Resenha – Tormenta

Seguimos com o 2º livro da série “Fallen” e posso dizer, tranquilamente, que é perceptível uma evolução na narrativa. A autora já escreve esse livro com mais facilidade e os personagens parecem mais críveis, mais imperfeitos até e mais humanos, mesmo com toda parte angelical que envolve o enredo.

Luce está em uma escola diferente, rodeada de pessoas especificamente diferentes, e com seu amor eterno longe. Sua vida é regada e pontuada por acontecimentos sobrenaturais agora, o envolvimento direto e sem encobrimento com seres de outra espécie (já que ela estuda com “Nefilins – descendentes de anjos”), fazem parte de seu cotidiano, mas as infinitas perguntas continuam a tomar conta de sua curiosidade (nesse livro tais questionamentos são mais frequentes e mais direcionados, pois ela já sabe PARTE da história). Luce é uma jovem e suas prioridades são fugazes quando existem coisas mais importantes, mas isso não é um pecado, pois ela ainda é nova, e desconhece completamente o que já viveu em tempos passados. Ao invés de buscar se aprofundar no que pode vir adiante, ela só se interessa pelo que já aconteceu. Aqui a autora manda bem, pois trabalha muito bem o ritmo de cada personagem que está nessa faixa de idade e mais do que nunca deixa a protagonista mais ativa e menos reativa como no 1º livro.

Tais ações de Luce a deixa em situações nada agradáveis e em cada atitude ela vai se martirizando e se questionando sobre seu envolvimento com um anjo. Ela vai criando argumentos que poderiam acabar de vez com os problemas causados tanto por Daniel quanto por ela mesma, mesmo que seja se envolver com outro garoto (sim, isso acontece). A culpa por se afastar de sua melhor amiga, por não poder ter contato e mentir para seus pais, por estar escondida e não poder mais fazer nada é direcionada para o sentimento de amor que envolve a ambos e ela se interroga sobre se nada disse existisse, ela poderia ter uma vida normal, sem crucificar suas vidas passadas ou seu presente. Mas isso é interessante, pois todo o inferno que o anjo vive por séculos, não é pesado, ela não está muito interessada em conhecer os reais motivos dele e a única coisa que Luce identifica, é que ele poderia se decidir de uma vez qual lado escolher, entre bem e mal, e que as ações dele são perfeitamente questionáveis. Típico de um(a) jovem rebelde que só analisa os fatos por uma ótica, a dele(a).

O livro todo é contado durante 18 dias, que é a duração de uma trégua entre Cam e Daniel, uma época para não visitar ou ficar ao lado de Luce, onde ela ficaria escondida dos outros vários inimigos que pretendem exterminar a existência dela ou algo a mais (aqui conhecemos os Párias) mas em certas situações, ambos os anjos a veem ou esbarram por ela. Não tinha como ser diferente. No final dos 18 dias, e do livro, temos um acontecimento que reflete MUITO como serão os acontecimentos a seguir: uma pequena batalha entre os anjos caídos, que estão provisoriamente do mesmo lado, combatem inimigos que estão decididos a enfrentar a morte, mas a razão que todos entendiam, se alterna e mais perguntas são jogadas no ar. Não existe a simplicidade do branco e negro no mundo, mas também vários tons de cinza.

Tormenta aguça mais a curiosidade sobre quem são as anjos caídos, quais as intenções deles, quais são os lados da história e se Luce tem uma importância maior do que já parece ter. Parece que no 3ª livro, tais respostas poderão ser respondidas. Veremos.

Resenha – Feios

Feios é uma obra de ficção sobre um mundo onde existe uma divisão entre pessoas consideradas bonitas (ou perfeitas) e as pessoas consideradas feias. Há duas cidades principais onde as pessoas feias e bonitas ficam separadas. Ao completarem 16 anos, as pessoas passam por cirurgias obrigatórias que retiram tudo o que é considerado imperfeito e elas podem se mudar para Nova Perfeição – onde apenas as pessoas perfeitas vivem de festas, sem qualquer resposabilidade.

