Resenha – A vingança

A vingança é o segundo livro da série de Christopher Reich. Para saber sobre A Farsa – primeiro livro – clique aqui. Se continuar lendo, encontrará alguns SPOILERS do primeiro livro.

Você foi avisado.

O segundo livro começa exatamente onde o primeiro terminou. Emma foge e Jonathan está perdido entendendo apenas uma parte da coisa toda e sem saber o que fazer. Isso quer dizer que o livro já começa em um ritmo frenético e, seguindo o que o autor fez no primeiro livro, cada capítulo acrescenta intensidade sem revelar muita coisa.

Jonathan está tentando seguir sua vida enquanto espera Emma aparecer. Até que ela decide que precisa ir embora para sempre. Afinal, ela agora é a caça – a “inimiga n.1” dos Estados Unidos. Emma agora é uma fugitiva apesar de Jonathan não entender bem o impacto disso em suas vidas.

Na verdade, é possível perceber certa ambiguidade em relação a Emma. Ela não está apenas fugindo, ela está operando. Mas não sabemos para quem ou o motivo. E aparentemente ela tem uma relação pessoal com um determinado terrorista. Isso faz com que o livro continue um mistério total mesmo quando se está na página 250.

O que dá o tom de “quero saber mais” dessa vez é que em dado momento, Jonathan também passa a ser o alvo da polícia londrina. Isso porque, não vou entrar em detalhes, mas ele se vê bem no meio de um atentado muito sério e se torna o principal suspeito. O que a gente quer saber é como isso tudo vai ser resolvido.

“A vingança” mantém a sensação de “quero terminar logo o livro” porque aguça a curiosidade do leitor a todo momento. Cada capítulo traz mais informações e o quebra-cabeça, ao invés de começar a se solucionar, fica mais confuso. Um mérito de Reich.

É claro que algumas coisas são forçadas e às vezes você pode sentir que está vendo um daqueles filmes do Bond onde ele consegue levantar um avião que está caindo e pular para outro que também está caindo e fazê-lo planar normalmente ou, como chamamos atualmente: mimimi Hollywoodiano. A verdade é que eu estava começando a ficar irritada com um médico que sem qualquer tipo de treinamento em espionagem consegue escapar da polícia com tanta facilidade. Ele não poderia ter se tornado espião por osmose. Ou poderia?

Com tudo o que li no primeiro livro, eu realmente esperava algo mais nesse. Algo menos óbvio. De qualquer forma, é um bom livro para passar o tempo. E, infelizmente, é só.

Resenha – A farsa

Comprei esse livro sem grandes expectativas. Li na capa sobre o que era e vi que envolvia uma história de traição com espiões e aventuras internacionais. Já imaginei logo de cara Angelina Jolie e Tom Cruise arrasando na Suíça e bombas explodindo e tudo o mais. Mas realmente achei que a descrição que estava na contracapa do livro já me dava quase toda a história. Ledo engano.

A história começa nos Alpes Suíços quando Jonathan e Emma – marido e mulher e ambos membros da excelente organização Medico sem Fronteiras – estão escalando e o tempo está péssimo. Todo mundo no Brasil sabe que não se pode escalar quando o tempo está péssimo, certo? Pois é, uma avalanche está se aproximando e os dois têm que sair muito rápido do local. Emily acaba se machucando e Jonathan tem que ir atrás de ajuda quando percebe que o rádio não está funcionando.

Quando retorna, Emma sumiu. Jonathan descobre sua mulher morta não muito longe dali. Ao tentar se mover com a perna quebrada, ela caiu em um buraco muito fundo e não é possível ajudá-la. Ele só vê sangue por todo lado.

O livro já começa com um pouco de ação e uma morte. Excelente!

Ao mesmo tempo somos apresentados a Von Daniken – agente do Serviço de Análise e Prevenção da Suíça – responsável pela segurança interna do país contra extremistas e terroristas. (Terrorismo? Na Suíça? Eles não são café com leite?) Von Daniken perdeu a mulher e a filha em um acidente há 6 anos e vive sozinho. Ele começa a história já se intrometendo em um voo de agentes norte-americanos que transportam um prisioneiro para o Oriente Médio. (Pontos extras para ele).

Enquanto isso, Jonathan – lutando para superar a perda da mulher – recebe uma carta endereçada para Emily mas sem remetente. Ao abrir a carta, ele encontra dois recibos de bagagem. Começa a investigação! Ajudando ele, temos uma das melhores amigas de Emma – Simone. É nesse ponto que a história começa a pegar ritmo. E o ritmo não pára.

