Resenha – O Homem do Castelo Alto

O Homem do Castelo Alto

Philip K. Dick é um dos mais respeitados autores de ficção científica do mundo. Autor de diversos sucessos, seu principal trunfo é Blade Runner, livro que foi base para o famoso longa-metragem.

Foi com esta expectativa que comecei a desbravar O Homem do Castelo Alto. Nesta obra, Dick se propõe a pensar como seria o mundo se a Alemanha tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial. Uma ideia, a princípio, fascinante (como tema de ficção, claro). Nas mãos de alguém que se especializou em desenhar cenários futuristas, prometia muito.

E o livro realmente entrega boa parte do que promete. O universo alternativo imaginado pelo autor é plausível, e mesmo  pequenos detalhes, como a ausência de televisores nas casas, mostram o quanto a cultura da sociedade seria diferente com um outro “império” por trás. A atuação em geral do Japão e da Itália, ambos vencedores ao lado da Alemanha, também é coerente com a posição que os dois países tinham adotado na guerra. É, portanto, um bom exercício do ponto de vista geopolítico e talvez de análise da sociedade.

Mas o foco do livro não é esse. Tomando essas coisas como pano de fundo, Dick se propõe a contar uma estória, sobre a qual não entrarei em detalhes. O importante a se dizer é que a princípio é uma boa estória, mas ao final parece uma estória que não termina. O autor nos traz o que seria o início de alguma coisa, de alguma mudança na sociedade descrita, mas não nos entrega o suficiente disso para realmente sabermos o que acontecerá depois. Outro grande problema da obra vem das divagações do autor em torno do I Ching, famoso livro de pensamentos chinês que permeia toda a história. Por vezes participando apenas como coadjuvante, há partes em que a importância do I Ching, e divagações dos personagens a respeito dele, tomam páginas e páginas. Não parece ser o que procura um leitor de um livro de ficção científica sobre a Segunda Guerra Mundial.

Resumindo, o livro não te deixa com sensação de tempo perdido; o exercício sobre o tempo alternativo é interessante e merece ser feito se você se interessa pelo tema. Mas fiquei com a sensação de que o tema poderia ter sido melhor explorado, de que esta não foi a melhor forma de abordá-lo.

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Resenha – Um Estranho Numa Terra Estranha

Durante a fase áurea da minha adolescência, vivi um período no qual eu estava apaixonado por livros de ficção científica. Enquanto os garotos se preocupavam em jogar bete ou futebol na rua, eu estava ávido por Isaac Asimov, Poul Anderson e o autor do livro relacionado com esta resenha: Robert Anson Heinlein.

Um Estranho Numa Terra Estranha foi o primeiro livro de ficção científica que eu li. Assim que bati o olho na capa, me interessei instantaneamente pelo conteúdo da obra.

A história gira em torno de seu personagem principal, Valentine Michael Smith, uma criança nascida durante a primeira expedição terráquea em Marte terminada com uma tragédia, e que foi criada no Planeta Vermelho até os dezoito anos de idade. Quando a segunda expedição terráquea chegou até Marte, constatou-se que Mike (como é carinhosamente chamado durante a maior parte da história) era  o único sobrevivente da tripulação. Com isso, o mesmo é trazido ao Planeta Terra.

A partir daí é que a história bomba: diferentemente da maior parte dos livros desse gênero, onde a invasão de aliens na Terra e a vida entre robôs é o grande foco, a obra se foca na evolução do comportamento de Mike dentro dos moldes aceitáveis na sociedade terráquea. O “Homem de Marte” entra em um processo de aprendizado que vai além das sobrevivências básicas como beber e comer, e vai até ao entendimento de como funciona a sociedade contemporânea com suas diversas culturas. E de como ele deve controlar seus poderes especiais na Terra, como levitar objetos e usar a telepatia para se comunicar.

Outro ponto interessantíssimo na obra são as críticas sobre Religião, Política e Cultura durante as grandes conversas entre os personagens, principalmente quando as mesmas são proferidas por Jubal E. Harshaw, um dos personagens mais polêmicos do livro. A concepção criada por Mike de que “Tu És Deus. Eu Sou Deus. Tudo o que ‘grokka’ (pensa) é Deus” também pode acabar gerando questionamentos e polêmica aos Teocentristas de plantão.

Uma obra altamente recomendada e que prende o leitor do início ao fim! Um dos melhores livros que eu já li em minha vida. Ah, detalhe: sua leitura exige total atenção do princípio ao fim, para que o leitor não se perca nos diversos detalhes da história.