As cirurgias foram criadas para que as pessoas parassem de se julgar baseando-se na cor da pele, cabelo, tatuagens, cicatrizes, olhos vesgos e etc. Ou seja, a criação de pessoas perfeitas e padronizadas foi justamente para evitar racismo e preconceitos mesquinhos dos seres humanos.

A personagem principal é Tally que está quase completando 16 anos e sonha em se tornar perfeita. Ela vive imaginando como será sua vida quando tudo for perfeito e se acha feia de uma maneira cruel. Quando se infiltra no mundo perfeito para visitar seu amigo recém operado, Tally quase é descoberta. É nesse contexto que ela conhece Shay.

Shay também é uma feia. Mas ela não parece se importar muito com isso e se rebela contra a idéia de que apenas quando se é considerado perfeito é possível ser feliz e decide fugir para uma cidade onde ninguém é obrigado a passar pela cirurgia – porque onde todo mundo é feio, ninguém é feio. Mas Tally não entende essa lógica. Ela vive obcecada pela idéia de se tornar perfeita, manipulada pela biologia e o que todo mundo diz que se deve fazer e ser. Tally é chata. Ela é toda adolescente leitora de revistas de moda que acredita que se você não tem a saia no tom certo de marrom, você nunca será alguém na vida. Ela é a adolescente que precisa de celular e maquiagem para ir para a escola..não para ser diferente, mas para se misturar. A história eleva o termo “Ditadura da beleza” a um novo patamar.

Mas algo dá errado antes da cirurgia de Tally e ela é, basicamente, forçada a escolher entre ser perfeita e trair uma das únicas pessoas que foi sua amiga independente de sua aparência. Ela se infiltra na cidade dos feios que fugiram e começa a enfrentar sua consciência, se dividindo entre seu sonho e sua amiga.

A imaginação do autor quase que trabalha contra ele. Ao descrever o caminho para Fumaça – cidade onde o grupo de feios fugitivos vive – ele se perde. Honestamente, a descrição é chata e beira o irritante.

Na Fumaça, Tally descobre o que era considerado bonito há 300 anos – quando aparentemente as cirurgias começaram. Ao folhear uma revista ‘antiga’ de celebridade ela percebe que  havia diversas pessoas que não pareciam envergonhadas de não serem “perfeitas”.  O mais estranho é ver nosso atual e distorcido conceito  de beleza colocado como “um conceito mais democrático de beleza”.

Tally encontra um mundo completamente novo e aprende detalhes sobre sua estimada operação que abrem sua cabeça para um mundo novo e novas possibilidades. Ela começa a ver que ser igual não é necessariamente ser melhor e que, na verdade, tem muita beleza no que é diferente.

Tudo o que acontece na Fumaça serve para manter o enredo rolando enquanto você começa a se perguntar onde tudo isso vai dar e qual a lição que o autor quer que o leitor tire do livro. Não é que ser bonito é subjetivo. Por que tenho certeza que quando pensaram nos perfeitos, 95% das pessoas que liam o livro pensaram em meninas brancas de cabelo liso.

O que o autor nos mostra é que nós JÁ ESTAMOS programados a ver beleza de determinada forma. As plásticas que vemos hoje são padronizadas, elas só não são obrigatórias. A história de Westerfeld é o extremo do modelo que criamos hoje em todas as revistas de beleza. Ultrapassa a padronização da beleza e se torna a padronização do pensamento.

Infelizmente esse é um tipo de reflexão que um jovem de 12 anos não poderia fazer. Muitas das pessoas que leram o livro provavelmente vão pensar que o livro é bom e “puxa, ainda bem que não somos assim”, sem refletir nem por um segundo que já estamos quase vivendo o que o livro descreve. Não nos extremos de dividir as cidades e todo o bla bla bla que o autor coloca para enfeitar a história, mas no conceito do bonito X feio e na idéia de que beleza significa quase automaticamente sucesso e boa vida.

