Domingo dos Quadrinhos – Hellblazer

Hellblazer

 

Você deve ter assistido (ou pelo menos ouvido falar de) um filme chamado Constantine. Não? Pois então, além de perder minutos de um filme interessante, você também perdeu a chance de conhecer John Constantine, a estrela da série Hellblazer. O personagem visto nas telas do cinema, representado por Keanu Reeves, deixou de fora os traços marcantes do personagem dos quadrinhos, mas ainda assim foi bem representado: o Constantine original é inspirado no cantor Sting, e por isso tem os cabelos loiros. O cabelo e o seu sobretudo marrom são a marca registrada deste personagem memorável.

Um clássico da linha de quadrinhos adultos da DC Comics (a editora de Batman e Superman), Hellblazer é uma publicação que conta a história de John Constantine, um mago um tanto quanto diferente dos que conhecemos. As histórias se passam nos tempos atuais, na Londres de hoje e não na Idade Média ou em algum passado fantástico distante. Além disso, logo se percebem as principais características de John: o sarcasmo, a ironia, a atitude de quem simplesmente não está nem aí para o que está acontecendo, a postura de anti-herói constante. É, com certeza, uma das personalidades mais marcantes dos quadrinhos.

Com esta atitude, John Constantine vive às voltas com demônios, bruxas, monstros de toda espécie que procuram resolver antigas desavenças, pedir favores ou mesmo ameaçar e chantagear o bruxo. Algumas cenas apresentam um humor ácido (algo que o filme captou bem) que dá o toque final à série.

No Brasil, a editora Panini publica as histórias de John Constantine em uma revista chamada Vertigo, que traz também outras ótimas histórias. O arco que li este mês é o que vai do número 1 ao 6 da revista Vertigo brasileira, escrito por Mike Carey, e recomendadíssimo para quem gosta deste estilo.

John Constantine é para iniciados. Mas, para estes, é das melhores coisas que se pode encontrar. Boa leitura!

Domingo dos Quadrinhos – Maurício de Sousa por 50 Novos Artistas

Maurício de Sousa por 50 Novos ArtistasMaurício de Sousa é o quadrinista mais conhecido do Brasil e responsável por personagens reconhecidos em diversos lugares do mundo (em menor grau do que por aqui, obviamente). O alcance da sua obra é inquestionável e impressionante.

Em 2011, a Panini lançou o terceiro volume de uma série que buscou homenagear os 50 anos de carreira de Maurício, com artistas recriando os personagens clássicos da Turma da Mônica. Foram convidados 50 artistas, desde totais desconhecidos em início de carreira a nomes já um tanto conhecidos entre entusiastas dos quadrinhos, como Mike Deodato Jr., Adão Iturrusgarai, Daniel HDR, Luke Ross, entre outros.

Algumas histórias agradam pela bela arte, outras divertem pela perspectiva alternativa sobre os personagens, outras ainda dão uma certa saudade do traço original, como seria de se esperar em uma coletânea deste tamanho. Mas, de modo geral, os artistas foram muito bem escolhidos e o nível se mantém entre as histórias.

Pessoalmente, algumas histórias me agradaram muito mais do que outras. Mas prefiro que interessados formem sua própria opinião sobre isso. Para quem gosta da Turma da Mônica ou de quadrinhos em geral, esta é uma HQ para ter, ler com atenção e de vez em quando dar mais uma olhadinha. Boa ideia e boa execução.

 

Terça Dos Quadrinhos – All Star Superman

Uma minissérie diferenciada sobre o Homem de aço. Sem contar histórias de surgimento ou seguir uma batalha sem fim com algum inimigo extraordinariamente forte. Aqui o pretexto é mesmo fundamentado em uma comprovação de uma última tentativa de Lex Luthor para vencer seu arqui-inimigo superior.

Superman salva um cientista em uma missão no SOL, que de cara já descobre que é um plano de Luthor para SOBRECARREGAR o Homem De Aço (sabemos que o sol é quem dá forças para o kryptoniano). Sabendo disso, que seus dias podem estar contados, que possivelmente poderá morre, Superman diz: “Há coisas…que preciso resolver primeiro”.

A minissérie possui 11 partes e em cada uma, somos apresentados à particularidades, costumes, interesses e realizações do protagonista.

