Resenha – Assassin’s Creed – Renascença

Apesar de nunca ter tido um video game , eu sabia que Assassin’s Creed – o livro – é baseado no jogo. O que é algo completamente novo – e estranho – para mim. Pelo que entendi, o video game em si, se passa em 2000 e alguma coisa. Já o livro se passa lá em 1400 e  bolinha – na época de Leonardo da Vinci, Boticelli, Lorenzo de Médici e Maquiavel , que fazem aparições importantes no livro.

É isso que dá convidar um historiador para escrever o livro. Esse é um ponto positivo – adoro a mistura de personagens reais em histórias de ficção. E mais ainda se tudo isso se passa na Itália Renascentista que eu adoro mais.

O livro começa com dois grupos de jovens brigando na rua (meninos..pfff). Os Auditore e os Pazzi vivem se enfrentando e se jurando de morte. Ezio Auditore é filho de Giovani que é banqueiro. Os Pazzi também são banqueiros. E os Médici também (é muito banqueiro para uma cidade só, eu diria). Tudo se passa naquela Florença histórica de uma Itália que se tornava o centro cultural e econômico do mundo.

Ezio Auditore está sendo treinado para ocupar o lugar do pai, apesar de não achar isso muito fantástico – afinal, quem quer ser banqueiro quando se pode brigar na rua o dia inteiro? A história começa de verdade, quando seu pai, seu irmão mais velho (e ídolo) e seu irmão mais novo são enforcados em praça pública julgados como traidores. Ezio se vinga dos assassinos de seus familiares e foge com a irmã e a mãe para uma cidade próxima onde ele aprende mais detalhes sobre seu pai e suas reais origens quando encontra seu tio Mário.

Ele descobre que seu pai era membro do Credo dos Assassinos que existe com o único propósito de matar todos os Templários que restaram na Europa. Os Templários haviam ultrapassado os limites e chegaram a dominar as políticas econômicas da Europa. Agora estavam tentando dominar também a política através da corrupção das instituições do Governo – o que vai de encontro aos preceitos da Igreja, certo? ERRADO! O Papa apoiava os Templários e “abençoava” as suas atividades. Aliás, diversos padres se tornaram assassinos de forma a garantir o sucesso dos Templários.

Apesar do enredo encher a boca dos fãs de História, o porção “História” em si do livro é bem pequena. Além disso, o livro tem uma linha do tempo estranha. Quando você chega ao próximo parágrafo já se passaram 2 anos, às vezes mais. A escrita é simples e fácil de compreender, mas o tempo fica um pouco perdido. As cenas de luta são bem parecidas umas com as outras o que às vezes me dava vontade de pular essas partes.

Leonado da Vinci tem um dos papéis mais importantes. No livro, ele é um artista em começo de carreira mas com uma fama que começa a se espalhar pela Itália. Seu auxílio é primordial para Ezio conseguir entender as páginas do códex – páginas soltas que Ezio encontra e que revelam coisas diversas como desenho de armas, história e etc. O papel principal do codéx, no entanto, é revelado mais ao final do livro quando entendemos que ele é, também, um mapa.

Porém, as páginas estão codificadas e espalhadas pelo mundo. Ezio as encontra, muitas vezes, junto aos que ele assassina. Quase no final do livro se descobre o que essas páginas realmente revelam e a história toda vira uma caçada ao tesouro.

Algo que me incomodou muito foi o subterfúgio de “ouvir a conversa dos outros”. Muitas vezes – tipo…trezentas vezes – Ezio ouve conversas interessantes de seus inimigos que têm a ver com ele e com planos que são importantes para a história (que coincidência!!). Isso acontecer uma ou duas vezes, vá lá, mas quase toda vez que ele se aproxima de um inimigo eles ou estão falando dele ou de seus planos maléficos para conquistarem o mundo. Isso me pareceu um recurso do autor para complementar a história sem ter que pensar muito ou ser criativo em como esses planos viriam à luz. É algo que fica chato e me deixou impaciente para terminar o livo logo.

Quem já leu O Código Da Vinci pode sentir um pouco de “dejá vu”. O livro todo parece que veio de algo que já li antes. Ele é, sim, bem escrito mas talvez algo tenha sido perdido na tradução. Pode ser também que a história seja baseada em algo do qual já se falou muito. Talvez alguém que nunca tenha lido nenhum livro sobre Da Vinci, Templários, Cruzadas e etc, sinta que a história é nova e cheia de coisas interessantes.

Faltando 50 páginas para acabar o livro eu estava muito, muito impaciente e mal via a hora de acabar. Só me segurei para não abandonar o livro porque tentei manter um fiozinho de esperança de que a coisa ia melhorar. Sem sucesso. Não há supresas agradáveis ao final do livro.

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