Resenha – O Travesti

Certo dia eu estava passeando pela Biblioteca Municipal de Araçatuba, quando eu me deparei com um livro que continha um título e uma capa excessivamente chocantes para a sociedade: um elemento do sexo masculino virado de costas, com uma peruca loira e um título que descrevia aquela figura com uma afirmação: “O Travesti”.

Assim sendo, me interessei pela leitura que, como todos os outros livros que envolvam homossexualismo e prostituição, contém um conteúdo polêmico e de cunho reflexivo para a sociedade contemporânea.

O livro é uma narrativa em primeira pessoa de Daniela, um travesti que vivia no mundo da prostituição durante a década de 80, época no qual o homossexualismo era excessivamente condenado e perseguido pela sociedade por causa da proliferação da Aids. Daniela sabia dos riscos que corria por causa desse fato, mas ela não tinha escolha alguma: precisava e necessitava da prostituição para sobreviver, ou morreria de fome.

Repleto de casos inusitados, mortes de travestis apenas pelo simples fato de se ter preconceito, o sofrimento vivido por Daniela com clientes e as drásticas mudanças ocorridas na vida da mesma, juntamente com o surpreendente término dessa história verídica da escritora Adelaide Carraro, transformam este livro em uma leitura recomendadíssima

Entretanto, “O Travesti” não é um bom livro no que se refere ao contexto gramatical: o excesso de palavras escritas de maneira errada tornam a leitura um pouco desgastante. Tudo indica que a autora optou por deixar os erros gramaticais para dar ênfase na falta de instrução de Daniela, e fazer o leitor pensar sobre como a educação brasileira é pífia e não traz oportunidades para todos os brasileiros, fazendo vários deles terem que acabar caindo em um caminho árduo e doloroso: a prostituição.

 

Resenha – Assassin’s Creed – Renascença

Apesar de nunca ter tido um video game , eu sabia que Assassin’s Creed – o livro – é baseado no jogo. O que é algo completamente novo – e estranho – para mim. Pelo que entendi, o video game em si, se passa em 2000 e alguma coisa. Já o livro se passa lá em 1400 e  bolinha – na época de Leonardo da Vinci, Boticelli, Lorenzo de Médici e Maquiavel , que fazem aparições importantes no livro.

É isso que dá convidar um historiador para escrever o livro. Esse é um ponto positivo – adoro a mistura de personagens reais em histórias de ficção. E mais ainda se tudo isso se passa na Itália Renascentista que eu adoro mais.

O livro começa com dois grupos de jovens brigando na rua (meninos..pfff). Os Auditore e os Pazzi vivem se enfrentando e se jurando de morte. Ezio Auditore é filho de Giovani que é banqueiro. Os Pazzi também são banqueiros. E os Médici também (é muito banqueiro para uma cidade só, eu diria). Tudo se passa naquela Florença histórica de uma Itália que se tornava o centro cultural e econômico do mundo.

Ezio Auditore está sendo treinado para ocupar o lugar do pai, apesar de não achar isso muito fantástico – afinal, quem quer ser banqueiro quando se pode brigar na rua o dia inteiro? A história começa de verdade, quando seu pai, seu irmão mais velho (e ídolo) e seu irmão mais novo são enforcados em praça pública julgados como traidores. Ezio se vinga dos assassinos de seus familiares e foge com a irmã e a mãe para uma cidade próxima onde ele aprende mais detalhes sobre seu pai e suas reais origens quando encontra seu tio Mário.

Ele descobre que seu pai era membro do Credo dos Assassinos que existe com o único propósito de matar todos os Templários que restaram na Europa. Os Templários haviam ultrapassado os limites e chegaram a dominar as políticas econômicas da Europa. Agora estavam tentando dominar também a política através da corrupção das instituições do Governo – o que vai de encontro aos preceitos da Igreja, certo? ERRADO! O Papa apoiava os Templários e “abençoava” as suas atividades. Aliás, diversos padres se tornaram assassinos de forma a garantir o sucesso dos Templários.

Apesar do enredo encher a boca dos fãs de História, o porção “História” em si do livro é bem pequena. Além disso, o livro tem uma linha do tempo estranha. Quando você chega ao próximo parágrafo já se passaram 2 anos, às vezes mais. A escrita é simples e fácil de compreender, mas o tempo fica um pouco perdido. As cenas de luta são bem parecidas umas com as outras o que às vezes me dava vontade de pular essas partes.

Leonado da Vinci tem um dos papéis mais importantes. No livro, ele é um artista em começo de carreira mas com uma fama que começa a se espalhar pela Itália. Seu auxílio é primordial para Ezio conseguir entender as páginas do códex – páginas soltas que Ezio encontra e que revelam coisas diversas como desenho de armas, história e etc. O papel principal do codéx, no entanto, é revelado mais ao final do livro quando entendemos que ele é, também, um mapa.

