Resenha – Nietzsche

Nietzsche é o filósofo contemporâneo que parece ser mais “idolatrado” atualmente, é o filosofo do momento há anos, e ainda assim é um dos filósofos mais mal interpretados que se tem notícia. Eu por exemplo, estudante de filosofia, que escrevi sobre traços da sua filosofia, já deturpei algumas sacadas dele durante minha juventude e durante o trabalho de monografia, realizado sobre ele, é que comecei a entende-lo de forma mais acertada. Atualmente tenho tentado aprender mais (já que pretendo um mestrado em filosofia alemã focada nele) e uma das melhores maneiras para isso, é ler MESMO livros de doutores no assunto. Ler MESMO os livros dele. Ler DIVERSAS vezes e começar a estudar com afinco o que ele tentava promover a marteladas no contexto filosófico, de sua época, antes dele e até mesmo para o futuro.

Oswaldo Giacoia Junior é um dos mais respeitados doutores em Nietzsche e junto à Publifolha, publicou um livreto ESPETACULAR que pode iniciar qualquer pessoa na filosofia desse pensador que era dinamite pura. Tal pequeno livro (pequenino) é capaz de nos apresentar conceitos básicos sobre o que é considerado, muitas vezes, complicado dentro de todo questionamento do filósofo. Somos envolvidos pelos aspectos essenciais e mais importantes de todo a reflexão nietzscheana de forma clara.

A obra é caracterizada por capítulos curtos, apresentações sucintas e diretas, assuntos fundamentais e basilares de tudo que representa a filosofia do homem que ajudou a mudar o pensamento ocidental. Aprendemos como ele trabalhava seus textos durante sua juventude e em épocas posteriores. Giacoia vai esclarecendo particularidades dos escritos, estudos e as argumentações presentes nos principais livros de Nietzsche e isso tudo, de uma forma, se posso dizer, bem popular. Somos apresentados logo de cara por uma introdução que pergunta: “Por que ler Nietzsche?”. E o autor nos motiva a entender tal questão ao expor o seguinte conceito: “Nietzsche é um dos grandes mestres da suspeita, que denuncia a moralidade e a política moderna como transformação vulgarizada de antigos valores metafísicos e religiosos…se opõe à supressão das diferenças, à padronização de valores que, sob o pretexto de universalidade, encobre, de fato, a imposição totalitária de interesses particulares”. Suas “figuras de pensamento” também são motivos para lê-lo: Vontade de Poder; Além do Homem (Übermensch); Eterno Retorno e Niilismo. Giacoia discute bem sobre essas expressões.

O livreto trabalha bem a impressão de ser uma introdução na filosofia de Nietzsche, mas, CLARO, não aborda tudo o que gira em torno de todo o seu trabalho. Vale muito como referencial inicial e como fonte de consulta prévia, mas não segue como um trabalho isolado e sim como um auxiliar para estudos mais aprofundados. Nietzsche fica mais sociável e “tranquilo”. Recomendo MUITO.

Anúncios

Resenha – Jogo de Poder (Livro e filme)

Em Julho de 2003 o jornal Washington Post publicou uma coluna que causou comoção nos Estados Unidos. O jornal comentava sobre como a agente da CIA – Valerie Plame – havia organizado junto o marido – o diplomata Joe Wilson – uma história para convencer o país de que o Iraque não tinha os tubos de alúminio necessários para fazer armas nucleares (que o Governo Bush teimava que existiam). Após os atentados às torres gêmeas de 2001, o governo norte-americano estava entretido em uma luta firme no Afeganistão e, já que estavam por ali, começaram a procurar maneiras de destituir Saddam Hussein de seu posto no Iraque.

O motivo todos nós sabemos, mas o argumento que foi utuilizado na época foi o de que o Iraque consistia em um enorme problema para o Ocidente pois havia provas de que eles estavam comprando tubos de alumínio necessário para enriquecer urânio. Aqui, começou toda a loucura que envolveu a ONU e colocou o mundo em alerta.

Nesse contexto, o que uma simples matéria no jornal poderia mudar?

