Resenha – Musashi

O primeiro livro com mais de 500 páginas que eu li (na verdade OS LIVROS possuem mais de 900 cada) e posso dizer que amei lê-los.

O livro é dedicado a biografia do maior samurai que já existiu. É um livro real? SIM. É um livro de ficção? SIM, também. Existem duas facetas na história: aquela que acontece realmente e aquela floreada e recheada de indicativos que favorecem algo ou alguém.

O Japão feudal, da época do xogunato é bem retratada, mas nada é focado nesse sentido. As confusões políticas-sócio-culturais estão ali, mas o foco do livro está em UM personagem e em como sua vida acontece e evolui durante alguns anos.

O livro começa quando Myamoto Musashi está andando entre mortos, junto com um amigo, Matahachi. Andando sem rumo, depois da batalha de Sekigahara (que foi REAL) e percebe que o lado que defendia, perdeu.

Musashi é um jovem nervoso, arrogante, agressivo, bom, um jovem normal. Aos 13 anos luta pela 1ª vez e vence. Sua vida meio que gira em torno do combate. Seu pai o ensina a lutar com a espada, ainda adolescente duela, encara uma guerra e depois tem que enfrentar a lei do mais forte contra o mais fraco. Algumas pessoas dizem que isso não é motivo para um comportamento feroz, outras defenderiam que ele tem todo o motivo para ser assim, mas durante o livro, vamos percebendo como a vida de alguém pode mudar muito com o tempo e como tudo que acontece pode ser motivo para se aprender ou ensinar.

Em suas andanças, ele se separa do amigo, os caminhos dos dois seguem “destinos” completamente diferentes. Ele é preso, passa bastante tempo enclausurado, é influenciado por preceitos budistas e tudo isso lhe causa uma mudança brusca. Inicia, dai, uma busca pela perfeição, o verdadeiro poder, a habilidade máxima. Ele quer se tornar uma pessoa melhor e um lutador extraordinário. Durante anos enfrenta diversos oponentes, durante anos disputa algumas pelejas contra mais de um, ou até mesmo vários adversários. Algumas dessas batalhas são memoráveis e, em algumas, diga-se, tanto Musashi quanto o rival, defende que o vencedor foi o outro. Acontecem duelos extremamente difíceis, onde a vitória só será recompensada com a vida, mortes acontecem, mortes honrosas e até desonrosas e tudo isso vai compondo a personalidade daquele que se transformará no maior samurai de todos os tempos. Temos no livro alguns destaques, como o caso da luta contra Muso Gonnosuke; contra a academia Yoshioka e contra seu maior oponente: Sasaki Kojiro – a luta entre os dois, já mostra quase que o auge da habilidade de Musashi e esse luta usando um pedaço de madeira.

A vida de Musashi é muito bem detalhada, muito bem contada. Os anos passam bem delineados. Os encontros durante sua caminhada são determinantes, como cada pessoa que aparece pode influenciar sua existência, como os conhecidos vem e vão, como amigos se transformam em desavenças e depois podendo voltar a serem amigos, como os inimigos surgem, como as lutas são importantes – independente de qual seja – como cada etapa é determinante na formação daquele que segue o caminho do guerreiro e como os amores que aparecem podem ou não serem importantes…

Durante os anos de luta, de batalhas, Musashi vai criando um estilo de lutar e depois de anos e anos se aprimorando, o “Niten Ichi Ryu” é criado. A luta com duas espadas surge de uma necessidade extrema para sobreviver (ele teve que ‘sacar’ a 2ª espada para não morrer) e com o tempo vai sendo aparada, vai ganhando contornos únicos até se transformar no que viria se ser um dos estilos mais conhecidos e perfeitos de luta com espadas.

Musashi é escrito com maestria, pois se tratando de uma ficção biográfica, ela não é maçante, mesmo sendo imensa. A vida do protagonista é motivacional e instigante. Você também se pergunta várias vezes qual a razão de algumas ações, e fica indignado com as atitudes de alguns personagens sem um motivo centralizado.

O livro segue com Musashi sumindo, se isolando. Pela história descobrimos que seus últimos dias são dedicados à arte e à literatura. Nesse período o “Livro Dos Cinco Anéis” é escrito pelo mestre, um livro dedicado a arte militar, assim como A Arte Da Guerra (aqui me posiciono e defendo que o Livro Dos Cinco Anéis é mais FODA).

Para quem ama luta, filosofia e história japonesa, Musashi é uma excelente pedida. Fica aqui minha dica.