5 às 5ªs – Livros para crianças/adolescentes.

Aproveitando a semana das crianças, fiquei com aquela vontade de listar alguns livros que li quando criança ou mesmo quando já adolescente e ainda um livro infantil que li recentemente e gostei muito. Tentei me lembrar de um específico que minha mãe leu quando eu era bem pequeno, quando estava aprendendo a ler. Era um livro sobre uma girafinha falante ou fofoqueira, mas não me lembrei do nome, só me lembro que foi um dos 1ºs que tive contato e me trás boas recordações.

1 – O Pequeno Príncipe – Antoine De Saint-Exupéry: livro de miss e livro infantil são algumas indicações para tal obra. Eu posso dizer que quando o li, fiquei me questionando se quando alguém o lê, acredita mesmo nesses “adjetivos”. Assim como a minha 5ª escolha (que está mais à frente), O Pequeno Príncipe possui mais do que podemos imaginar a priori. Não era minha escolha de cara, exatamente por isso, pois muita ideia depreciativa se faz do livro, mas está aqui porque conta a historia de uma criança, cheia de sonhos, de criatividade, sem qualquer limite. Como um pequeno filósofo que a vida não podou a imaginação, a simplicidade, as virtudes e a inocência;

2 – Robin Hood – Howard Pyle: desde pequenino, sempre gostei muito de aventuras e tinha alguns heróis que ficava imitando. É certo que minha visão, atualmente, dos heróis é bem diferente da visão que tinha quando criança, mas posso dizer que continuo fã de alguns deles e Robin Hood sempre esteve entre meu imaginário como “exemplo a ser seguido”, no que tange em defender os fracos e oprimidos. Li o livro quando era um adolescente entre 09, 11 anos e me recordo muito bem que a edição começava com um garoto matando um veado na floresta e homens do rei queriam prende-lo. Várias edições saíram, muitas versões foram criadas e em outros diversos formatos trabalharam a história, mas o que ainda continua sem mudanças, é que o fora-da-lei de arco e flecha continua roubando dos ricos para dar ao pobres;

3 – Robinson Crusoe – Daniel Defoe: outra história de aventura que guardo muito bem na memória. Dessa vez não há um herói que luta pelo bem dos outros, mas temos um sobrevivente e esse tipo de enredo mexeu bem com a minha cabeça de adolescente. Um cara sobrevive a um naufrágio, está “só” em uma “ilha deserta”, vai vivendo com o que lhe aparece à frente e enfrentando adversidades sejam naturais ou não, conhece um nativo e o chama de Sexta-Feira (o conheceu nesse dia, pelas contas dele) e ambos criam um laço de amizade que os ajudam a passar o tempo e a conviver com a solidão e a encarar os perigos que venham a existir;

4 – Gibis: sou mesmo amante de quadrinhos, colecionava gibis quando muleque, fosse de personagens da Disney, Dc ou Marvel, só não era consumidor da Turma Da Mônica. Estou incluindo “gibis” nessa lista para defender que a leitura deles ajuda mais do que alguns pais ou educadores possam acreditar. O gibi ajuda muito não somente como alternativa de entretenimento, mas também auxilia na construção da criatividade, na formação cultural, no crescimento imaginativo e intelectual, e também no desenvolvimento da língua. Não há gibis com a gramática ou escrita errada, os argumentos são bem escritos, dependendo da faixa etária dos leitores;

5 – A árvore Generosa – Shel Silvertein(adaptado por Fernando Sabino): eis uma historinha graciosamente lindinha e cheia de significado. Conta sobre a amizade e o amor entre uma árvore e um garoto. Ambos vão crescendo, sempre em contato. O tempo vai passando, a árvore sempre dá à ele o que ele pede, deseja e precisa, mesmo com o garotinho se tornando um jovem e logo depois um adulto, mesmo quando a relação passa por momentos diversos, quando o tempo e a vida faz o garoto/rapaz/homem mudar de atitude e prioridades, a árvore continua ali, amando-o e esperando-o, pronta para para deixa-lo feliz.

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Resenha – Jogada Mortal

A história desse livro está ligada diretamente à de Quebra De Confiança. Os acontecimentos do livro passado não interferem nesse, mas podemos percebe-lo como sequencia imediata. Se no outro acompanhamos a vida de um jogador de Futebol Americano, dessa vez nos ligamos ao mundo do tênis, com um incidente que ocorre durante o Aberto dos E.U.A.