Valerie Plame foi a pessoa responsável na CIA pelo time que iria averiguar a verocidade dessas informações que o Governo havia recebido. Diziam que os tubos haviam sido comprados no Níger e seu marido conhecia o país com certa propriedade por causa de seus trabalhos diplomáticos para o governo norte-americano. Portanto, pagando a viagem de seu próprio bolso, Joe Wilson foi para o Níger para confirmar ou desmentir essas informações.

As informações eram falsas e Joe reportou isso para a CIA. Pouco tempo depois, o Governo decidiu ir à Guerra mesmo assim.A coisa toda foi tão rápida que é impossível não acreditar que a Casa Branca já tinha toda a guerra planejada esperando apenas um argumento plausível para convencer a população.

O livro nos conta como o Governo organizou as informações de maneira a cumprir seu objetivo de invadir o Iraque e passou a perseguir Plame e seu marido por terem informações contrárias. É aqui que entra a coluna do Washington Post. Valerie Plame, uma agente secreta da CIA teve sua identidade real publicada no jornal. Havia detalhes de seu trabalho, informações sigilosas e pessoais colocadas em um contexto para desacreditar qualquer coisa que viesse dela ou de seu marido. Ela foi retratada como traidora da pátria e começou a receber ameaças de morte de norte-americanos fanáticos que agora sabiam que ela era, onde ela morava e onde seus filhos estudavam.

Revelar a identidade de um agente secreto nos Estados Unidos é crime federal. Nada disso impediu a Casa Branca de convenientemente vazar a informação para a imprensa. A seriedade dessa atitude passou despercebida pela maioria dos norte-americanos assustados demais com as alegações do governo Bush.

Valerie e seu marido tentaram por anos, desesperadamente, provar que estavam falando a verdade enquanto se esquivavam dos ataques do Governo. Infelizmente, o livro tem dificuldades absurdas. Antes de publicá-lo, Valerie foi obrigada a submetê-lo para a verificação da CIA que chegou a censurar páginas inteiras.

Isso significa que muitas das missões que Valerie detalha no livro foram omitidas e resta ao leitor deduzir o que pode ser. O que, confesso, é divertido. Mas nada disso tira o foco do principal – a busca por quem vazou as informações para a imprensa e a verdade sobre o Iraque.

O livro tem um ritmo complicado justamente por causa da censura. A escrita de Valerie não é das melhores (ou talvez o problema seja a tradução) mas o livro entrega a mensagem que deseja: não existe Governo 100% confiável e limpo e, faz tempo, os Estados Unidos deixaram de ser o modelo de democracia para os demais países. A leitura vale a pena justamente para chegar a essa compreensão.

Já o filme apresenta mais alguns detalhes mas também não podemos ter 100% de certeza de que é verídico (pode ser apenas o que o roteirista achou que estava escrito nas linhas censuradas). Mas as atuações são boas e a história é contada sem censura.

Plame e seu marido não tiveram tempo, nem cacife, para impedir a guerra no Iraque apesar de suas tentativas. A história geral a gente já conhece mas Plame nos apresenta um viés muito mais sórdido da guerra: a corrupção do Governo Bush da verdade para benefício próprio. Havia uma idéia tão obssessiva de guerra que eles não se importaram de desrespeitar as leis e colocar em risco a vida de dois de seus mais fiéis cidadãos.

Resenha – Viver para contar

Gabriel Garcia Márquez é um dos autores latinos mais celebrados no mundo. Hollywood adaptou “O amor nos tempos de cólera” para o cinema, ele já esteve entre os escolhidos de Oprah para seu famoso Clube do Livro e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Se tornou um autor respeitado com grande sucesso comercial – o que é uma combinação difícil atualmente.

Viver para contar é quase uma auto-biografia. Digo quase porque o próprio Gabo comenta que muito daquilo que ele acreditava serem lembranças claras, ele acabou descobrindo que não aconteceram de verdade e talvez seja o fato de ele se aproveitar tão bem dessas lembranças falsas que suas histórias soem tanto como realidade misturada com fantasia.