  • Super conta a Lois Lane que é Clark Kent, a leva até a Fortaleza da Solidão, passa alguns dias com ela mostrando todos os seus segredos e acaba descobrindo que já é imune a Kryptonita verde;
  • Dá para ela um presente inusitado, uma poção que garante os mesmos poderes dele, por um dia. Encontra com Sansão e Atlas (sim, Sansão com grandes cabelos e super forte e Atlas, aquele que carrega o mundo nos ombros) e ambos o desafiam para ganhar a companhia de Lois. Antes de derrota-los (juntos) em uma queda de braço, Super ainda precisa responder à um enigma da Esfinge;
  • Jimmy Olsen passa por momentos únicos no lugar de cientista que conhecemos no começo da história. Acaba precisando ser salvo pelo Super e esse é afetado por uma Kryptonita preta, que o deixa “fulo” da vida e um pouco mau. Jimmy é quem precisa salva-lo dessa vez se transformando no Apocalipse (única criatura capaz de parar o Homem De Aço) e quando volta ao normal, tudo já está bem;
  • Lex está preso e Clark vai até a prisão para entrevista-lo, conhecer seu lado da história, seu ódio pelo Super, suas motivações e tal quadrinho nos apresenta um homem a frente de seu tempo, gênio, forte, deliberadamente esforçado à destruir não somente o kryptoniano, mas também o ideal que o cerca. Kent entende que seu arqui-inimigo é muito mais centrado e determinado para eliminar de vez o “alienígena” que o impede de dominar o mundo;
  • Estamos em Smallville e conhecemos um pouco mais sobre a cidade natal do Super e seus amigos do passado, somos apresentados à alguns integrantes da “Tropa Superman”, que viaja no tempo e nesse “episódio” em especial presenciamos a morte de Jonathan Kent, junto à Tropa, para que um certo viajante pudesse estar ao lado dele;
  • O planeta Bizarro está na órbita da Terra. Bizarro chega à terra, tentando transformar todos os habitantes em Bizarros. O Super tenta impedir tais transformações e acaba indo parar no planeta visitante, mas não consegue voltar sozinho, sem a ajuda do sol e com tal planeta mudando para outra dimensão, ele precisa de ajuda e eis que surge o Zibarro;
  • De início Zibarro não quer ajudar, pois é o único diferente por lá e a presença do Super lhe parece como uma companhia, mas depois que aparece o Jor-El Bizarro, os 3 constroem uma nave capaz de escapar de “terrível gravidade” e, antes que nosso herói sucumba ao sol vermelho, ele consegue retornar ao nosso mundo;
  • Na volta ele descobre que ficou fora por 2 meses e se depara com dois outros kryptonianos, que não parecem muito interessados em preservar os ensinamentos sobre humanidade e respeito que Clark Kent tanto presa. Mas uma fraqueza, que não mais atormenta o Super, quase mata os dois, ao ponto de aceitarem ajuda e somente um lugar poderá salvá-los: A Zona Fantasma;
  • Aqui o Super começa a escrever seu testamento, pois a morte parece cada vez mais próxima. Suas ações para proteger os habitantes da Terra, em qualquer situação, recebe maior destaque, enquanto o povo de Kandor, a cidade kryptoniana em miniatura discute sobre a vida fora da redoma e como podem salvar o salvador deles;
  • No penúltimo capítulo, Lex consegue fugir da cadeia depois de sobreviver à cadeira-elétrica por beber um soro que lhe dá poderes por 24 horas e vemos o Super lutando contra um pequeno sol vermelho – Solaris. Todos os robôs que trabalham na Fortaleza da Solidão tenta ajudar, mas são, um a um, eliminados e até um devorador de sóis morre, mas solaris é vencido, mas isso acaba tendo um preso;
  • No final o Superman tem que escolher voltar e enfrentar o mal pela última vez, ou permanecer “morto” junto com os seus. A escolha é óbvia e a primeira palavra que ele diz ao abrir os olhos é: “Lois”. Lex está dominando Metrópoles e nosso herói é o único capaz de proteger a cidade. Depois do poder de Luthor findar e o Super começar sua deteriorização, ambos tem a disputa final. Mas essa não é sua última tarefa antes de encontrar a morte derradeira, o sol precisa de sua força. Suas células estão se convertendo em energia pura e ele utilizará a sim mesmo, para consertar nossa estrela.

A história é original e possui contextos bem ímpares (graças a sua originalidade). Os desenhos não são a obra prima que me agrada, mas convence e com o tempo pode ser consumida com certo interesse. O enredo é bem interessante e satisfaz, pois não discute apenas sobre um personagem capaz de TUDO, mas sobre um personagem que está acima ainda desse TUDO, mas que entende, mesmo assim, a ser humano.

Superman é tratado aqui como uma evolução de si mesmo.

Domingo dos Quadrinhos – Daytripper

Daytripper

Fábio Moon e Gabriel Bá são dois dos mais respeitados autores brasileiros de quadrinhos. E boa parte de sua fama se deve ao fato de que os dois dialogam diretamente com seres humanos de qualquer lugar, mesmo quando contam estórias situadas em cidades brasileiras (São Paulo, no caso. As imagens da cidade valem para quem, como.eu, gosta daqui).

Daytripper é daquelas obras que podem ser lidas em vários níveis. Complexa, seguindo uma ordem narrativa que não é a que estamos acostumados a ver, a obra discorre sobre um jornalista que escreve obituários e sonha em ser um escritor famoso. Sempre com a sombra de seu pai, um escritor brasileiro famoso no mundo todo, Brás de Oliva Domingos vive tentando atingir seus objetivos. E os dois brasileiros se propõe a narrar as várias “vidas possíveis” – e as mortes – deste personagem. Tudo isso enquanto te fazem pegar gosto pela vida do personagem e pelas suas experiências, culminando em um final emocionante. Daytripper, além de tudo, faz pensar.

Explico melhor: a HQ, brilhantemente desenhada e colorida, é dividida em capítulos, numerados. A diferença para a organização normal é que estes capítulos são numerados de acordo com a idade em que o personagem morre. Sim, porque ele morre várias vezes. Sim, ele “vive várias vidas”, morrendo cada vez em uma idade diferente. Entrego com isso uma das genialidades da obra, mas podem ir tranquilos que ela contém muitas outras.

Daytripper é extremamente recomendada para quem gosta de quadrinhos com temáticas mais densas, sobre a vida; sem super-heróis, poderes ou gente voando. É também recomendada para quem gosta de livros e quer tentar um passo no mundo dos quadrinhos. Mas, principalmente, é recomendada para quem gosta de belas estórias.