Resenha – Festa no Covil

Festa no Covil toca em um assunto que muitos mexicanos não gostam de abordar: o tráfico de drogas. Mas não é um livro qualquer sobre o tráfico.  O livro é a visão do tráfico e toda sua cadeia de operação (assassinatos, suborno e etc) narrado em primeira pessoa por Tochtli – menino órfão de mãe e que mora com um pai em um palácio isolado do resto do mundo – e toda sua inocência.

À medida que vamos entendendo a realidade de Tochtli, temos aquele frio na barriga de que algo horrível acontece diariamente na casa desse menino – sem que ele entenda o que é de verdade. Ele cita as pessoas que trabalham para seu pai de maneira tão simplória que sua casa parece uma casa normal de um viúvo com um trabalho diferente. Eles têm muros muito altos, duas pessoas que fazem a segurança da casa, uma moça que limpa a casa e vive reclamando de como é difícil limpar sangue, um leão e dois tigres que se alimentam de cadáveres, um quarto só para sua coleção de chapéus e etc. Tudo isso contado como se fosse apenas mais um dia no parque.

O tempo todo, Tochtli nos conta sobre sua vontade de ter um hipopótamo anão da Libéria. A história gira em torno disso e o que entendemos do contexto da vida do menino é apenas o que ele nos passa. Ele é uma das crianças mais solitárias do mundo. Não tem amigos, não sai de casa quase nunca, não vai à escola, não tem diversos brinquedos. Quando não está estudando, ele joga playstation. Sozinho. Um de seus hobbies é ler o dicionário. Aliás, durante a história, ele usa palavras como “patético, sórdido, nefasto” que mostra que ele aprende as palavras e as utiliza ao máximo para entender seu significado. Isso pode ser porque ele não tem nenhum controle sobre o que acontece em sua casa. Os empregados do pai são “mudos” e me parece que ler o dicionário é a forma que ele encontrou de SABER, de pode EXPLICAR alguma coisa.

Tochtli tem acessos de mudez e dores de barriga – que um médico explicou que seria psicológico. Yocault – seu pai que não gosta de ser chamado de pai – tenta fazer o menino voltar a falar dando presentes. É um caso óbvio de um pai que quer proteger o filho do sangue dos negócios da família mas também precisa treiná-lo para assumir seu lugar. Por isso, ele permite que Tochtli assista ao espancamento dos traidores mas pede que ele saia quando estão prestes a matar o homem. A simplicidade com que o menino vê isso e desconcertante. Ele e Yocault brincam de uma maneira muito estranha – o jogo consiste em perguntas e respostas onde um fala o número de balas e uma parte do corpo e o outro tem que responder: vivo, cadáver ou diagnóstico reservado. Um ótimo jogo para uma criança.

A edição do livro é fantástica. O desenho da capa me lembra a “fiesta de los muertos” mexicana que tem tudo a ver com o contexto da história. Companhia das letras arrasou. O livro é curto, tem 77 páginas e a resenha de um crítico inglês no final. Algo que se lê em um Domingo de preguiça, com facilidade. Vale a pena!

Resenha – Xangô De Baker Street

Eis o 1º livro que li do gênio Jô Soares e, me parece, o 1º romance dele também. De cara o que me chamou a atenção é que a história enveredava por um enredo que contem uma paixão antiga: Sherlock Holmes. Li todos os romances que Conan Doyle escreveu sobre o detetive inglês e quase todos os livros que possuem contos sobre ele. A aqui escrita é bem cativante, o gênero escolhido atrai minha curiosidade e a forma de conduzir a trama é bem elaborada, envolvendo elementos ingleses com uma brasilidade espontânea.

Outra característica que me causa grande interesse por esse livro e de outros de Jô Soares é a construção que ele costuma introduzir e conduzir personagens verídicos e outros criados. Existem pontuações históricas relevantes acompanhadas de envolvidos nada reais, mas que possuem consistência verossímeis.

