Terça Dos Quadrinhos – Asilo Arkham

Nessa terça de quadrinhos, apresento à vocês uma Graphic Novel que fez minha cabeça (literalmente) quando eu era uma mero jovem rebelde sem causa, mas que já possuía um certo gosto por coisas mais adultas. Nunca fui muito fã de “mônica e amigos”, sempre preferi as HQs de heróis e posso dizer que essa, em especial, me mostrou um mundo novo.

O trabalho de arte na revista se mostrou único para mim, por anos não vi nada parecido e digo que tais ilustrações mexeram com minha cabeça na época. Além da história ser psicoticamente perturbadora, o trabalho gráfico, que parecem envolver pinturas, rabiscos, desenhos bem elaborados e fotografias reais, ajuda na construção enlouquecedora que o asilo proporciona. É mesmo IMPRESSIONANTE.

A história começa com um texto de Alice No País Das Maravilhas:

“_ Mas eu não quero encontrar gente louca – observou Alice.
_ Você não pode evitar isso – replicou o gato. – Todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco. Você é louca.
_ Como sabe que eu sou louca? – indagou alice.
_ Deve ser – disse o gato – ou não teria vindo aqui.

Lewis Carrol
Alice no País das Maravilhas”

Seguimos então com alguns escritos do diário de Amadeus Arkham, um garoto que perdeu o pai e que cuida da mãe doente para logo depois já sermos introduzidos de vez na história. O Asilo Arkham é tomado de motim, Batman é convidado a ir até lá pelo Curinga. O Palhaço do Crime está mais insano do que de costume e não resta nada a fazer a não ser o Morcego adentrar o lugar mais horrivelmente louco no mundo.

Aqui existe um enredo que nos atrai para uma nova apresentação do Homem Morcego, um ser que enfrenta seus temores e aceita suas psicoses. Somos envolvidos em um contexto onde o Batman é uma Alice e o Curinga é o Coelho Branco. Por isso somente, já nos é garantido um maravilhoso conto, mas temos mais, bem mais: Amadeus Arkham é um personagem presente, em forma de seus escritos no diário – a criação do asilo, sua família, sua vida, suas motivações -, os outros criminosos (Espantalho, Duas Caras, Cara De Barro, Chapeleiro Louco, Crocodilo), todos caracterizados de forma primorosa, de acordo com suas insanidades, confusões e medos, temos também alguns médicos psiquiatras que não são apenas reféns como intencionam continuar dentro do asilo apesar da confusão e então chegamos ao Dr Cavendish, o responsável por toda a loucura que acomete o lugar naquele dia, o responsável pela liberdade dos seus alucinados ocupantes e que encaminha o herói para o lado negro da sua própria loucura.

Eis uma Graphic Novel que vale muito a pena, tanto em argumento quando em arte. O clima tenso, soturno, doentio e psicodélico cria uma atmosfera até então desconhecida, pelo menos para mim, e acredito que tal HQ possa proporcionar uma experiência alucinógena para o leitor, se, então, ele estiver aberto para os tormentos que cada personagem propicia.

Terça dos Quadrinhos – 300 De Esparta

Frank Miller possui um estilo grandioso para suas ilustrações, essa é uma certeza que eu tenho. Nada dele é minimalista ou contido, pelo contrário, é impactante e muito bem evidente. Eu tenho alguns desenhistas como ídolos. Tipos como Marc Silvestre, Jim Lee, Todd McFarlane, Neal Adams entre outros, conduziram minha infância e juventude pelo mundo dos quadrinhos e posso incluir Frank Miller também. E nessa história, Miller, além de desenhar, cria todo o argumento. O que ajuda a caracteriza-lo como um artista fundamental para a história dos quadrinhos. Aquele que escreve é aquele que desenha também.

O enredo transita por personagens verossímeis e por argumentações reais, pois a história aconteceu verdadeiramente. A Batalha das Termópilas é um fato histórico que impressiona pela coragem, honra, companheirismo, lealdade e bravura. Os 5 capítulos dessa mini saga também indicam bem o significado da batalha: Honra; Dever; Glória; Combate e Vitória (mesmo que os Espartanos tenham perdido).

