Resenha – O Alquimista

 

 

Apesar do preconceito demonstrado em rodas intelectuais quando o nome de Paulo Coelho ou algum de seus livros é citado, arrisco-me a escrever sobre este best-seller escrito pelo autor brasileiro mais valorizado pelo exterior, e o menos valorizado dentro do seu próprio país.   Dentre todos os livros do grande escritor que se auto-intitula como Mago, o que mais me chamou a atenção e cativou foi sem sombra alguma de dúvida ‘O Alquimista’.

A história conta a trajetória de um jovem chamado Santiago, um jovem pastor que tem um sonho cobiçado por muitos homens: encontrar um tesouro. Para Santiago, a sua Lenda Pessoal (missão durante a vida) na Terra era encontrar este tesouro.

Ele resolve abandonar tudo o que possuía após falar com um Rei que lhe diz sobre a importância de seguir o caminho da sua Lenda Pessoal. Com isso,  Santiago resolve partir em busca do seu tesouro atravessando o deserto e correndo os perigos e riscos que o mesmo proporciona aqueles que o conhecem.

Quando chega em um oásis, finalmente Santiago conhece duas pessoas que mudam completamente a sua vida e lhe ajudam na busca de seu maior objetivo: Fátima, a mulher por quem ele se apaixona e que acredita no potencial dele em conquistar o seu sonho e o Alquimista, um bruxo do deserto, que lhe mostra o caminho pra obter o seu tesouro.

Com os ensinamentos do Alquimista e motivado pelo amor que sente por Fátima, Santiago aprende coisas inimagináveis, no qual ele nunca pensava que poderia conseguir fazer e realizar. O contato com Deus por meio da natureza, a magia do deserto e a descoberta de onde estava o seu tesouro lhe ensinam e mostram a importância da realizar a sua Lenda Pessoal durante a vida.

Pode-se tirar muitas lições benéficas deste excelente livro, independente de se acreditar em Alquimia ou não. Tira-se muitas lições de motivação em lutar pelos seu objetivos na vida, pelo sonhos que tanto os indivíduos almejam e não alcançam e por aquilo que se acredita, porém é duvidado.

Um ótimo livro, cheio de elementos que lembram também a valorização da natureza como algo imprescindível para a sobrevivência humana, o respeito aos indivíduos que possuem um cultura contrária à nossa e ao amor pelo próximo.

Ótima leitura!

Semana de Cinema – Black

Hoje é dia de falar um pouquinho sobre o consagrado filme Black.

Black trata-se de um longa-metragem produzido na Índia durante o ano de 2005 e foi inspirado na vida da escritora Helen Keller, que ficou surda e muda por conta de uma doença cerebral conhecida como “febre cerebral”. Entretanto, a deficiência não impediu que Keller se tornasse uma célebre escritora e conferencista conhecida no mundo todo.

O longa tem como personagem principal Michelle (Rani Mukherjee), uma garota que nasceu surda e cega e foi tratada de forma desumana pelos pais. Durante vários anos de sua vida, Michelle sofreu diversos tipos de torturas, tanto no caráter físico quanto no emocional. Seu pai mostrava ter um desequilíbrio psicológico impressionante por conta da falta de paciência demonstrada com a própria filha, que era defendida de forma contundente pela mãe. Para piorar as coisas, acontece algo que complica ainda mais a vida de Michelle: o nascimento de sua irmã mais nova, Sara (Nandana Sen), aumenta ainda mais as dificuldades presentes no relacionamento entre ela e os pais. Com o intuito de procurar uma maneira para Michelle se desenvolver, seus pais procuram uma escola especialista na educação de crianças cegas e surdas com a esperança de Michelle melhorar sua situação. E é nesse momento que entra na vida da garota uma pessoa importantíssima e fundamental em sua vida: o professor Debraj Sahai (Amitabh Bachchan), que possui a dura missão de ajudar Michelle, que até então não tinha um contato social presente e ativo com a sociedade no qual ela convivia.

O filme, mais do que um simples longa-metragem premiado, é uma lição para a sociedade capitalista, que por conta do sistema econômico dominante acaba tornando os indivíduos mais individualistas, sem a propagação do pensamento proporcionado pela filantropia no que se refere em “ajudar o próximo”. O filme é uma reflexão, por meio dele abrimos várias questões psicológicas como: o que eu posso fazer para ajudar quem precisa? Como eu posso contribuir de forma positiva com a sociedade? O que eu posso fazer para melhorar o mundo? ‘Black’ abre estas questões críticas ao indivíduo por meio da convivência entre o professor Debraj e sua discípula Michele, e mostra por meio de uma abordagem interessantíssima como a relação entre aluno-professor pode ser benéfica e enriquecida com um aprendizado positivo para ambos os lados.

Ainda pode-se dizer que o longa-metragem serve de alerta aos pais em geral, para que procurem dar a devida e máxima atenção e educação aos seus primogênitos, independente da condição física e psicológica dos mesmos. ‘Black’ mostra que, por meio de uma educação bem-feita e continuada, unida ao carinho e afeto, pode-se conseguir que pessoas se desenvolvam e possam conviver em total harmonia com a sociedade, independente de terem uma deficiência ou não.

‘Black’ é um filme que mostra ao indivíduo a importância da ajuda ao próximo e da educação para crianças especiais. Premiadíssimo, o longa ganhou o IIFA e o Zee Cine Awards para a categoria de melhor atriz (Rani Mukherjee). E no 51º Annual Filmfare Awards de 2006 ganhou nas categorias de melhor diretor, filme, ator (Amitabh Bachchan) e atriz (Rani Mukherjee), eleitos tanto pelo público como pela crítica.