Se metade das pessoas que lerem esse livro conseguirem entender isso, já é considerável porque esse é um debate muito importante. É essa crise de identidade do bonito X feio que faz com que a geração que cresce agora seja intrinsecamente insegura e desesperada em agradar. Esse tipo de pessoa não reclama, não muda o mundo, não se rebela, não transforma sua realidade. Elas se sentem contentes em serem aceitas.

Para elucidar tudo isso, indico o documentário sobre a mídia e a forma como as mulheres são retratadas atualmente (com legendas em português). O foco do documentário é a mídia norte-americana mas acho que fica claro que essa é uma epidemia que está se espalhando:

Dado o contexto atual, é impossível não pensar que o modelo de “Feios” seja uma realidade muito próxima e assustadora.

Resenha – O Natal de Poirot

“Você queria um ‘assassinato dos bons, violento e cheio de sangue’. Pois esta é a história que escrevi especialmente para você. ”

É assim que a genial Agatha Christie, conhecida como a ‘Rainha do Crime’, ‘Dama do Mistério’ e até mesmo a ‘Deusa do Suspense’, inicia mais uma de suas grandiosas obras, uma das mais sangrentas que a escritora escreveu ao longo da carreira. Confesso para vocês que toda vez que o Natal se aproxima, fico ávido para fazer a releitura deste livro cheio de suspense e emoção do início ao fim.

A história gira em torno do assassinato de Simeon Lee, patriarca da família Lee, morto logo após um jantar com toda a família reunida em pleno dia 24 de dezembro. A descrição de como estava o quarto onde Simeon Lee foi morto mostra a crueldade do crime cometido de forma fria e misteriosa. O assassino tomou cuidados imprescindíveis para não deixar rastros: o quarto da vítima estava trancado por dentro, não existia nenhuma arma que levantasse a hipótese de suicídio e as paredes externas da casa eram lisas, o que não permitia que uma pessoa o escalasse rapidamente.

A partir daí entra em cena o principal detetive da autora, Hercule Poirot, que passava o natal na casa de um amigo na cidade onde ocorreu o crime. Poirot tem um grande desafio em mais este mistério a ser desvendado: todos os personagens envolvidos na trama e que estavam com Simeon Lee naquela noite tinham um motivo para matá-lo. O temperamento da vítima era de um homem egoísta e vingativo, que utilizava da sua influência para explorar as pessoas.

Assim sendo, não bastou para Poirot fazer os interrogatórios com os suspeitos do crime:  foi imprescindível analisar as características psicológicas e analisar as atitudes comportamentais de cada suspeito, com o intuito de se chegar mais rapidamente na solução do crime.

O final é extremamente surpreendente! Poirot mais uma vez explica a resolução do crime de forma magnífica, e resolve um enigma que, se não tivesse as suas investigações poderia nunca ter sido esclarecido, tamanho foi o grau de dificuldade do crime em questão.

Uma obra indispensável aos amantes de romances policiais e para todos aqueles que admiram as obras de Agatha Christie. Uma leitura recomendada para muitos Natais.

Resenha – Um Estranho Numa Terra Estranha

Durante a fase áurea da minha adolescência, vivi um período no qual eu estava apaixonado por livros de ficção científica. Enquanto os garotos se preocupavam em jogar bete ou futebol na rua, eu estava ávido por Isaac Asimov, Poul Anderson e o autor do livro relacionado com esta resenha: Robert Anson Heinlein.

Um Estranho Numa Terra Estranha foi o primeiro livro de ficção científica que eu li. Assim que bati o olho na capa, me interessei instantaneamente pelo conteúdo da obra.

A história gira em torno de seu personagem principal, Valentine Michael Smith, uma criança nascida durante a primeira expedição terráquea em Marte terminada com uma tragédia, e que foi criada no Planeta Vermelho até os dezoito anos de idade. Quando a segunda expedição terráquea chegou até Marte, constatou-se que Mike (como é carinhosamente chamado durante a maior parte da história) era  o único sobrevivente da tripulação. Com isso, o mesmo é trazido ao Planeta Terra.