Porém, as páginas estão codificadas e espalhadas pelo mundo. Ezio as encontra, muitas vezes, junto aos que ele assassina. Quase no final do livro se descobre o que essas páginas realmente revelam e a história toda vira uma caçada ao tesouro.

Algo que me incomodou muito foi o subterfúgio de “ouvir a conversa dos outros”. Muitas vezes – tipo…trezentas vezes – Ezio ouve conversas interessantes de seus inimigos que têm a ver com ele e com planos que são importantes para a história (que coincidência!!). Isso acontecer uma ou duas vezes, vá lá, mas quase toda vez que ele se aproxima de um inimigo eles ou estão falando dele ou de seus planos maléficos para conquistarem o mundo. Isso me pareceu um recurso do autor para complementar a história sem ter que pensar muito ou ser criativo em como esses planos viriam à luz. É algo que fica chato e me deixou impaciente para terminar o livo logo.

Quem já leu O Código Da Vinci pode sentir um pouco de “dejá vu”. O livro todo parece que veio de algo que já li antes. Ele é, sim, bem escrito mas talvez algo tenha sido perdido na tradução. Pode ser também que a história seja baseada em algo do qual já se falou muito. Talvez alguém que nunca tenha lido nenhum livro sobre Da Vinci, Templários, Cruzadas e etc, sinta que a história é nova e cheia de coisas interessantes.

Faltando 50 páginas para acabar o livro eu estava muito, muito impaciente e mal via a hora de acabar. Só me segurei para não abandonar o livro porque tentei manter um fiozinho de esperança de que a coisa ia melhorar. Sem sucesso. Não há supresas agradáveis ao final do livro.

Resenha – O Império das Formigas – vol. 1

Vol 1. As Formigas

Comprei essa trilogia porque eu não acreditava que um livro de romance e ficção de qualidade pudesse ser escrito tendo formigas como tema principal. É um velho preconceito que tenho com qualquer coisa que ameace a minha comida.

Decidi que iria ler sem preconceitos.

O primeiro volume é, facilmente, o livro mais estranho que já li. A história é dividida entre o Império das Formigas Ruivas, textos da Enciclopédia de um genial biológo que passou a vida estudando formigas e o sobrinho deste biólogo que herda a casa do tio e encontra um porão muito suspeito.

Jonathan – o sobrinho de Edward (o biólogo) – é um adulto meio criança que está desempregado. Quando herda a casa do tio que faleceu, ele acredita que tirou a sorte grande pois ele e a família já não tinham para onde ir. Tentando conhecer mais sobre seu salvador, ele vai entrevistar algumas pessoas que conheceram seu tio. Descobre que Edward não era uma pessoa agradável apesar de ser extremamente inteligente. Sua avó lhe entrega um bilhete do tio que diz para ele não entrar no porão sob nenhuma circunstância.”. Mas, claro, isso não adianta de nada. Jonathan ainda é uma criança curiosa.

Ele vai ao porão e passa cada vez mais tempo lá embaixo construindo alguma coisa. Sua família e relações sociais se tornam algo totalmente secundário à sua curiosidade. Nesse sentido, percebemos que esse é também um traço entre as formigas.

Simultânemanete, o autor nos apresenta a história das Formigas. Na verdade, além de ser uma aula sobre a organização social e política das Formigas Ruivas, é também uma aula de biologia sobre a forma como as formigas são constituídas e para que serve cada parte de sua antena e seu corpo. É definitivamente impressionante.

A história das formigas começa quando um macho sexuado vai com um grupo de formigas guerreiras patrulhar o terreno ao redor do Formigueiro. Ele se dispersa do grupo e, ao retornar, percebe que todas estão mortas mas não se sabe como. Ele institivamente percebe uma ameaça e retorna ao Formigueiro para alertar as demais.

Apenas duas companheiras acreditam nessa ameaça e aceitam ajudá-lo.  No entanto, elas rapidamente descobrem que nada é tão fácil quanto parece. Durante as expedições para buscar informações, elas descobrem um grupo de formigas “com cheiro de rocha” que ativamente tentam impedir a busca, aumentando a desconfiança de que há alguma coisa errada.

Nesse caminho, elas passam a conhecer cada vez mais da sua própria sociedade e também dos seres que vivem ao seu redor. A idéia de liberdade e hierarquia é questionada algumas vezes mas nunca o suficiente para levantar uma rebeldia completa. Mas a semente já está colocada.