Resenha – O Travesti

Certo dia eu estava passeando pela Biblioteca Municipal de Araçatuba, quando eu me deparei com um livro que continha um título e uma capa excessivamente chocantes para a sociedade: um elemento do sexo masculino virado de costas, com uma peruca loira e um título que descrevia aquela figura com uma afirmação: “O Travesti”.

Assim sendo, me interessei pela leitura que, como todos os outros livros que envolvam homossexualismo e prostituição, contém um conteúdo polêmico e de cunho reflexivo para a sociedade contemporânea.

O livro é uma narrativa em primeira pessoa de Daniela, um travesti que vivia no mundo da prostituição durante a década de 80, época no qual o homossexualismo era excessivamente condenado e perseguido pela sociedade por causa da proliferação da Aids. Daniela sabia dos riscos que corria por causa desse fato, mas ela não tinha escolha alguma: precisava e necessitava da prostituição para sobreviver, ou morreria de fome.

Repleto de casos inusitados, mortes de travestis apenas pelo simples fato de se ter preconceito, o sofrimento vivido por Daniela com clientes e as drásticas mudanças ocorridas na vida da mesma, juntamente com o surpreendente término dessa história verídica da escritora Adelaide Carraro, transformam este livro em uma leitura recomendadíssima

Entretanto, “O Travesti” não é um bom livro no que se refere ao contexto gramatical: o excesso de palavras escritas de maneira errada tornam a leitura um pouco desgastante. Tudo indica que a autora optou por deixar os erros gramaticais para dar ênfase na falta de instrução de Daniela, e fazer o leitor pensar sobre como a educação brasileira é pífia e não traz oportunidades para todos os brasileiros, fazendo vários deles terem que acabar caindo em um caminho árduo e doloroso: a prostituição.

 

Resenha – Cai o Pano

Confesso que o último caso do detetive Hercule Poirot juntamente com seu companheiro Hastings me causa não apenas uma melancolia pelo final de uma grande parceira (se não for a maior, tal qual Sherlock e Watson!), mas também uma espécie de “frisson” incrível por conta da genialidade do desfecho da obra!

Poirot volta para a mansão onde ele resolveu seu primeiro caso da gloriosa carreira que construiu em 1920. Agora o ano é 1974! Que longevidade do detetive belga! (Vale lembrar que esta obra foi escrita em 1940 e acabou sendo publicada logo após a morte da Rainha do Crime, a pedido da mesma). Entrevado em uma cadeira de rodas, ele convoca seu companheiro Hastings para uma busca que beira a margem do impossível: vários assassinatos estão acontecendo e os possíveis suspeitos sempre são pessoas próximas da vítima.

Da forma como os crimes estavam sendo cometidos, a ideia natural é de que a culpa seja sempre colocada no suspeito mais provável. Entretanto, Poirot encontra uma solução para a série de crimes cometidos: a possibilidade de existir um assassino em comum a todos os crimes no qual ele chama de X.

A forma como a investigação é realizada pelo detetive belga e a resolução do caso são dignas de um gran finale que somente a Rainha do Crime conseguia fazer em seus livros. Quando eu terminei de ler a obra, passei a admirar mais ainda a genialidade da autora: em seu último, tivemos um assassinato perfeito que não poderia ser detido de uma maneira comum e um crime realizado de forma magistral, milimétrica e repleta de surpresas!

Deve-se destacar ainda nas linhas desta resenha a morte de Hercule Poirot, bem como a sua emocionante carta de despedida enviada ao capitão Hastings quatro meses depois de seu falecimento. Dificilmente os fãs do genial detetive belga não irão se emocionar com as últimas palavras de Poirot ao seu velho parceiro de aventuras.

Boa leitura!

Resenha – O Capital

A principal obra sobre a ideologia proposta por Karl Marx é admirada não só por marxistas e indivíduos de cunho socialista, mas também por estudantes de diversas ciências, filósofos, doutores em diversas áreas e leitores em geral. Por se tratar de uma obra clássica esta deveria ser uma leitura obrigatória para todos os estudantes.

Marx explica em sua obra como funciona a sociedade capitalista, descrevendo suas características implícitas dentro das civilizações que a representam e como ela é organizada e fundamentada. A definição do capitalismo proposta por Marx utiliza a tese de que o trabalhador não obtém vantagens e subsídios necessários com o capitalismo, gerador do acúmulo de riquezas que o faz trabalhar e ganhar menos do que deveria, além da concepção sobre o pilar fundamental do acúmulo de riquezas nesse sistema econômico que é o valor de riqueza juntamente com o valor de troca.

A obra originalmente escrita na época foi dividida em quatro volumes, cada uma abordando sobre um determinado aspecto do capitalismo: O Processo de Produção do Capital (publicado em 1865); O Processo de Circulação do Capital (publicado em 1885); O Processo Global da Produção Capitalista (publicado em 1894) e Teoria do mais Valia (publicado em 1905). Os três últimos volumes foram publicados após a morte de Marx, ficando a responsabilidade da edição das obras para Engels, seu seguidor na teoria marxista.

A ideologia marxista prega a concepção de que o capitalismo deve ser extinto por meio da revolução social e da ação contínua do proletariado contra este sistema que explora o trabalhador, não se importando com o mesmo e suas condições e oportunidades de crescimento, mas sim com o que ele está produzindo. Ela defende ainda a utilização do Comunismo como uma forma de governo igualitária no contexto social-econômico não só por meio da divisão de associações, mas também por uma economia que permita o benefício aos interesses da sociedade em geral.

Uma leitura recomendável para estudo e melhor entendimento de como funciona nossa sociedade contemporânea que gira em torno do capitalismo, e que permite reflexões que levam o indivíduo a pensar como construir uma sociedade mais justa no aspecto econômico, algo que reflete em todos os setores básicos da mesma.

Boa leitura!