O roubo de um violino de valor calculavelmente precioso (um Stradivarius) é o ponta pé inicial para uma trama rica de acontecimentos hilários e inesperados. Muito do que acontece de engraçado é fundamentado por atitudes e ocasiões inesperadas, como um porre de caipirinha que acomete o famoso detetive, entre suas experiências com a comida brasileira (o vatapá se mostra muito forte e pesado para o paladar europeu) ou até mesmo o envolvimento com a “marijuana” e as mulatas cariocas. Jô Soares aproveita muito bem vários atrativos de nossas terras ensolaradas e até mesmo a malemolencia do povo da terra de D. Pedro II e coloca o herói inglês em situações discutíveis, deixando-o até MUITO aquém de suas possibilidades de discernimento e capacidade, mas eu particularmente consigo levar em consideração. Aqui é Jô Soares escrevendo, não Sir Arthur Conan Doyle e o personagem em questão foi somente “pegado emprestado”. O romance tem como cena, um Rio De Janeiro do século 19 e entre momentos reais e contribuições ficcionais, a história é contada com entusiasmo e nos apresenta um Sherlock diferente do que Doyle poderia criar.

Holmes se depara com um Serial Killer astuto e que sabe perfeitamente como agir para não ser capturado, deixando em cada cena dos crimes que comete, uma corda de violino. Nosso querido detetive, que a priori veio ao Brasil para desvendar o roubo do violino, se envolve com a trama dos assassinatos, tentando desbaratar tais crimes, mas toda a perspectiva brasileira atrapalha mais do que ajuda. Até em um terreiro de candomblé o inglês está presente, descobrindo que é filho de Xangô. Junto ao seu fiel amigo Watson e auxiliando o delegado Mello Pimenta nas investigações sobre tais crimes hediondos, Holmes é caracterizado com toda a formalidade britânica a que estamos acostumados, mas fica a dúvida se toda sua perspicácia é suficiente para desvendar a audácia do assassino.

Jô Soares conduz a ação com muita propriedade, pois faz um passeio histórico pelo Rio de forma bastante acertada e contundente, provendo um romance bem gostoso e envolvente de se ler.

Resenha – O Anticristo

“A Maldição Ao Crisianismo”, eis o subtítulo do livro e é exatamente sobre o que ele trata. Nietzsche não cria um conceito contrário à Jesus Cristo, como muitos acreditam, mas exibe uma declaração, conforme suas convicções, que expõem deturpações contrárias ao que o “Crucificado” pregava.

O livro serviu como de base de trabalho para minha monografia na Graduação e foquei principalmente na apresentação de um conceito que distanciasse a visão de anticristão do filósofo  alemão.

Nietzsche já começa atacando o cristianismo, explicando que tal religião possui um efeito depreciativo no homem, conduzindo-o à uma vida de fraquezas, cheia de deteriorações, negando o que há de melhor na humanidade, contrariando os instintos de conservação de uma vida que deveria ser focada em uma vontade de poder. Com o cristianismo há um declínio e a compaixão, que seria um dos motivos a priori do cristão, nega a vida, não a valoriza.

Durante seu discurso, Nietzsche também conceitua que outras religiões apresentam particularidades melhores do que o Cristianismo. Aqui somos apresentados à visão dele sobre o Budismo, Islamismo e Judaismo, onde ele trabalha o que ele identifica como bom e mal dentro de cada uma.

Para Nietzsche “o cristão é o ódio ao espírito, ao orgulho, coragem, liberdade, libertinage do espírito; cristão é o ódio aos sentidos, às alegrias dos sentidos, à alegria mesma…”, mas por culpa de Paulo, não de Cristo. O que veio após o crucificado é indecente, pois o ÚNICO cristão morreu na cruz, junto ao seu evangelho, e Nietzsche explica aqui que os discípulos no Nazareno deturparam sua doutrina, principalmente Paulo, que iniciou um cristianismo contrário ao da boa nova. “O que Paulo conduziu ao fim, com o cinismo lógico de um rabino, foi, apesar de tudo, apenas o processo de declínio que teve início com a morte do Redentor” e isso ele também defende ao esclarecer que os cristãos pensam em uma recompensa pelas ações boas e que aceitam o castigo quando imaginam que estão no caminho do mau.