Algo que sempre me atraiu muito no estilo de Garcia Márquez é sua maneira inusitada de descrever objetos, sensações, gostos e tudo o mais. A poesia de sua linguagem é algo que sempre me deixa com uma sensação forte de nostalgia por tempos que nem conheci. “O paladar que afinei a ponto de ter provado bebidas com sabor de janela, pães velhos com sabor de baú e infusões com gosto de missa“, ou ainda: “os guajiros, por seu lado, falaram sempre uma espécie de castelhano sem ossos com faíscas radiantes”.

Ele descreve sem descrever forçando o leitor a interpretar tudo de uma maneira subjetiva. Nenhuma palavra parece ser usada para preencher espaço, todas elas têm um papel claro e específico em ajudar o leitor a criar um mundo conforme ele próprio imagina. É quase uma paixão pelas palavras e uma vontade insana de usá-las da melhor maneira possível para criar um quadro específico.

Como não poderia deixar de ser, o livro tem comentários sobre autores e obras que o influenciaram em quase todos os momentos de sua vida. Para os fãs de boa literatura, pode ser um guia excelente de “livros que valem a pena serem lidos”. Os nomes vão de Faulkner a James Joyce passando por Bolaños e Neruda.

Através de suas lembranças, também é possível conhecer muito sobre a história da Colômbia e suas terríveis guerras civis e mudanças de poder. A política tinha um papel específico na vida de Garcia Márquez e ao escrever para um jornal em Cartagena, ele tinha que aguardar o censor reler tudo o que havia produzido e retirar tudo o que acreditava ser impróprio. Ver o censor ali do lado…com a caneta em mãos deve ser um sentimento terrível para um escritor. Aliá, Gabo foi, por muitos anos, mais jornalista do que escritor.

Quando ele começa a nos guiar pela criação de Cem anos de solidão, eu me empolguei achando que finalmente ia conhecer mais sobre os bastidores do meu livro preferido. O livro foi uma tentativa de contar  a história de sua família “que nunca foi protagonista e nem mesmo vítima de coisa alguma específica, e sim testemunha inútil e vítima de tudo“.  Mas isso é tudo o que ele conta. Confesso que fiquei um pouco decepcionada…nem o prêmio Nobel ele chega a mencionar. Eu queria muito saber como ele se sentiu quando ganhou o Nobel afinal..ele é um dos raros autores latinos a receberem esse prêmio. Mas nada disso é comentado.

Ainda assim, eu não consigo descartar o Gabo só por causa disso. Diria que a leitura de “Viver para contar” não é só recomendada, deveria ser obrigatória. Ainda que a edição da Record não seja das melhores. O material da capa fica sujo muito fácil, quando cheguei quase na metade do livro, as páginas começaram a descolar na parte inferior. Um livro dessa magnitude merecia uma edição melhor e um carinho maior.

Mas relevei isso porque, pessoalmente, ler Gabo é o mesmo que ler poesia. Abra o livro e esqueça da vida.

Resenha – O Travesti

Certo dia eu estava passeando pela Biblioteca Municipal de Araçatuba, quando eu me deparei com um livro que continha um título e uma capa excessivamente chocantes para a sociedade: um elemento do sexo masculino virado de costas, com uma peruca loira e um título que descrevia aquela figura com uma afirmação: “O Travesti”.

Assim sendo, me interessei pela leitura que, como todos os outros livros que envolvam homossexualismo e prostituição, contém um conteúdo polêmico e de cunho reflexivo para a sociedade contemporânea.

O livro é uma narrativa em primeira pessoa de Daniela, um travesti que vivia no mundo da prostituição durante a década de 80, época no qual o homossexualismo era excessivamente condenado e perseguido pela sociedade por causa da proliferação da Aids. Daniela sabia dos riscos que corria por causa desse fato, mas ela não tinha escolha alguma: precisava e necessitava da prostituição para sobreviver, ou morreria de fome.