Somos enviados para o ano de 480 A.C. e apresentados à espartanos destemidos, que marcham para enfrentar uma guerra que poderia ser considerada perdida desde o começo, mas os 300 componentes se mostram mais preparados do que qualquer outro exército e, mesmo em número infinitamente menor, assustam a crescente persa. A HQ narra que o rei de Esparta, Lêonidas, recebe um mensageiro que trás notícias que obrigaria seu povo à prestar submissão ao “deus-rei” Xerxes, mas, com orgulho e resolução, o que ocorre é o lançamento de persas, horrorizados, a um poço profundo.

Com tal feito, o mundo grego vai à guerra, mas o espartano é diferenciado, tal povo é destinado à esse devaneio. O espartano respira batalhas, sonha com contendas e é forjados desde sempre para a luta. Leônidas recebe o recado de um Oráculo para não se confrontar contra Xerxes, mas esse já tem sua decisão tomada e nem discute, comunica, apenas, que dará um passeio, um passeio descompromissado com sua guarda de 300 homens, mas todos já entenderam seu desejo e sua rainha lhe ordena que volte “…com seu escudo…ou sobre ele.” Antes de partir, uma última reflexão ganha destaque: “Não há lugar para ternura. Não em Esparta. Não há lugar para fraqueza. Apenas os fortes e ásperos podem se chamar espartanos. Apenas os fortes. Apenas os ásperos.”

Leônidas era um perfeito estrategista, levou seu pequeno exército até um ponto que bloqueava a passagem de quem quer que fosse. As Termópilas eram um estreito, entre um desfiladeiro que caia no mar de um lado e uma muralha rochosa do outro. Os 300 se posicionaram em tal local até a chegada do gigantesco exército inimigo, que, aos poucos, eram eliminados. Cavalaria não passava por ali, o próprio Xerxes foi ter uma audiência com Leônidas, mas esse se garantiu inflexível e impossibilitado de ajoelhar perante ao “deus-rei”. A guarda pessoal de Xerxes, denominada Os Imortais, sangrou na 1ª noite. No 2º dia, mais homens, que tiveram a massa militar engrossada com “monstros”, foram exterminados pela astúcia espartana. O estreito ia se afunilando cada vez mais, com mais corpos e com mais raiva. Mas então o impensável acontece, uma traição inicia a derrota que já era dita como certa, mas que estava sendo adiada com verdadeira paixão pela glória da batalha.

Leônidas e seus 300 foram encurralados e mesmo assim não se renderam. Continuaram em formação até a última flecha caída. Em seu último pensamento, o rei assume: “…elmo é sufocante. O escudo pesado.“, mas o que parecia uma rendição, foi uma última investida para atingir Xerxes. “O elmo era sufocante. Limitava sua visão. E ele tem que ver longe. O escudo era pesado. Tirava o seu equilíbrio. E seu alvo está muito distante.“. Antes de ter o corpo cravado por flechas, Leônidas ainda conseguiu empunhar sua lança e mirar em Xerxes, que teve sua fase atingida, mas não foi o bastante para mata-lo.

Os 300 foram massacrados então, mas o exemplo deles ecoaram pela história e povos em guerra, povos que estudam estratégica ou conduta em batalha, acabam tirando um pouco de lição da bravura de tão poucos contra vários.

Essa é uma HQ, em 5 partes, que virou filme, onde o tal é uma copia PERFEITA. Tanto em imagem e fotografia quando em enredo. Vale muito a pena ler e assistir.

Domingo dos Quadrinhos – Marvels

MarvelsA Marvel é uma das duas principais editoras de quadrinhos, sendo acompanhada nessa posição pela também americana DC Comics. Seus super-heróis, como o Homem-Aranha, os Vingadores ou os X-Men, é que fizeram a fama da companhia ao longo dos anos.