A sabedoria do mundo encontra no cristianismo sua ruína, seu inimigo mortal . A ciência é visualizada como pecado, pois vislumbra algo que não é Deus diretamente. A ciência explica o mundo de forma diferente e aqui é instaurada uma sensação de culpa, pois discutir Deus e os dogmas da religião, posiciona o homem como um ser que contraria seu criador, e isso o enfraquece mais e mais, castigando-o por querer entender o mundo que o cerca e demais dúvidas que o atormenta.

O cristianismo é entendido, por Nietzsche, como uma doença, um vício, uma dependência, uma mentira. “Eu declaro o cristianismo a grande maldição, o grande corrompimento interior, o grande instinto de vingança…eu o declaro a perene mácula da humanidade”. Mas ele considera Jesus Cristo como um espírito livre, um ser que poderia alcançar o Übermensch o “Além-do-homem” e isso não pode ser interpretado equivocadamente.

Resenha – Cem Dias Entre O Céu E O Mar

“… Com o tempo, eu acumularia todos os progressos e os centímetros se transformariam em quilómetros…”

Eis uma das frases mais impactantes desse livro em minha vida. É uma variação magnifica do velho ditado de “uma longa caminhada começa com o 1º passo”, sobre ir de degrau em degrau subindo uma escada.

Cem Dias é um livro sobre aventuras, sobre determinação, sobre obstinação, sobre vitória, sobre crescimento. Possui vários momentos que um leitor em busca de emoções pode querer. Apesar de ser um livro sem agitações, sem correria, é um livro que mexe com nossa imaginação, pois traduz uma história real, palpável, não há ficção aqui e a emoção é contemplada pela jornada em si e não por uma prosa cheia de ação (e aqui não há).

Amyr Klink atravessa o Atlântico a remo, pois é, imaginem a cena: Durante cem dias, entre baleias, tubarões, peixes, ondas, tempestades oceânicas, sol queimando no “deserto” mais úmido possível e com a alimentação racionada. Uma aventura ou desventura?

A proposta de Amyr é transpor o Oceano, fazer algo que ninguém tinha feito. E ele vai além. O livro é um relato emocionado e contundente de alguém que consegue superar o inimaginável, o que até então era pensado como impossível (digo que até hoje parece ser). Outros aventureiros já completaram e venceram obstáculos igualmente “impossíveis”, outras situações foram utilizadas como exemplo para seguir com a empreitada e a preparação parece cobrir todo e qualquer imprevisto. Amyr foi cauteloso, cuidadoso e completamente sensato em todos por menores e maiores imaginados para esse feito surpreendente. Mas claro que imprevisto podem e vão acontecer. Ninguém, por mais meticuloso que seja, é 100% na prevenção de algo súbito.

Noites e noites tubarões esbarram ou batem no casco, dias e dias refletindo em como a embarcação está e quantos quilómetros precisam ser remados em situações adversas. Eis alguns dos pensamentos que permeiam os dias solitários. Algumas tempestades acontecem atrasando o progresso, dias quentes e muito ensolarados atrapalham o progresso, noites mal dormidas, saúde em alerta também e por ai vai. Mas não é somente de momentos dramáticos que a viagem é construída, ocasiões plenas de surpresas boas e ocorrências que maravilham, também preenchem o percurso insólito.

O enredo é permeado pela direção já estudada (diversas vezes) por Amyr. Ele determina um curso e o segue com esmero, guardada as devidas proporções em uma tarefa dessas, claro, e lógico – alguém perfeccionista como ele – se preocupa com tudo: além de uma comunicação diária, seguindo um protocolo de horários para acalentar quem está no continente e para deixar claro a localização (de suma importancia, levados à risca), todo um contexto de atividades seguem um organograma específico, de rotinas e necessidades. Mesmo quando ele tem que limpar o casco em mar aberto, observando cardumes de peixes, que o deixa de sobre aviso, para possíveis aproximações de tubarões, ele também se envolve com algumas atividades fisicas, realizadas cotidianamente. Com o tempo, tudo em sua volta ganha um significado maior, tudo é entendido de forma mais abrangente, Amyr sente que se torna uma pessoa melhor.

