente foi construída baseada em uma mentira e que os cidadãos merecem uma oportunidade de recriar a própria sociedade, só que JUNTOS, entre ladrões, ricos e pobres. O mascarado do mal quebra o mascarado do bem e intima a sociedade a encarar a própria destruição.

A relação entre quadrinhos e filme está sugestivamente bem trabalhada, o que consegue assegurar, um enredo convincente, que agrega realidade ao universo criado e que constrói um Bane que nos lembra MUITO o vilão que quebrou o Morcegão. Durante o filme a história do vilão nos faz crer que existe uma fidelidade fantástica com sua origem nas HQs – tirando o fato de Bane ser confinado, desde o nascimento, em Santa Prisca (uma ilha ficcional na região do Caribe) e não em um poço -. Mas algo que foi IDÊNTICO, foi a cena em que Bane quebra o Batman, levantando-o e soltando para ter as costas “quebradas” no joelho. O que veio antes e depois, ligando quadrinhos ao cinema, não tinha tanto peso.

O filme é um exemplo a ser seguido, em vários aspectos: a argumentação é, no que mais importa, sem falhas; a direção é espetacularmente eficiente e extremamente convincente (SIM, é melhor do que os Batmen de Tim Burton e INFINITAMENTE melhor do que Batman Forever e Batman e Robin); a trilha sonora e até mesmo nos momentos sem ela – o adeus de Alfred e a 1ª luta entre Batman e Bane -, dão personalidade ao que está acontecendo e existem várias cenas memoráveis e falas antológicas – “A VITÓRIA DERROTOU VOCÊ” -. Tudo muito bem acertado para essa finalização de uma trilogia que tem TUDO para se perpetuar, tanto na história do cinema quanto na história de filmes de heróis. Rises transita formidavelmente por entre os dois outros filmes, reencontra personagens em lembranças pontuais e explica as motivações e surgimento daquilo que concretiza os 3 filmes em uma enorme e ÚNICA história. Rises consegue ser melhor do que o melhor filme do Batman já feito. É o melhor dos 3.

Sobre a mulher gato, tenho a dizer que a escolha da atriz foi MESMO acertada, pois na 1ª cena entre ela e Christian “Bruce Wayne” Bale, a mudança de olhar e aquele sorriso “ops”, foi… UAU, sem se esquecer de que ela fica muito bem em cima do Batpod.

Não posso esquecer, também, de mencionar que por duas vezes eu quase chorei: no momento da despedida do Alfred (nos quadrinhos houve algo parecidíssimo) e quando o Batman foi apunhalado pelas costas (eu vi, na 1ª vez que assisti, lágrimas nos olhos dele), quase dando a acreditar que nada do que ele fez até então valeu a pena e era como se a vida fosse uma enorme ilusão onde o bem não existe.

É por isso que acredito que o Batman é um herói como poucos. Nolan nos apresentou um herói que não perde sua humanidade. É difícil de imaginar o Homem de Ferro com lágrimas nos olhos, por exemplo. Salvar Gotham está acima do que ele quer para ele mesmo e está em condições de fazer. É o sacrifício, é dar o último sinal de saúde para uma causa que parece perdida. Esse é o Batman que Nolan trouxe às telas. É impossível assistir a essa trilogia e não pensar no que você pode fazer para mudar alguma coisa. E é isso que faz um super herói.

Semana de Cinema – Jogos Vorazes

Depois de ler a trilogia de Jogos Vorazes (tem resenha aqui, aqui e aqui) eu queria muito ver o filme porque, assim como Harry Potter, o livro exigiu uma quantidade considerável de imaginação. E, diferente de Harry Potter, eu queria ver como eles mostrariam as pessoas morrendo logo no começo.

Então assisti o filme com certa expectativa contida.

Gostei muito de como o filme foi fiel ao livro (que acho que é a coisa mais importante quando o filme é inspirado em um livro, acredito) . Eu não quis reler o livro para ver o filme mas tudo o que eu lembrava – e achava importante – estava na tela. Eu reclamei que achei Katniss chatinha nos livros e queria ver se isso seria traduzido no roteiro. Não foi. Como o livro é narrado em primeira pessoa, temos um assento especial às chatices de Katniss, mas o filme amenizou isso tudo e fez com que ela ficasse…chata no normal.

Jennifer Lawrence foi uma boa escolha. Atriz relativamente desconhecida, mas já indicada ao Oscar, ela tem o tipo de beleza que não se vê sempre em Hollywood: a mulher que não é linda (e super maquiada) sob todos os ângulos. E Lawrence não parece se importar com isso. Ela tem talento para nos apresentar uma Katniss leve, preocupada, irritada e fechada em si mesma – tudo ao mesmo tempo.

As escolhas para Peeta e Gale são irrelevantes, acredito. Aparecem pouco e, sejamos sinceros, foram escalados mais pelo apelo às jovens do que um real talento dramático. Mas vamos dar um desconto porque o foco do primeiro livro e filme realmente é Katniss e não tanto os dois. Acho que o segundo e, principalmente, o terceiro filme exigirão mais dos dois.

Já Woody Harrelson e Stanley Tucci poderiam estar em todos os filmes. No mundo todo. Em qualquer língua. Desde sempre. Eles são ótimos quer o roteiro exija isso ou não. Duas adições sensacionais ao elenco. Uma jogada de gênio, realmente. Sem falar de Donald Sutherland que aparece por um total de 5 minutos mas rouba a cena todas as vezes. Essa mistura de atores renomados com atores desconhecidos deu ao filme um tom menos juvenil e mais adulto (e interessante).

Recomendo o filme e minhas expectativas já estão mais elevadas para o segundo que só deve começar a ser rodado em 2013.