Repleto de casos inusitados, mortes de travestis apenas pelo simples fato de se ter preconceito, o sofrimento vivido por Daniela com clientes e as drásticas mudanças ocorridas na vida da mesma, juntamente com o surpreendente término dessa história verídica da escritora Adelaide Carraro, transformam este livro em uma leitura recomendadíssima

Entretanto, “O Travesti” não é um bom livro no que se refere ao contexto gramatical: o excesso de palavras escritas de maneira errada tornam a leitura um pouco desgastante. Tudo indica que a autora optou por deixar os erros gramaticais para dar ênfase na falta de instrução de Daniela, e fazer o leitor pensar sobre como a educação brasileira é pífia e não traz oportunidades para todos os brasileiros, fazendo vários deles terem que acabar caindo em um caminho árduo e doloroso: a prostituição.

 

Resenha – Bossypants

Tina Fey é uma comediante norte americana muito celebrada. Seu estilo de humor sarcástico, seco e direto chamou a atenção em Saturday Night Live e logo tomou conta do primetime da televisão com a série 30 rock. Que, pessoalmente, eu vejo mais pelo Alec Baldwin. Mas não vamos entrar em detalhes.

O livro é uma autobiografia generosa no sentido de que ela compartilha conosco coisas que nem mesmo queremos saber como..não sei…sua primeira mestruação ou como ela não conseguiu amamentar sua filha. Mas isso é porque até mesmo o que parece estranho se torna muito engraçado na mão de Tina Fey. Desde a introdução ela deixa claro que essa não é uma autobiografia séria apesar de ser sua vida. São histórias de situações inusitadas que a transformaram em quem ela é hoje. Claro que, com certo tom dramático, o livro poderia sim ser uma autobiografia cheia de situações difíceis de alguém que veio de uma família de classe média e cresceu com um pai severo. Mas esse não é o estilo de Tina Fey.

Tina (porque agora somos amigas de infância), é formada em drama  começou sua carreira no show business trabalhando em uma companhia especializada em improviso. É como um stand up onde todas as cenas são montadas na hora. Foi esse caminho que a colocou na linha de frente para trabalhar em um dos maiores programas de comédia dos Estados Unidos: o Saturday Night Live.

O livro é difícil de largar. Eu lia em todos os momentos que eu tinha livre. Confesso que algumas vezes tive que me segurar para não rir alto em público….mas nem sempre tive sucesso o que resultou em alguma cenas estranhas em restaurantes lotados.

A melhor característica do livro é justamente a leveza com que Tina conta as história alternando entre sério e engraçado mas nunca chegando ao ponto de ser sério demais. Durante a leitura ela cria listas bizarras de como criar um show de sucesso ou como ser uma mulher bonita após certa idade.  Aprendemos como ela lida com crítica e o famoso comentário de que mulheres não são tão engraçadas quanto homens adicionando comentários sarcásticos de como as mulheres devem lidar com sexismo ou qualquer outro tipo de preconceito no ambiente de trabalho. E eu vou colocar mais isso como aperitivo porque a lógica dela é inquestionável (tradução livre):

“Meu conselho não solicitado para as mulheres é: quando você se deparar com sexismo ou preconceitos com sua idade ou sua aparência ou até mesmo um budismo agressivo, pergunte a você mesma: ‘essa pessoa está atrapalhando meu caminho para chegar onde eu quero?’ Se a resposta for não, ignore-os e siga com sua vida. A sua energia será melhor usada fazendo seu trabalho e derrubando pessoas pelo caminho. Daí, quando você estiver no comando, não contrate as pessoas que foram babacas com você.”

Apesar de seu show, 30 rock, ser um dos mais premiados da televisão norte-america, o momento de ouro de Tina Fey, acredito eu, foi nas eleições de 2008 quando ela interpretou Sarah Palin – a vice de McCain pelo partido republicano – durante as eleições para a Presidência. Para quem acompanhou as eleições e as gafes de Palin, os quadros de Tina Fey no SNL foram mais do que excelentes.