Quanto a Simone, ela é uma personagem periférica. Não faz muito, não fala muito, não tem grandes idéias – ela é o Robin. A típica companheira de um espião-fugitivo-marido traído-herói em uma história assim. No filme, ela seria uma atriz novata com seios generosos e que corre de salto o tempo todo. Chegou um momento em que eu me irritei por ela estar presente. Ela mais atrapalha do que ajuda e eu já teria entregado a maluca para a polícia no capítulo 2. Mas Jonathan, aparentemente, é melhor do que eu. Ainda assim, se ele tivesse seguido essa minha orientação, ele teria evitado uma super besteira que ela faz.

Os capítulos são curtos e, seguindo uma tendência nesse tipo de literatura, alternam as histórias. Além disso, em alguns capítulos pertinentes a Jonathan, a história se divide entre presente e passado com lembranças dele sobre sua história com Emma – como se conheceram e como o relacionamento se desenrolou até o trágico fim. Esse é um dos grandes trunfos do autor. Não tem como você achar que o livro vai dar uma acalmada. As perseguições, as mortes, as torturas, as lutas, as escapadas, as intrigas internacionais, tudo faz parte de um quebra-cabeça que o leitor fica empolgado para montar.

Até o meio do livro não se sabe quem é mocinho e quem é bandido, o que deixa o enredo ainda melhor. É um livro de leitura rápida e estimulante.

O ponto alto da história é quando começamos a entender um pouco do contexto. Isso acontece quando Jonathan vai até a casa de um possível contato de Emma, o encontra morto, rouba suas coisas e a polícia chega em cima da hora. Toda a polícia suíça já sabe quem ele é e agora ele pode ser indiciado como o assassino. É aqui também que os mocinhos e bandidos começam a se delinear. Mas nada está claro ainda. E já estamos quase na página 150!

Aos poucos começamos a entender que Jonathan está metido em uma super enrascada. E lendo o livro você se sente um pouco como ele, se perguntando o tempo todo: “O que essa Emma estava fazendo??”

Quando finalmente começamos a ver quem são os vilões da história, o autor não coloca os vilões óbvios: o russo branquelo, bebedor de vodca – e que por algum motivo eu sempre imagino de cartola – ou o chinês/coreano ditador de bigodinho que odeia o próprio povo mas odeia os Estados Unidos MAIS. Os vilões não são clichês. Muito pelo contrário. Eles são inesperados e muito reais! Quanto mais eu lia, mais eu pensava que tudo o que o livro descreve tem chance de acontecer de verdade porque ele baseou muita coisa nos problemas e paranóias internacionais que temos visto na última década.

Enquanto Jonathan é caçado, acompanhamos a descoberta de uma rede terrorista pronta para explodir um avião comercial com mais de 500 passageiros. Aos poucos, vamos descobrindo que tem muita coisa por trás disso. Uma das pessoas caçando Jonathan é o Fantasma. Chamado assim porque foi um menino basicamente treinada para ser assassino e, claro, passa despercebido além de ter uma habilidade incomum de se adaptar ao meio. Além disso, ele é um tanto…místico…e estranho. Até quase o final do livro não sabemos nada sobre ele além dessa pequena e simples biografia. Para quem ele trabalha é uma grande surpresa.

Aliás, o livro tem uma surpresa atrás da outra quando você passa da metade. A forma como os enredos se encontram e a história é amarrada é muito bem pensado. É o tipo de livro que você leva para todo canto caso apareça uma brecha enquanto você espera o pão de queijo para ler mais um pouco.

O único problema, é que encontrei alguns pecados de tradução. Pela primeira vez eu li o verbo “catar” em um livro. Além de soar feio, a frase toda fica destoante do resto. Para vocês: “Ele abriu a pasta e começou a revirar a papelada que catara da escrivaninha“. (Não sei…a culpa provavelmente é da minha ex professora de redação que nunca me deixou usar esse verbo mas enfim…)

Além desse, também vi Kaiser ser traduzido como cáiser. Em lugar nenhum eu vi esse tipo de tradução. Em qualquer livro de História se lê Kaiser e não entendi a necessidade de tropicalizar a palavra.

E nos capítulos finais “power” foi traduzido como “poder” quando queria dizer energia elétrica.

Mas são pequenas lombadas em uma história frenética que faz você esquecer esse tipo de coisa.

O livro é o primeiro de uma trilogia. O que quer dizer que Jonathan ainda tem muito soco para dar e receber. Aliás, a capa de trás diz que os direitos da história já foram comprados pela Paramount então logo menos teremos o filme. Vamos aguardar. Até lá, se você está procurando uma trilogia cheia de ação e sem nenhum tom de literatura adolescente, A Farsa é uma boa pedida.