Cem Dias é mega indicado. Gostei muito do que li e digo que é um livro que pode ensinar bastante sobre como o homem é diminuto em relação ao magnífico mundo que está a sua volta. Sobre como podemos atuar de forma melhor com o que está ao nosso redor. Sobre como devemos interagir melhor e entender melhor o mundo em que vivemos e sobre quem realmente somos.

Resenha – O homem que queria salvar o mundo

A primeira vez que ouvi falar de Sérgio Vieira de Mello foi no primeiro ano de faculdade. A professora nos passou um breve documentário sobre seu trabalho e sua vida para falar sobre a rotina de uma organização como a ONU. Mas não adiantou…Sérgio Vieira de Mello era a estrela completa e a ONU ficou em plano secundário.

Vieira de Mello era carioca, filho de um diplomata autodidata – em uma época em que o Itamaraty estava mais preocupado com o Brasil como país e menos com o Brasil como interesse de políticos – que entrou para o sistema da ONU ainda muito jovem. Seu pai foi aposentado de maneira compulsória pelo regime militar no Brasil mas não antes de impactar profundamente o filho.

A carreira de Sérgio na ONU foi focada em missões humanitárias e de paz. Samantha Power retrata as etapas da vida de Vieira de Mello de uma maneira completa, entrevistando pessoas cruciais que apresentaram facetas que possivelmente não seriam conhecidas pela maioria. O livro nos traz a sensação de que estamos espiando a vida dele de forma objetiva. Ela tem uma ótima habilidade descritiva e podemos sentir as bombas na Bósnia, ver os refugiados de Camboja e participar dos problemas do Iraque.

Vieira de Mello ficou (mais) conhecido no meio diplomático durante sua missão no Camboja quando foi o único diplomata que conseguiu negociar com o Khmer Rouge. A autora estrevistou outras pessoas da missão que descreveram a maneira como Sérgio abordava esse tipo de negociação delicada. A verdade é que, nesse momento, aprendemos que Vieira de Mello tinha algumas características que talvez não fossem compatíveis com o que imaginamos de um diplomata em missões humanitárias. Ele conseguia se desconectar de sua ideologia para sentar à mesa com rebeldes assassinos e sorrir.

Essa habilidade, no entanto, trouxe benefícios claros à sua carreira. Quando chegou ao Timor Leste, Vieira de Mello se tornou o chefe do governo interino do país – o posto mais alto que um oficial da ONU chegaria no período de transição que o Timor enfrentava. Essa, para mim, é a parte mais interessante do livro. A descrição de como ele e sua equipe se juntaram à população local para desenvolver as instituições básicas do país é detalhada e nos leva em uma viagem a uma parte do mundo com a qual poucos se preocupam ou se importam. É fascinante conhecer o nascimento de um país.

A tensão começa quando entramos na vida pessoal de Vieira de Mello que era mulherengo, pai ausente e nunca escondeu nada disso de ninguém, apresentando namoradas para seus  amigos enquanto sua esposa o esperava em casa, na França com dois flhos pequenos. O interessante é que o livro não se esquiva desses momentos e entrevista pessoas que corroboram essa fama ao invés de tentar exonerá-lo.

Essencialmente, o livro nos diz que “ele é o que ele é” e que nenhum aspecto de sua vida pessoal, anula o que ele deixou como legado profissional. A verdade é que ninguém é apenas uma coisa e definitivamente ninguém é perfeito. Sérgio, simplesmente não tentava ser perfeito.

Lendo o livro eu simplesmente não consigo entender como tantos brasileiros desconhecem Sérgio Vieira de Mello e seu trabalho pelo mundo. Até hoje, ele foi o brasileiro que chegou mais longe dentro do sistema das Nações Unidas e estava cotado para assumir o lugar de Kofi Annan como próximo Secretário Geral. Era estimado pelos corpos diplomáticos de diversos países e um ídolo do Timor Leste.