O livro é, também, um guia para quem se interessa pelo mundo da comédia e os bastidores de um programa de sucesso. Ela coloca partes de roteiros com as melhores piadas e explica como montar uma equipe de roteiristas que dá certo, como definir o tipo de câmera que será usado, como lidar com a pressão do canal e partes interessadas na audiência e etc. Além disso, o livro agrada por ser leve e fácil tornando a leitura bem rápida. É quase como limpar o paladar entre histórias pesadas.

Comprei o livro em inglês e não sei quando ou se vai ser lançado em português. Para quem tem interesse, o nível de inglês é de intermediário para alto com muitas gírias. Pessoalmente eu gosto desse estilo porque me ajuda na conversa do dia a dia. Mas se você ainda está estudando, talvez não seja uma boa idéia.

Mês do Rock – Mestres do Blues

Blues é um ritmo especialmente idolatrado por mim. Gosto de muitos bluesmen, mas tenho a coragem de esclarecer que escuto menos do que poderia. Acabo não exercitando esse prazer da forma que me proporcionaria momentos agradabilíssimos. Assim como ter um hobby, poderia focar em um aprendizado para tocar Blues em meu violão, mas acabo escutando pouco. Gostaria mais de diminuir meus interesses musicais. Não me limitando, não é minha intenção, mas ainda quero, aumentar meu amor por esse estilo que é por demais magnífico.

Há muitos anos atrás, meados dos anos 90 para aumentar a exatidão, foi lançado uma coleção sobre os “Mestres Do Blues”, composta por 60 fascículos e 60 CDs, vendida semanalmente, mas que eu pude comprar somente os 4 primeiros, pois a mesada não deixava, kkkk.

A história do Blues está toda contada nessa coleção, desde seus primórdios, sendo pontuado entre histórias de outros ritmos, como o Country, as raízes africanas e os cantos de trabalho de prisioneiros nas estradas dos E.U.A., até, bom, até os dias atuais daquela época. O determinismo sobre o nascimento do Blues não é algo concreto e no 3º fascículo existe o seguinte texto:

“Ninguém pode dizer com precisão onde nasceu o blues, mas os dados existentes apontam com firmeza a algum lugar do vasto território que vai do interior da Geórgia e do Norte da Flórida até o Texas. Essa zona compreende o Sul e depois o Leste dos Montes Apaches, incluindo o Vale do Mississípi até o Norte e o Sul de Illinois e o Missouri Bootheel, avançando até o Oeste, passando por alto dos Montes Ozarkj para pegar o Sudeste de Oklahoma e a parte Oeste e central do Texas”.  

A origem de tal estilo musical é mega abrangente ao que se trata de localização, mas existem particularidades bem pontuadas, e não há discussão quando tratamos de apontar os negros como iniciadores de tudo que gira em torno do Blues, das canções de lamentações dos escravos que trabalhavam incansavelmente nas fazendas de algodão. Me atrevo a identificar a manifestação do Blues da mesma forma como a manifestação da Capoeira para os escravos brasileiros. Um movimento que transcende uma situação, que “suaviza” uma realidade imposta e quase desesperadora.

Somos agraciados por histórias sobre cada artista e de começo já aprendemos que B.B. King deu o nome de Lucille à TODAS suas guitarras, por causa de uma bela mulher por quem vários assistentes trocavam socos. Que o trio VIOLENTO da guitarra denominado “The Yardbirds” era composto pelo “deus” da guitarra Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck e depois esses dois últimos se dedicaram mais à bandas rockeiras. Que John Lee Hooker é um dos que mais influenciou cantores brancos e “é uma figura clássica do blues sulista, oriundo do mesmíssimo Delta do Mississipi” enquanto Muddy Waters é “um dos mais influentes expoentes do blues chamado ‘de Chicago'”.

A coleção oferece uma trilha sonora bastante contundente e por demais agradável, onde pude escutar um bocado mais de quem já conhecia (como no caso do B.B. King) e descobrir outros (como John L. Hooker e Muddy Waters). Como não continuei com a coleção, tive que fuçar sobre a galera que maneja uma guitarra como se fosse mulher e amante. Tive que garimpar um bocado para aprender sobre outros músicos e escutar músicas deliciosas.