A partir daí é que a história bomba: diferentemente da maior parte dos livros desse gênero, onde a invasão de aliens na Terra e a vida entre robôs é o grande foco, a obra se foca na evolução do comportamento de Mike dentro dos moldes aceitáveis na sociedade terráquea. O “Homem de Marte” entra em um processo de aprendizado que vai além das sobrevivências básicas como beber e comer, e vai até ao entendimento de como funciona a sociedade contemporânea com suas diversas culturas. E de como ele deve controlar seus poderes especiais na Terra, como levitar objetos e usar a telepatia para se comunicar.

Outro ponto interessantíssimo na obra são as críticas sobre Religião, Política e Cultura durante as grandes conversas entre os personagens, principalmente quando as mesmas são proferidas por Jubal E. Harshaw, um dos personagens mais polêmicos do livro. A concepção criada por Mike de que “Tu És Deus. Eu Sou Deus. Tudo o que ‘grokka’ (pensa) é Deus” também pode acabar gerando questionamentos e polêmica aos Teocentristas de plantão.

Uma obra altamente recomendada e que prende o leitor do início ao fim! Um dos melhores livros que eu já li em minha vida. Ah, detalhe: sua leitura exige total atenção do princípio ao fim, para que o leitor não se perca nos diversos detalhes da história.

Resenha – Assassin’s Creed – Renascença

Apesar de nunca ter tido um video game , eu sabia que Assassin’s Creed – o livro – é baseado no jogo. O que é algo completamente novo – e estranho – para mim. Pelo que entendi, o video game em si, se passa em 2000 e alguma coisa. Já o livro se passa lá em 1400 e  bolinha – na época de Leonardo da Vinci, Boticelli, Lorenzo de Médici e Maquiavel , que fazem aparições importantes no livro.

É isso que dá convidar um historiador para escrever o livro. Esse é um ponto positivo – adoro a mistura de personagens reais em histórias de ficção. E mais ainda se tudo isso se passa na Itália Renascentista que eu adoro mais.

O livro começa com dois grupos de jovens brigando na rua (meninos..pfff). Os Auditore e os Pazzi vivem se enfrentando e se jurando de morte. Ezio Auditore é filho de Giovani que é banqueiro. Os Pazzi também são banqueiros. E os Médici também (é muito banqueiro para uma cidade só, eu diria). Tudo se passa naquela Florença histórica de uma Itália que se tornava o centro cultural e econômico do mundo.

Ezio Auditore está sendo treinado para ocupar o lugar do pai, apesar de não achar isso muito fantástico – afinal, quem quer ser banqueiro quando se pode brigar na rua o dia inteiro? A história começa de verdade, quando seu pai, seu irmão mais velho (e ídolo) e seu irmão mais novo são enforcados em praça pública julgados como traidores. Ezio se vinga dos assassinos de seus familiares e foge com a irmã e a mãe para uma cidade próxima onde ele aprende mais detalhes sobre seu pai e suas reais origens quando encontra seu tio Mário.

Ele descobre que seu pai era membro do Credo dos Assassinos que existe com o único propósito de matar todos os Templários que restaram na Europa. Os Templários haviam ultrapassado os limites e chegaram a dominar as políticas econômicas da Europa. Agora estavam tentando dominar também a política através da corrupção das instituições do Governo – o que vai de encontro aos preceitos da Igreja, certo? ERRADO! O Papa apoiava os Templários e “abençoava” as suas atividades. Aliás, diversos padres se tornaram assassinos de forma a garantir o sucesso dos Templários.

Apesar do enredo encher a boca dos fãs de História, o porção “História” em si do livro é bem pequena. Além disso, o livro tem uma linha do tempo estranha. Quando você chega ao próximo parágrafo já se passaram 2 anos, às vezes mais. A escrita é simples e fácil de compreender, mas o tempo fica um pouco perdido. As cenas de luta são bem parecidas umas com as outras o que às vezes me dava vontade de pular essas partes.