Sua morte foi trágica e precoce. A descrição do atentado ao Iraque que o matou – junto com outras 22 pessoas – é triste e levanta questões importantes quanto ao nível de segurança da missão e se a ONU sabia realmente o que estava fazendo ali. O livro todo é uma aula de relações internacionais dos direitos humanos e é leitura obrigatória para todos os que querem conhecer grandes brasileiros que não jogam na Seleção Brasileira de Futebol.

Resenha – O Dia do Curinga

A leitura filosófica carece muito de algum entendimento prévio sobre os assuntos que são abordados, seja em um livro ou em um texto, mas, a priori, acredito que o interesse, por si só, de ler, já ajuda pakas.

O “Dia Do Curinga” é um livro de filosofia por excelência. Excelência em tratar de assuntos relevantes ao que importa filosoficamente.

Tudo gira em torno de um garoto crescendo, aprendendo e em torno de um personagem único, diferenciado, que VIVE em função de mostrar, ensinar algo.

O que podemos aprender com alguém diferente? O que podemos ensinar à alguém ávido por conhecimento? Uma dicotomia existe dentro daquele que busca a sabedoria. Ele ensina e aprende ao mesmo tempo. Ensina que precisamos de mais e aprende que nunca sabe demais.

Eis um ponto inicial que penso ser fundamental para se ler um texto ou um livro de filosofia.

Quando li tal livro pela 1ª vez, gostei pouco dele logo de cara, tinha lido “O Mundo De Sofia” e gostava mais desse inicialmente, mas já na 2ª leitura, “O Dia Do Curinga” se tornou um dos livros “de cabeceira” para mim.

Pai e filho decidem ir atrás da esposa e mãe, ir atrás daquela que faz falta a ambos. Mas a viagem se mostra ser maior do que uma simples busca pela amada ou reencontro com genitora. Transforma-se em um encontro com o conhecimento pessoal, conhecimento familiar e uma aula de filosofia. A filosofia é ensinada despretensiosamente pelo pai, a cada parada, a cada história contada, a cada demonstração de saber. A viagem se transforma em um enredo filosófico, que aproxima mais pai e filho.

No caminho, o garoto, Hans Thomas bebe uma bebida encantada, ganha uma lupa e um minúsculo livro, que o faz adentrar em uma história mágica, onde cartas de baralho são personagens de um mundo aparentemente aleatório, mas que depois se demonstra mais físico e real possível. Nessa outra história, um náufrago é acompanhado por seres caracterizados pelos naipes do baralho, pessoinhas de Ouros, Copas, Espadas e Paus condicionam a vida do náufrago, sua “rotina” passa a ser regida por um novo calendário e entre esses novos personagens, surge o Curinga, uma carta única e diferente de todas as outras, que percebe sua diferença e que passa a viver como se isso lhe permitisse quaisquer ações – O Filósofo.

O garoto passa a viver entre dois mundos. Se apega ao que acontece no livro e vai aprendendo a entender melhor seu pai filósofo. Envolve-se mais diretamente com as “loucuras” do pai e vai aprendendo com as “loucuras” do Curinga. Com o tempo e a vivência, vai aprendendo que a vida é mais do que aquilo que aparece à sua frente e que sua história tem muito mais em comum com seu crescimento do que somente aquilo que cerca teu presente.

A volta para casa, agora junto à mãe, vai revelando que tudo está ligado e que os personagens das duas histórias estão enlaçados. Hans vai percebendo que sua história é a história do livro e que tua família possui ligações com personagens. A descoberta, o caminho do conhecimento se torna mais progressivo, quando o entendimento não possui limites ou barreiras. Assim ele entende o Curinga, o diferente, o pensante, o questionador.

O livro é de uma linguagem tranquila e gostosa. O fato de contar duas histórias, ajuda e não atrapalha. Jostein escreve super bem e combina filosofia com romance literário fantásticamente. Super indicado para filósofos, iniciados nos caminhos do saber e para aqueles que simplesmente querem uma leitura sem limites para a imaginação.