Para quem AMA Blues é um prato cheio. Acredito que não exista mais em sua plenitude com facilidade, mas vale muito a pena procurar, pelo menos, sobre o artista que mais agrada. Eu por exemplo pude ser agraciado

Segue a lista completa compilação:

1.       B.B. King
16. Robert Cray
31. Bobby Blue Bland
46. Jimmy Reed
2.       Yardbirds
17. Clarence Brown
32. Jack Dupree
47. Otis Rush
3.       John L. Hooker
18. Elmore James
33. Albert Collins
48. Charley Patton
4.       Muddy Waters
19. Koko Taylor
34. Memphis Minnie
49. Little Milton
5.       Johnny Winter
20. T. Bone Walker
35. Blind Boy Fuller
50. J.B. Lenoir
6.       Howlin’ Wolf
21. Leadbelly
36. Etta James
51. M. Waters&O. Span
7.       John Mayall
22. Lonnie Johnson
37. Super Super Blues Band
52. Eddie Boyd
8.       Albert King
23. Buddy Guy
38. Menphis Slim
53. Arthur Crudup
9.       Ray Charles
24. Big Bill Broozy
39. Jimmy Witherspoon
54. A.King&O.Rush
10.   Bo Diddley
25. Jimmy Rogers
40. B. Guy, W. Dixon…
55. Billy Boy Arnold
11.   Robert Johnson
26. Sonny Boy Willianson
41. Blind Willie Johnson
56. Willie Mabon
12.   James Brown
27. Freddy King
42. Little Walter
57. Fenton Ronbinson
13.   Bessie Smith
28. Chuck Berry
43. Blind Lemon Jefferson
58. Luther Allison
14.   Jimi Hendrix
29. Ike&Tina Turner
44. Lowell Fulson
59. Eddie Taylor
15.   Lightnin Hopkins
30. Magic Sam
45. Big Joe Turner
60. Frank Frost

Filmes sobre o Blues já foram gravados e um dos que mais indico para assistir é a “Encruzilhada – Crossroads“. É só clicar que, quem se interessar, pode assisti-lo, legendado e completo. Nele sabemos mais sobre a lenda de Robert Johnson e temos também um duelo entre o eterno Daniel Larusso (que está MUITO BEM com sua Telecaster) e Steve Vai (que toca MESMO, tanto para seu papel quanto para o do protagonista)

Deixo vocês com uma das músicas mais trabalhadas no meio e que me fez apaixonar mais ainda pelo já adorável Blues

Mês do rock – Eric Clapton – Autobiografia

Eu gosto de pessoas com uma história de vida impressionante. Esse é meu hobby. Por isso sempre me interessei por biografias.

Me tornei fã de Clapton há algum tempo atrás depois de escutá-lo nas rádios com meu pai. O estilo rock-blues sempre foi algo que me atraiu muito e foi Clapton que iniciou minha apresentação ao Blues em seu álbum em parceria com B.B King.

Me tornei tão fã que encarei o show dele aqui em São Paulo em frio intenso e num assento longe do palco mas que…enfim…já era alguma coisa.

Sua autobiografia começa com as revelações sobre sua árvore genealógica confusa – aqueles que ele acreditava serem seus pais eram, na verdade, seus avós. Sua verdadeira mãe era filha de um casamento anterior de sua avó. Sua mãe se engraçou com um militar americado e quando descobriu que estava grávida, também descobriu que ele era casado e não ia abandonar sua família original. O drama de novela começou logo cedo. Clapton assimilou muito da culpa que a família sentia pela situação “bizarra” e se tornou um jovem introvertido.

Ele passou a infância vivendo através de amigos imaginários e personagens que inventou para si mesmo. A escola não significava muita coisa e a pobreza era constante. Uma de suas brincadeiras preferidas era sentar no ponto de ônibus e esperar um carro esporte passar.

Foi já nesses anos que ele experimentou seu primeiro cigarro. Clapton teria uma jornada longa contra drogas que duraria quase toda sua vida. Acompanhamos seus primeiros passos nesse mundo de vícios até a primeira vez que se apaixonou…por um violão que aprendeu a tocar por conta própria.

