Terça De Quadrinhos – Frankenstein

Quem aqui conhece a história do doutor Frank e sua criatura? Já tivemos a oportunidade de acompanhar esse drama de horror pela literatura e através do cinema. Desta vez podemos conhecer tal história pelos quadrinhos, o que percebi ser uma ideia interessante.

É interessante saber que Mary Shelley criou seu Frankenstein a partir de uma roda criativa entre amigos. Byron (Lorde Byron que conhecemos, romântico inveterado, poeta desvairado e extravagante bon vivant, no que tange a aproveitar a vida sem restrições) incentiva aos colegas a escreverem contos de terror. Depois de passar momentos de “folha em branco”, Mary consegue imaginar sua maior obra.

O enredo de Frankenstein é contado através de cartas, entre um capitão de navio e sua irmã. O capitão (Robert Walton) de uma expedição pelo Polo Norte avista, junto a sua tripulação, um ser gigantesco, anormalmente maior do que um homem comum, vagando pelas geleiras e depois se deparam com Victor Frankenstein, um médico em busca de redenção, já moribundo. Walton o salva e Victor conta toda sua história até o momento em que já estava ali, à beira da morte.

Frankenstein é um garoto incrivelmente interessado no oculto e naquilo que reflete o que está além do puramente físico. Quer descobrir o segredo da vida e como burlar as leis que regem tal segredo. Ele cresce, estuda e se forma médico. Mas o médico não quer apenas curar, quer também vencer a morte. Em um experimento, consegue, depois de enorme e dramático esforço, “montar” uma criatura que vive, que respira e que, como o tempo, pensa. Mas tudo vai além do esperado e o horror e desespero de almas despreparadas para tal empreitada, traumatizam um ser já atormentado, que está além da vida e da morte. A criatura deseja uma companheira, a solidão a assola e o que poderia ser uma vitória de um homem, acaba se transformando em seu maior pesadelo, cheio de terror.

Esse quadrinho é bem leve na verdade, não transmite de forma fantástica toda a dramaticidade que o livro possui e merece, mas vale como uma introdução para adolescentes. Os traços não incomodam e são até condizentes com o que é proposto. A argumentação foi trabalhada pra não ficar somente com as falas clássicas em balões, mas também em pequenos textos que ligam um quadrinho ao outro e isso ajuda ao desconhecido à entender um pouco esse clássico da literatura do Terror.

Indico para uma iniciação breve, mas já digo que é preciso ir além e desfrutar do livro em questão.