Valerie Simpson, uma, outrora, jogadora de extrema relevância para o esporte e que por um período passou por momentos delicados, é assassinada durante uma partida onde o maior astro do momento, Duane Richwood, está jogando. Ela foi morta entre muitas pessoas, mas ninguém foi capaz de identificar o atirador entre a multidão.

Myron, descobre, logo em seguida, que Valerie estava atrás dele, não só para ser seu agente, mas também para poder ajuda-la. Quando Bolitar sabe disso, não há caminho de volta, ele irá até o fim para revelar qualquer segredo, doa a quem doer, mesmo que isso envolva pessoas próximas e que sua vida corra risco. Mas o que ninguém pode se esquecer, é de que existe um cara extremamente amigo e especial na vida do nosso herói. Win. Não somente um sócio, mas o cara que está pronto para tudo, a qualquer hora, em qualquer lugar e com disposição para fazer o que tem que ser feito…

Bolitar se envolve na vida dos seus agenciados, corre atrás de informações sobre o passado daqueles que quer defender, limpa a barra de injustiçados, mesmo que esses sejam pirados e se indigna com o poder e a impunidade que alguns insistem em vislumbrar. Ele faz mais do que aparentemente seria o normal em uma situação dessa e encara as consequências e respostas com a integridade daquele que busca a honra acima de tudo.

Pelos 3 livros que já li de Harlan sobre Bolitar, é possível perceber que o autor tem uma motivação impar, trabalhar questões familiares. Nesses livros nos deparamos com segredos obscuros, passados perturbadores, justiça cega e situações onde entendemos que a subjetividade de quem observa tudo, pode interferir no que é preciso ou possível fazer. Myron não é somente um sujeito que quer ajudar, ele também sente uma vontade justiceira de descobrir a verdade, mas algumas vezes ele vê que a verdade pode estar além de sua capacidade de ação ou que, por mais que ele não queira, é necessário agir de forma incisiva em relação ao que está à frente e ai, talvez, fica claro que o certo ou errado, depende muito do que é preciso. Já para Win, é tudo preto ou branco…

Quando escrevem que Coben é o senhor das “noite em claro”, não estão de brincadeira. Não é somente gostoso ficar lendo os romances dele, é incrivelmente instigante todo a trama criada, os laços que envolvem tudo que o acontece é de uma criatividade impressionante. Já quero todos os livros com o Bolitar como protagonista e logo em seguida vou ler os outros, para me certificar que o autor é mesmo um gênio.

Um adendo que não posso esquecer: acertei dois nomes no jogo de charadas sobre o seriado Batman que Myron e Win “brincam”. Sabia que Cesar Romero foi o Curinga e que Bruce Lee interpretava Kato, mas não aceito que ele possa estar no meio ali dos vilões no jogo não viu, kkkk (sei algumas coisitas sobre os dois Bruce, Lee e Wayne). 

Terça De Quadrinhos – Frankenstein

Quem aqui conhece a história do doutor Frank e sua criatura? Já tivemos a oportunidade de acompanhar esse drama de horror pela literatura e através do cinema. Desta vez podemos conhecer tal história pelos quadrinhos, o que percebi ser uma ideia interessante.

É interessante saber que Mary Shelley criou seu Frankenstein a partir de uma roda criativa entre amigos. Byron (Lorde Byron que conhecemos, romântico inveterado, poeta desvairado e extravagante bon vivant, no que tange a aproveitar a vida sem restrições) incentiva aos colegas a escreverem contos de terror. Depois de passar momentos de “folha em branco”, Mary consegue imaginar sua maior obra.

O enredo de Frankenstein é contado através de cartas, entre um capitão de navio e sua irmã. O capitão (Robert Walton) de uma expedição pelo Polo Norte avista, junto a sua tripulação, um ser gigantesco, anormalmente maior do que um homem comum, vagando pelas geleiras e depois se deparam com Victor Frankenstein, um médico em busca de redenção, já moribundo. Walton o salva e Victor conta toda sua história até o momento em que já estava ali, à beira da morte.

Frankenstein é um garoto incrivelmente interessado no oculto e naquilo que reflete o que está além do puramente físico. Quer descobrir o segredo da vida e como burlar as leis que regem tal segredo. Ele cresce, estuda e se forma médico. Mas o médico não quer apenas curar, quer também vencer a morte. Em um experimento, consegue, depois de enorme e dramático esforço, “montar” uma criatura que vive, que respira e que, como o tempo, pensa. Mas tudo vai além do esperado e o horror e desespero de almas despreparadas para tal empreitada, traumatizam um ser já atormentado, que está além da vida e da morte. A criatura deseja uma companheira, a solidão a assola e o que poderia ser uma vitória de um homem, acaba se transformando em seu maior pesadelo, cheio de terror.