Leonado da Vinci tem um dos papéis mais importantes. No livro, ele é um artista em começo de carreira mas com uma fama que começa a se espalhar pela Itália. Seu auxílio é primordial para Ezio conseguir entender as páginas do códex – páginas soltas que Ezio encontra e que revelam coisas diversas como desenho de armas, história e etc. O papel principal do codéx, no entanto, é revelado mais ao final do livro quando entendemos que ele é, também, um mapa.

Porém, as páginas estão codificadas e espalhadas pelo mundo. Ezio as encontra, muitas vezes, junto aos que ele assassina. Quase no final do livro se descobre o que essas páginas realmente revelam e a história toda vira uma caçada ao tesouro.

Algo que me incomodou muito foi o subterfúgio de “ouvir a conversa dos outros”. Muitas vezes – tipo…trezentas vezes – Ezio ouve conversas interessantes de seus inimigos que têm a ver com ele e com planos que são importantes para a história (que coincidência!!). Isso acontecer uma ou duas vezes, vá lá, mas quase toda vez que ele se aproxima de um inimigo eles ou estão falando dele ou de seus planos maléficos para conquistarem o mundo. Isso me pareceu um recurso do autor para complementar a história sem ter que pensar muito ou ser criativo em como esses planos viriam à luz. É algo que fica chato e me deixou impaciente para terminar o livo logo.

Quem já leu O Código Da Vinci pode sentir um pouco de “dejá vu”. O livro todo parece que veio de algo que já li antes. Ele é, sim, bem escrito mas talvez algo tenha sido perdido na tradução. Pode ser também que a história seja baseada em algo do qual já se falou muito. Talvez alguém que nunca tenha lido nenhum livro sobre Da Vinci, Templários, Cruzadas e etc, sinta que a história é nova e cheia de coisas interessantes.

Faltando 50 páginas para acabar o livro eu estava muito, muito impaciente e mal via a hora de acabar. Só me segurei para não abandonar o livro porque tentei manter um fiozinho de esperança de que a coisa ia melhorar. Sem sucesso. Não há supresas agradáveis ao final do livro.

Resenha – Fallen

Fallen é um livro que nasce em uma época quase que dominada por uma safra de livros juvenis fantásticos e isso sustenta uma demasiada carga de “parecer” com todos os outros, mas ele muda completamente o personagem de fantasia aqui e um dos motivos que me levou a lê-lo, foi esse. Eu gostei do livro, gostei mesmo. A escrita é tranquila e nada maçante. Apesar do enredo ter sido construído na base do consagrado estilo romântico, com dois personagens lutando por um sentimento, um terceiro querendo roubar o amor da mocinha, a melhor amiga, a garota que incomoda e tudo o mais, o livro apresenta alguns tópicos diferenciados e a temática gira em torno de “anjos”.

Lucinda Price – Luce – é uma garota meio deprê, mas não é uma deprê normal, ela aparentemente tem motivos para isso e alem dos motivos, ela ainda é observada como maluca, desequilibrada até. A causa disso tudo é uma diferença sensorial que ela possui: ela vê sombras estranhas e nada agradáveis; e também sofre com o transtorno causado por um suposto envolvimento na morte, sem explicações, de um rapaz que ela gostava (nem mesmo Luce sabe se tem parcela de culpa na morte). Ela passa por momentos de perturbação pessoal e de incompreensão de outras pessoas, até da família, com tudo isso, ela acaba sendo enviada para um reformatório, feio, mórbido, decadente.

Toda a estrutura do reformatório é apresentada como uma escola para delinquentes. Existem aqui até o grupo dos “perigosos” que usam uma pulseira específica. Luce é bem recebida por alguns, bate de frente (literalmente) com outros e também chega a ser menosprezada. SIM, a garota mal chega em um lugar estranho e JÁ É desprezada, não apenas ignorada. Tal situação a deixa intrigada. Mesmo sendo abordada com bastante galanteio por um dos rapazes mais populares, ela se sente atraída pelo que a deixa de lado. É certo que muito na vida real acontece dessa forma, mas no livro as explicações se dão com o tempo e algo além envolve Luce e Daniel, o rapaz que nem a olha direito.