O amor pela música está em todo o livro. É difícil encontrar uma página em que Clapton não cite bandas ou musicas que estava ouvindo naquele momento ou que o influenciou naquela hora. Muita gente sabe o que estava fazendo quando determinado momento histórico ocorreu. Clapton sabe que música estava ouvindo.

Mas além de músicas, temos também uma longa lista de pessoas que o menino admirava e que tentava imitar. Os nomes que Clapton cita no livro são adições mais do que necessárias ao playlist dos fãs de boa música. A formação de sua primeira banda “The Yardbirds” foi envolta em sonhos e decepções. A obsessão dos demais membros da banda em seguir os passos dos Beatles destoava do que Clapton sonhava: “…não via como poderíamos fazer um disco daqueles e permanecer onde estávamos. Senti que havíamos nos vendido por completo”.

Ainda assim, ele é o primeiro a admitir que essa fase coincidiu com um momento em que ele estava se levando a sério demais. Que aliás, acredito que todo músico passa no começo da carreira quando parece que vai decolar. O sucesso em seus próprios termos é algo muito raro – e já o era naquela época.

Mas seu destino já estava traçado e depois dos Yardbirds, Clapton participou de bandas veneradas como Cream, fez parcerias impressionantes como com John Mayall e tocou com os Beatles. Nessa época, ele também se aproximou de George Harrison pois eles eram quase vizinhos. Além de testemunhar a criação de Here comes the sun, Clapton se apaixonou pela esposa de Harrison – Pattie – que inspirou a lindíssima canção Layla. “Layla foi a canção-chave, uma tentativa consciente de falar com Pattie sobre o fato de que ela estava resistindo e não viria ficar comigo.”

A essa altura, Clapton também estava viciado em cocaína e heroína e levava as drogas com ele durante as turnês tornando-se um viciado consumado. Ele comenta sobre como a morte de seu amigo Jimi Hendrix o afetou – os dois são conhecidos como Deuses da guitarra e há rumores de que em algum lugar obscuro existe uma gravação dos dois juntos, mas essa gravação nunca foi encontrada, para tristeza dos fãs.

Clapton dedica todo um capítulo ao seu vício a drogas que chama – corretamente – de Anos Perdidos. É um capitulo sincero ao extremo e em momento nenhum ele tenta se mostrar como vítima da droga, pelo contrário. Clapton diz que encarou tantos shows bêbado que esbarrava em vasos no palco.

O mais interessante no livro, para mim, é a sinceridade com que ele critica suas próprias ações. Como se ele conseguisse friamente analisar suas atitudes e assumir quando foi um imbecil completo. Clapton escreve sua autobiografia como muitas de suas músicas, com uma sinceridade que parece estar sempre à flor da pele.

Há também um capítulo todo dedicado ao seu relacionamento com Pattie – quando finalmente ela abandonou Harrison. Se Layla não comprova uma veia romântica de Clapton, ele explica que quando Pattie finalmente concordou em ficar com ele e ele tocou o clássico “Have you ever loved a woman”, as palavras tiveram um significado especial. O relacionamento, óbvio, sofreu um impacto forte por causa do relacionamento prévio com as drogas.

Entre drogas, recaídas, álbuns, turnês e tudo o mais, o capítulo mais tocante do livro é, de longe, o dedicado a seu filho Connor. O menino morreu aos 4 anos ao cair 49 andares do prédio onde morava com a mãe. Enquanto muitos imaginariam que isso iria atirar Clapton novamente no caminho das drogas, ele fez o contrário. Usou a memória do filho para se manter sóbrio. E escreveu umas de suas músicas mais fantástica e triste “Tears in Heaven”.

Para quem gosta de música boa e de histórias fascinantes, eu diria que essa é uma das melhores biografias que já li. Recomendo demais além de recomendar também que pesquisem os nomes de músicos que Clapton cita. Juro que é quase uma enciclopédia dos melhores músicos da galáxia.