Esse quadrinho é bem leve na verdade, não transmite de forma fantástica toda a dramaticidade que o livro possui e merece, mas vale como uma introdução para adolescentes. Os traços não incomodam e são até condizentes com o que é proposto. A argumentação foi trabalhada pra não ficar somente com as falas clássicas em balões, mas também em pequenos textos que ligam um quadrinho ao outro e isso ajuda ao desconhecido à entender um pouco esse clássico da literatura do Terror.

Indico para uma iniciação breve, mas já digo que é preciso ir além e desfrutar do livro em questão.

Café Do Poderoso – Sansa/Arya

Vamos falar hoje sobre os capítulos de Sansa (pág. 293), Arya (pág. 303)

Paty

Sansa

Eu fiquei chocada com esse capítulo. Fazer Sansa casar com Tyrion é uma coisa, mas fazer isso completamente de surpresa é demais. Mostra que os Lannister não pensam duas vezes para chegar onde querem. Apesar de Sansa não ser uma das minhas personagens preferidas fiquei com dó da menina…acabar com as idéias românticas dela dessa maneira foi crueldade pura. A forma como ela se submete a ele…”senhor isso, senhor aquilo…”…eu realmente fiquei com pena dela.

O choque de Sansa e o desgosto de Tyrion…a receita para o casamento perfeito, não?! ¬¬. O que penso é que Tyrion pode ajudar Sansa a desenvolver uma mente política que pode ser interessante. Se pensarmos no contexto, esse seria um dos casais mais fortes do reino, por enquanto. Duas famílias tradicionais e fortes (ainda que uma esteja sofrendo) unidas em casamento é uma arma política razoável. Quero ver o que vai acontecer quando Robb e Catelyn descobrirem desse casamento. O.o

Arya

Capítulo leve, direto que mostra que Arya está seguindo o caminho imposto a ela. Mais uma vez, senti que algo está começando ou vai começar logo entre ela e Gendry.  Mas confesso que eu ainda estava sob o efeito do capítulo anterior para realmente prestar atenção nesse. Vai ver é por isso que quase nada acontece…para que o leitor possa respirar um pouco.

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Ragner

Sansa

Eis que temos casamentos entre Sansa e Tyrion. Não me pareceu diferente do que imaginava. O rei fez pilhéria, o anão o enfrentou e a mão se interpôs, e para manter as aparências, tudo foi sendo empurrado de forma cretina para que Joffrey continuasse crendo em sua “majestade”.

Acreditei mesmo que Tyrion chegaria a consumar algo sexual, mas ele, mais uma vez, mostrou que é mais centrado do que já imaginava.

Arya

Sendo uma das minhas personagens principais, sempre quero que os capítulos dela tenha muita informação, ação, trama alucinante e por ai vai. Gosto pelo menos de algum acontecimento inusitado, mas não foi o caso dessa vez. Tal capítulo foi apenas uma passagem sobre que rumo ela está tomando e como está vivendo as situações que a rodeia.

O único trem legal aqui foi a demonstração de ciúmes entre ela e Gendry. Gostei deveras disso.

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QUER GANHAR O 4o LIVRO DA SÉRIE?

O Poderoso começa hoje o sorteio do 4o livro da série – Festim dos Corvos.

Todos os participantes do Café serão inscritos no sorteio dentro das regras abaixo:

– O participante deve comentar no Café e ler o livro com a gente

– Curtir nossa página no Facebook.

– Cada comentário gera uma inscrição. Quanto mais você comentar, mais chances você tem de ganhar.

– Não há custo algum de envio para o vencedor.

– O sorteio é aberto para todo o Brasil.

– O resultado sairá na metade da leitura de A Tormenta de Espadas no Café – na página 422.

Ao final do capítulo sobre o Bran. PARTICIPE!

Resenha – Quebra De Confiança

Esse o primeiro livro que temos Myron Bolitar como protagonista, mas é o 2º que leio com ele(o 1º foi Alta Tensão). Estou viciando nas tramas que Harlan Coben cria em torno do ex jogador profissional e agora agente de desportistas que se envolve de forma bem pessoal em tudo o que faz. Passa a ser babá, ouvinte, advogado (é formado para isso), amigo e detetive quando algum agenciado precisa de sua ajuda.

