Resenha – O Capote

Escrito em 1842, o Capote é um conto curto e direto de Gogol – escritor russo conhecido por seu humor negro e contos que misturam fantasia com realismo.

O conto é a história de Akaki Akakiévitch – um homem resignando a sua vidinha simples, sem grandes talentos, de personalidade vazia e sem grandes aspirações. Trabalhava para um ministério russo copiando documentos. Morava sozinho, não tinha amigos, era motivo de chacota de seus companheiros de profissão e pobre de dar dó.

Com o frio de Petesburgo, Akaki precisava constantemente remendar seu velho casaco – apelidado de capote. Porém, de tão velho e puído, o capote não poderia ser remendado dessa vez. Com suas economias e se privando de quase tudo (incluindo jantar) Akaki conseguiu juntar o dinheiro necessário para outro capote – lindo e na moda. Motivo de orgulho e congratulações de seus amigos.

Gogol nos apresenta em 50 páginas uma Rússia burocrática, superficial e hipócrita. Tudo isso com um senso de humor ácido (meu preferido) e certeiro. A história dá reviravoltas interessantes e fantasiosas. É um conto rápido para apresentar um autor que muitos consideram o fundador da literatura russa moderna.

Extremamente recomendado. Leia na sala de espera do  médico que foi viajar no feriado e te deixou esperando enquanto o vôo dele estava atrasado. Pelo menos vai manter seu senso de humor vivo – e negro.

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Resenha – Coisas frágeis vol. 1

“Coisas frágeis” é um livro de contos de Neil Gaiman – minha primeira experiência com o autor. Já ouvi coisas ótimas dele pertinentes a vários de seus livros (principalmente “Deuses Americanos” que tentei comprar na Bienal mas não consegui. Se alguém quiser me dar de presente eu, gentilmente, aceito).

Para conhecer um autor novo eu gosto de começar por um livro de contos – na verdade, tive uma professora que me disse que essa era a mehor maneira de saber se eu me daria bem com o estilo de escrita de um autor. Então “Coisas frágeis” veio no momento certo. Esse é o primeiro volume e conta com 9 contos de Gaiman. Na introdução, temos uma breve explicação de como o conto foi escrito – que eu só li depois que acabava de ler o conto em si para não influenciar minha interpretação.

No terceiro conto já dá para saber que Neil Gaiman é um contista diferenciado. Ele passa de um assunto a outro como quem está sempre pensando em tudo e com uma boa capacidade para falar sobre qualquer coisa.

O segundo conto, “A vez de Outubro”, mistura fantasia com uma realidade cruel. Quando eu era criança eu pensava como seria se objetos e coisas intangíveis tivessem vida e personalidade e tudo mais. Gaiman faz com que todos os meses se sentem à mesa para contar histórias. É delicado e pesado ao mesmo tempo (dado o teor da história que Outubro conta).

O conto “Pássaro do Sol” foi abandonado. Longo e chato.

É inegável que Gaiman é um escritor criativo e um contista cuidadoso. Ainda assim, não senti aquela empolgação de ler mais do autor depois desse livro. Talvez porque eu não seja uma grande entusiasta de contos. Talvez porque eu precise de mais informações para decidir.