Marvels é uma HQ que se utiliza desse universo criado, mas com um foco totalmente diferente. Um fotógrafo é o personagem principal, uma pessoa comum que vive entre pessoas comuns e de repente se vê cercado pelas mudanças trazidas pelo surgimento destes super-humanos. A estória se desenrola com base nisso, enquanto acompanhamos as diferentes abordagens das pessoas, da sociedade, com cada tipo de super-humano que surge.

O mais interessante no roteiro de Marvels é a diferente abordagem da sociedade com diferentes tipos de super-humanos. Os X-Men, por exemplo, são tratados com preconceito e ódio por serem humanos com mutações; já o Quarteto Fantástico ou os Vingadores recebem tratamento de reis por terem ao seu lado o dinheiro e as imagens de bons-moços. Esta relação é bem explorada na obra e é um dos destaques.

Mas não dá para falar de Marvels e não dizer que o destaque, de fato, é a arte. Magnificamente desenhada e colorida, Marvels ainda foi editado no Brasil com altíssima qualidade, com capas plásticas transparentes e um acabamento que salta aos olhos. A arte da obra inteira, em todas as suas páginas, é muito diferente do que comumente se encontra em HQs, com uma maior nuance de realidade. Para quem conhece os personagens que são envolvidos no roteiro, é realmente curioso vê-los com uma roupagem diferente.

Marvels é biblioteca básica para amantes das HQs ou dos super-heróis. E é um ótimo começo para quem, por exemplo, viu os filmes e quer se iniciar nesse trajeto.

Resenha – Playboy – As Melhores Entrevistas

Uma grande parte do público ainda possui uma visão estereotipada das revistas masculinas: pensa-se que as mesmas possuem apenas sacanagem, mulher pelada e mais nada que se preste.

Ledo engano. A Playboy, por exemplo, segue essa contramão com matérias inteligentíssimas e úteis sobre Moda, Comportamento, Contos e Humor voltado ao público masculino. Assino a revista desde 2009, e posso garantir: pode-se aprender muita coisa útil com este periódico.

Além do mais, existe algo que muitas vezes chama mais a atenção do que a mulher em destaque na capa de um respectivo mês: a entrevista! Sim! Acredite, amigo leitor! 🙂

Entrevistas polêmicas. Provocações de cunho jornalístico do entrevistador. A ira dos entrevistados em ter que responder ou pedir para não responder uma pergunta de cunho polêmico sobre sua pessoa. Uma verdadeira aula de reportagem protagonizada pela revista masculina mais famosa do mundo.

Essa é a temática do livro ‘Playboy – As Melhores Entrevistas’. Lançado pela revista em 2009, ano em que completava 35 anos de sua versão brasileira, a obra reúne 28 entrevistas que foram consideradas as melhores em toda a sua história: Ayrton Senna, Lula, Patrícia Pillar, Paulo Coelho, FHC, Pelé, Paulo Francis, Chico Buarque, Fernando Collor e Nelson Rodrigues são apenas algumas das personalidades que compõem as entrevistas deste livro.

A conversa entre os entrevistados gira em torno de tudo o que se possa imaginar: histórias de infância, pensamento ideológico, fatos inusitados e, claro, sobre o tal assunto que não pode faltar nunca: sexo.

Algumas entrevistas já ultrapassam os trinta anos de existência como a do ex-presidente Lula feita em 1979, época em que ele liderava a greve dos metalúrgicos e o PT ainda nem havia sido fundado. A mais recente foi a realizada com o escritor Paulo Coelho, de 2008.

Uma obra altamente recomendável, cheio de revelações, polêmicas e surpresas que você nunca esperava ler em toda a sua vida. Recomendo altamente a leitura do livro, PRINCIPALMENTE para estudantes de jornalismo. Pelas reportagens, o estudante que pretende trabalhar no “Quarto Poder” encontra o verdadeiro papel do repórter: questionar seu entrevistado sem medo algum, saber como encarar uma resposta negativa para uma respectiva pergunta e arrancar as respostas que precisa da melhor forma possível. E tudo isso sem perder a Ética.