Acompanhamos dessa vez a história do maior astro do Futebol Americano do momento, Christian Steele, que está a ponto de assinar um contrato milionário com uma grande equipe. Um envelope chega à suas mãos e abre uma ferida antiga, que poderia fazê-lo ficar sem saber como agir em um momento tão importante de sua vida, mas Steele é um rapaz diferenciado, centrado, que parece saber lidar com a pressão (é possível perceber isso durante a história). Por mais de um ano sua noiva, Kathy Culver,  está desaparecida, todos acreditam em sua morte, mas uma foto sua está estampada em uma revista pornô, vendendo um anúncio de disque sexo, remonta um passado de perversão e orgia. Uma parte negra e desesperada da vida dela.

Será possível que ela estivesse viva esse tempo todo? Será que alguém está interessado em prejudicar a carreira do novo astro? Será que a história vai além do que simplesmente parece?

Steele pede ajuda a Myron para descobrir se Kathy ainda está viva e o que a revista tem a ver com isso. Bolitar (como sempre se envolvendo mais do que profissionalmente com seus agenciados e tentando ajudar a quem precisa) corre atrás de respostas e entre idas e vindas atrás de pistas ele encontra Jessica Cluver (irmã de Kathy e sua ex-namorada), um amor antigo com um final mal resolvido. Ao saber que o pai delas foi assassinado recentemente, tenta descobrir se o sumiço de 1 ano atrás relacionado.

Myron vai descobrindo segredos familiares, discutindo sobre ações que corrompem pessoas, sobre limites ultrapassados quando se está em desespero. Tudo isso com a ajuda dos inseparáveis amigos Win e Esperanza.

Harla Coben escreve com a primazia de quem controla as emoções dos leitores (eu leio rindo, impactado, apreensivo, surpreso). É impressionante a capacidade com que as tramas se desenvolvem e tudo fica tão bem construído para prender a atenção de quem está saboreando o enredo. Página por página, conversa à conversa.

Coben cria toda a história transformando Myron em um herói não somente crível como também consciente de todas as suas responsabilidades. Enquanto vai resolvendo algum caso, continua seu trabalho como agente e vai conduzindo sua vida com os pais da melhor maneira possível, o que é fantástico, pois o torna ainda mais humano. É viciante ler as histórias sobre ele, pois vamos percebendo que não é perfeito, possui algumas falhas persas e se garante mesmo em suas limitações (tipo quando AINDA se vê apaixonado pela ex, fala que a ama na frente dela e mesmo sabendo que está fazendo papel de bobo, se preocupa mais com a honestidade consigo mesmo sobre seus sentimentos).

Terça De Quadrinhos – A Odisseia

Eis uma história que permeia mitologia grega, alegorias de aventura e a defesa de um amor para toda a vida. Acredito que seja uma das maiores e conhecida história já contadas, divulgadas e trabalhadas pelo mundo inteiro (pelo menos no Ocidente). Literatura, Teatro, Cinema já adaptaram as desventuras de Ulisses e seus homens, dessa vez podemos acompanhar a trama atrás da 9ª arte.

Assim como no enredo criado por Homero, acompanhamos a viagem que Ulisses emprega para retornar a tua querida Ítaca e amada esposa Penélope que o espera junta ao filho. Dez anos durou a guerra de Troia e mais dez tal empreitada, e durante esse tempo, nosso herói passou por momentos de total provação física e psicológica.

A trama contada por Homero está fielmente explicada na HQ: Os homens de Ulisses que ficam “perdidos” sem lembranças em uma ilha após comer lótus; o cativeiro em uma ilha de Ciclopes e a luta para fugirem; as transformações em animais que acometeu sua tripulação na ilha de Circe (uma feiticeira); a passagem pela ilha das Sereias; o confronto contra Poseidon e depois o tempo em que ficou junto a Calipso para depois retornar de vez à sua terra. Durante esse anos, Ulisses teve o amparo ou desamparo dos deuses.