Entre essas duas linhas de histórias, temos trechos da Enciclopédica dos saberes relative e absoluto de Edward que fala sobre seus estudos sobre as Formigas e os homens.

A história é bem escrita e bem amarrada com um final parte supreendente, parte estranho. No entanto, esse final dá o tom para o 2o livro da trilogia. O que fica claro, é que, como os humanos, as formigas se organizam em sociedade. Mas, diferentes de nós, todo o seu trabalho e pensamento é voltado para essa sociedade. Não há um senso de “eu”no Formigueiro e nem dúvidas sobre a forma como tudo deve funcionar.

De certa maneira, as Formigas vivem a utopia de uma sociedade igualitária que os homens sempre buscaram mas que sempre acabava corrompida pela ganância e o interesse daqueles que estavam no poder. Mas não é só isso…o livro deixa claro o desprezo com que o homem trata os animais ao seu redor e seu habitat.

O biólogo estudava uma maneira de se comunicar com as formigas utilizando a codificação dos feromônios pois o homem tende a temer o que ele não entende mas apenas se tiver tamanho para o assustar. É um terrível erro.

Resenha – A Privataria Tucana

Decidida a provar para o meu pai que nenhum político é livre de corrupção, comprei o Privataria Tucana de presente para ele. Em uma conversa, alguns dias antes, ele tinha mencionado ue pelo menos nunca tinha ouvido nada sobre o Serra para questionar se ele era corrupto ou não. Mas isso, claro, se explica na parceria que o partido tucano tem com alguns meios de comunicação de São Paulo que publicam mas não questionam e nem vão à fundo na investigação quando se trata de ataques ao PSDB.

Obviamente, não é porque o livro acusa Serra de participar de esquemas de lavagem de dinheiro que isso se torna automaticamente verdade. No entanto, o livro traz cópias de documentos oficiais que achei interessante envolver nesse debate com o meu pai. Por fim, ele leu o livro e decidiu que não valia a pena votar em ninguém esse ano. Está analisando ainda o que fazer, mas a semente da dúvida sobre a idoneidade de Serra já foi plantada.

O autor – Amaury Ribeiro Jr. – é jornalista e já trabalhou em diversas publicações pelo Brasil. Escreveu alguns outros livros sem chamar muita atenção. O livro conta as tramóias envolvendo José Serra, familiares e amigos na criação de diversas empresas localizadas em paraísos fiscais com o intuito de lavar dinheiro. A temática é simples e a proposta é clara.

A minha intenção ao ler o livro era entender como esse processo de lavagem de dinheiro funcionava. Como uma pessoa sem formação em economia ou corrpção, esperava que o livro elucidasse as questões pertinentes ao processo. Não fui muito feliz. Entendi, sim, como funcionam as empresas de fachada e os paraísos fiscais. Mas alguns conceitos continuam sem explicação para mim (como internação de dinheiro).

Além disso, o livro é repleto de ataques diretos e comentários fora do lugar. Claro, eu já imaginava que o tom de acusação estaria presente mas o que parece ter escapado ao autor (e ao editor) é que, ao acrescentar esses ataques no texto ele entrega à oposição a munição para descaracterizar o livro. Ou seja, o que os tucanos estão dizendo é que o conteúdo de Privataria Tucana não passa de “intriga da oposição”.  O livro definitivamente não se trata apenas de uma análise documental. E essa é sua maior fraqueza.

Os documentos apresentados são interessantes e mostram o que todo mundo já sabia/suspeitava – Serra operou (passado e talvez presente) uma verdadeira lavanderia desde seus anos como Ministro da Saúde no Governo FHC. Alías, essa é uma outra questão interessante. O autor faz questão de mencionar Serra e FHC juntos quase sempre. Como se as provas contra Serra incriminassem FHC por tabela, apesar de não ter nenhuma prova concreta contra o ex-Presidente.

Além disso, a organização do conteúdo é confusa. Os anos estão misturados e, muitas vezes, o autor foca em um assunto e depois retorna ao mesmo tema em um capítulo à frente sob outro ângulo.  É uma forma de escrever típica de jornalistas de revistas e jornais que não possuem muito espaço para elaborar o texto então focam nas provas e comentários específicos. A diferença é que em uma revista ou em um jornal, não há espaço para o leitor se confundir e também, no livro, eles podem ser mais dinâmicos nas explicações.

Em linhas gerais, acredito que seja uma leitura válida. Primeiro, claro, para derrubar a idéia de idoneidade política do PSDB e, segundo, para exercer um julgamento próprio. Política, muitas vezes, envolve paixão e opiniões fortes e já pré-estabelecidas. Então, com uma mente aberta, é possível fazer algumas perguntas que podem derrubar opiniões ultrapassadas.