Daniel tem a aparência de triste, melancólica e passiva, Cam, o galanteador popular, já é mais ativo e impulsivo, deixando Luce dividida, assim como em histórias de amores impossíveis. O interesse por um, que não parece afim, é compensado pela empolgação do outro. No decorrer do livro, ela se sente cada vez mais envolvida pelo clima de mistério de Daniel e passa a pesquisar sobre ele (com a ajuda de uma amiga fiel), ficando com a intuição perseverante de que o conhece, de alguma maneira. Mas a decisão de finalizar qualquer comprometimento com Cam ainda não parece definitivo. Com o tempo, as investidas de Cam se tornam cada vez mais diretas, levando a um momento de ação definitiva por parte de Daniel.

Luce e Daniel se posicionam, e a hora da verdade chega, mas é claro que nada é tão simples e tão objetivo. Daniel tem uma longa história e Luce está presente nessa história desde SEMPRE. Daniel é um anjo, Luce uma mortal que ele escolheu para amar eternamente. (essa parte da história é um pouco ligeira, a escritora parece ter escrito com alguma pressa, uma pena, pois deveria ser a parte mais bem elaborada, mas creio que nos outros livros, tudo seja detalhadamente explicado). Tal contexto não é processado facilmente por Luce, que se perturba com isso, mas tuas pesquisas a ajudam a acreditar e então ela decide enfrentar de vez, TUDO, para estar ao lado do ser que ama. Quando os eternos amantes se aceitam, as peças se agrupam e os lados se desmascaram, adversários se posicionam no tabuleiro de uma guerra infinita entre seres eternos, onde não há somente bem ou mal.

Daniel e Cam são dois anjos caídos que se confrontam, juntos com seus aliados (sim, mais personagens são anjos), mas que, por algum motivo, AMBOS, não querem a morte de Luce. O grande problema é que muitos outros querem, outras forças desejam o fim do envolvimento do anjo com a mortal e essa luta pode ser muito mais complexa do que foi apresentada até agora (aqui quero, muito, ver como a autora estrutura essa ideia).

O livro é o 1º de uma série de 4, os próximos explicam o passado dos amantes, a causa dessa guerra angelical e explicará como anjos caídos fazem escolhas. Espero que a autora tenha trabalhado isso muito bem (o 4º ainda será publicado), pois pode ser um mote deveras interessante, ainda mais em uma época onde seres fantásticos ganham cada vez  mais lugar no imaginário popular e anjos são personagens que podem ter capacidades maiores do que mortos vivos (eu ainda sou MEGA fascinado com Vampiros, mas um que brilha e outros que são bonzinhos, me deixam deprimido).

Li Fallen por indicação da minha Pekena Ludmila Pires e o fiz com vontade mesmo, gostei do livro. Ele é gostoso de se ler, ainda mais sendo embalado por uma trilha sonora que o envolva. Fallen tem muito ar de música gótica, diria eu e acredito que os amantes de Evanescence podem gostar muito dele e vice-versa, mas eu acabei lendo ao som de Seether, pois o som que a voz sussurrante do vocalista entoa, ajuda um bocado a entrar no clima enevoado que a história dispõe e, junto, deixei tocar  Agridoce também, pois a caracterização rebelde e solitária que a musicalidade desse projeto da Pitty evidencia, auxilia na disposição entorpecente da protagonista.

Alguns personagens possuem carisma e são interessantes, mesmo que sem tanta profundidade, pois é o 1ª livro ainda, muito há para acontecer e a história de amor não é piegas (algumas são, a de um vampiro fadinha por exemplo). Parece que a autora acertou onde a criadora de Crepúsculo pode ter errado: a protagonista tem razão de ser da forma que é e o par romântico não é um morto vivo que a “engravida”, assim, eu indico.