Ao chegar em Ítaca, Ulisses se depara com ex companheiros que desejam seu lugar e sua mulher, mesmo que para isso tenham que matar seu filho, que já é homem feito. Penélope faz o que pode para se manter fiel e casta, durante 20 anos vai rechaçando pretendentes e se esquivando como pode (iria desposar novamente quando acabasse de tecer um manto, mas tecia de manhã e destecia a noite). Como os anos se passaram e com Telêmaco (o filho) já adulto, ela foi obrigada a aceitar um novo marido. Uma prova de tiro com arco foi acertada, o vencedor a teria aos braços. Vários candidatos não conseguiam nem mesmo preparar o arco e então Ulisses, vestido como mendigo aparece, vence a disputa e depois, junto ao filho e à deusa Atenas mata todos os inimigos, reconquistando teu lar e sua vida.

O trabalho do ilustrador Jorge Gonzáles é interessante. Mescla o que parece ser um rabiscado simples com uma certa elaboração conceitual. Podemos vislumbrar uma técnica em que o desenhista se utiliza de contornos definidos e finalizados mesmo quando o rascunho ainda está presente, sem ser descartado. Os desenhos misturam a utilização de giz e lápis (creio que seja mesmo). Tal HQ serve como alternativa para aqueles que julgam enorme a narrativa de Homero, recomendo como opção válida. Claro que não traduz ou transmite toda a atmosfera e conteúdo do original, mas vale como referencia do que Homero escreveu.

Semana de Cinema – Ratatouille

Mais uma animação para alegrar essas nossas semanas de cinema aqui no Poderoso. Amo animações e dessa vez escrevo sobre minha 2ª favorita.

Acompanhamos a história de um ratinho com gostos e desejos comportamentais completamente dissociado da ninhada da qual faz parte. Que é capaz de compreender a essência do mundo culinário, melhor do que o próprio ser humano e que vive tentando ser respeitado em sua particularidade e excentricidade. Esse é o fio condutor dessa animada animação (!!!) que é dos mesmos criadores de Carros e Os Incríveis.

Remy (o rato) se perde dos seus e, pelo esgoto, chega à Paris, cidade Luz, cheia de referencias culturais e culinárias. Ele é um completo estranho no ninho, pois, além de ser um RATO, é do interior e Paris NÃO é uma cidade qualquer. Ao se deparar com a imensidão à sua frente, fica empolgado com tudo o que vê, ainda mais quando se percebe em um restaurante, O restaurante do seu ídolo maior Auguste Gusteau.

Se escondendo dos humanos e passeando pela cozinha do lugar, Remy conhece Linguini, um rapaz que começa a trabalhar no restaurante como ajudante e desse encontro, surge uma parceria capaz de criar um cozinheiro espetacular e cheio de criatividade. Linguini, sendo conduzido como marionete pelo rato mais que competente, vai ganhando prestígio, sem que as outras pessoas percebam a verdade entre os dois. Com o tempo os holofotes caem sobre o rapaz, que descobre que é filho de Gusteau, dono do lugar e que começa a ter um sucesso fácil. Normal que isso suba à sua cabeça e que comece a se sentir invencível. Os dois se desentendem e o que se segue depois é uma corrida para a reconquista da confiança, demonstração de amizade, questionamento sobre diferenças e a conclusão da máxima de Gusteau, de que nem toda pessoa pode se tornar um chef, mas que um grande chef pode surgir em qualquer “pessoa”.

O filme é lindinho demais. Discute questões de pré-conceito, humildade, amizade, coragem e transmite uma sensibilidade maravilhosa. Quando o rato começa a trabalhar como cozinheiro, ele não vê a diferença que o distancia das pessoas, ele se sente um igual, mas a realidade é infalível e nada “romântica”. Ele entende os medos da sua raça e se confronta com questões sobre desistir ou continuar, até que percebe que uma amizade verdadeira é capaz de superar a tudo e a todos. Remy e Linguini fazem uma dupla incomum, mas que preserva bem o esteriótipo de que o respeito deve haver em qualquer situação e mesmo que o seu parceiro seja levado por emoções de superioridade, o perdão e a honra de uma amizade, deve prevalecer.

Temos aqui personagens bem caricatos, o que acrescenta mais tons de “mensagem” no desenho. Pixar é muito conhecida não somente pelo bom gosto e espetacular trabalho de arte, mas também pela ideia de moral que transborda em seus trabalhos, seja algo corriqueiro ou fórmula já desgastada, ou mesmo pouco usual, o que importa MESMO, é que vale muito a pena sentar em uma poltrona e acompanhar os enredos envolventes que tais animações proporcionam.

P.S.:Ainda NÃO comi um Ratatouille, mas desde que assisti, fiquei com vontade. Quem sabe um dia.